Défice de alfa-1-antitripsina

"Atualmente estão a ser realizados ensaios clínicos de terapia genética que procuram corrigir o defeito genético responsável pelo défice de AAT através da introdução do gene correto nas células do fígado, mas, até ao momento, não são conhecidos os resultados."

DRA. ARANTZA CAMPO EZQUIBELA
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE PNEUMOLOGIA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em Medicina Interna. Clínica Universidad de Navarra

O que é o défice de alfa-1-antitripsina?

O défice de alfa-1-antitripsina é uma doença genética caracterizada por níveis baixos de uma substância denominada alfa-1-antitripsina (AAT), indispensável para equilibrar/contrariar a atividade das proteases. 

O défice de AAT ocorre em 1/2.500 indivíduos na Europa e é mais frequente nos países escandinavos. Deve-se a mutações no gene SERPINA1, que se transmite de forma autossómica recessiva. O alelo mais frequentemente associado a doença hepática e pulmonar é o PiZ. A doença hepática e pulmonar são independentes e têm mecanismos patogénicos diferentes.

Em consequência do defeito genético, produz-se uma forma alterada e não funcional de AAT, que se acumula no fígado, causando a destruição progressiva das suas células até poder instalar-se uma cirrose hepática.

No pulmão, a deficiência de AAT conduz à atividade descontrolada de outras proteínas que são ativadas durante estados de inflamação em resposta a vários tipos de agressão (infeções, substâncias irritantes como o fumo do tabaco). Isto provoca a destruição progressiva das paredes dos alvéolos (pequenos sacos localizados no final das vias respiratórias) que, a longo prazo, causa enfisema pulmonar. 

A doença manifesta-se na infância sobretudo a nível hepático, embora seja mais frequente em adultos, e a doença pulmonar surge apenas em adultos como enfisema, sendo mais frequente e precoce em fumadores. A afetação hepática pode manifestar-se como colestase neonatal ou doença hemorrágica aguda do lactente, hepatite crónica e cirrose e hipertensão portal na criança e no adulto.

No adulto, associa-se a carcinoma hepatocelular e aumenta a suscetibilidade ao dano hepático pelo consumo de álcool ou pela obesidade. A maioria das crianças com fenótipo PiZZ encontra-se assintomática, mas 10-15% desenvolve doença hepática e, destes, uma parte necessitará de transplante hepático em idade pediátrica.

Sintomas do défice de alfa-1-antitripsina

Os sintomas do défice de AAT dependem do tipo de defeito genético herdado. Os sintomas mais habituais são: dispneia, tosse, ruídos respiratórios e insuficiência hepática.

A dispneia (sensação de falta de ar) é, geralmente, o primeiro sintoma e surge entre os 30 e os 45 anos de idade.

A dispneia pode acompanhar-se de tosse e de ruídos respiratórios semelhantes aos que ocorrem na asma, bem como de maior suscetibilidade a infeções respiratórias.

Também no momento do diagnóstico podem existir sinais de envolvimento hepático de diferentes graus, podendo evoluir até à cirrose.

Tem algum destes sintomas?

Se suspeitar que apresenta algum dos sintomas referidos,
deve consultar um médico especialista para diagnóstico.

Como se diagnostica o défice de alfa-1-antitripsina?

O défice de alfa-1-antitripsina (AAT) é, tipicamente, diagnosticado por níveis baixos de AAT no sangue. Em doentes com elevada suspeita de défice de AAT e níveis de AAT duvidosos, é possível estudar as variantes de AAT no sangue periférico (fenótipos), que têm diferentes graus de associação com a doença.

Exames radiológicos como radiografia do tórax e TAC pulmonar podem evidenciar a presença de enfisema pulmonar de gravidade variável. Para avaliar o grau de disfunção respiratória, é útil a realização de provas de função respiratória. O envolvimento hepático e a presença de complicações podem ser estudados com análises de sangue, ecografia, TAC e/ou ressonância magnética hepática.

Como se trata o défice de alfa-1-antitripsina?

Os doentes diagnosticados com défice de AAT devem reduzir ao mínimo a exposição a agentes infeciosos e irritantes das vias respiratórias (deixar de fumar, vacinar-se contra a gripe e contra os principais agentes responsáveis por pneumonia).

A utilização de broncodilatadores e de oxigenoterapia está indicada quando exista obstrução ao fluxo de ar ou hipoxemia (baixos níveis de oxigénio no sangue).

Há alguns anos, tornou-se possível a administração de AAT por via intravenosa, que pode ser útil em doentes adultos com envolvimento pulmonar documentado por provas de função respiratória. 

Embora o tratamento com AAT possa melhorar a função respiratória em doentes em que esta se encontra comprometida, este tratamento não tem qualquer efeito sobre a doença hepática e o único tratamento para a doença hepática avançada é o transplante hepático.

O Departamento de Pneumologia
da Clínica Universidad de Navarra

Especializado no tabagismo e nas doenças causadas pelo tabaco, o Departamento conta com mais de 15 anos de experiência em programas de cessação tabágica e de deteção precoce do cancro do pulmão.

Os especialistas do departamento receberam formação em centros de referência mundial, incluindo centros dos Estados Unidos, e têm ampla experiência no diagnóstico e tratamento de todas as doenças respiratórias, tanto as comuns como as menos frequentes.

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

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