Tuberculose
"A maioria dos casos ocorre em países em vias de desenvolvimento, embora a incidência da tuberculose tenha aumentado de forma considerável em todo o mundo."
DR. JOSÉ RAMÓN YUSTE ARA
ESPECIALISTA. SERVIÇO DE DOENÇAS INFECCIOSAS

O que é a tuberculose?
A tuberculose é uma doença causada pela infeção do ser humano pelo bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis).
Todos os anos surgem no mundo 8 milhões de novos casos e morrem anualmente devido a esta infeção quase 3 milhões de doentes. A maioria dos casos ocorre em países em vias de desenvolvimento, embora, com a epidemia de SIDA, a incidência de tuberculose tenha aumentado de forma considerável em todo o mundo. A Espanha é um dos países ocidentais com incidência mais elevada de tuberculose.
Nem todas as pessoas infetadas com o bacilo de Koch desenvolvem doença tuberculosa. A grande maioria das pessoas apresenta um quadro assintomático ou associado a sintomas ligeiros idênticos aos de uma infeção respiratória vírica, que regride espontaneamente, podendo deixar alguma cicatriz no pulmão ou nos gânglios linfáticos. Este quadro denomina-se primoinfeção ou tuberculose primária.
Apenas 10% das pessoas com primoinfeção irão desenvolver, finalmente, a doença tuberculosa; 5% irão desenvolvê-la nos primeiros meses após a primoinfeção e 5% irão desenvolvê-la tardiamente, mesmo passadas várias décadas.

Quais são os sintomas da tuberculose?
Primoinfeção. Na maioria dos casos, evolui sem sintomas e resolve-se sem que o doente se aperceba. É mais frequente na infância. Quando há manifestações clínicas, costuma apresentar-se como uma síndrome febril com compromisso do estado geral. Pode também surgir um quadro mais grave, com febre elevada, perda de peso e envolvimento extrapulmonar. A maioria dos casos passa despercebida, sendo diagnosticada posteriormente quando a prova da tuberculina se torna positiva ou pela observação de cicatrizes pulmonares numa radiografia do tórax.
Tuberculose pós-primária. Doença causada pela reativação de bacilos que permaneceram latentes nos gânglios linfáticos ou noutros órgãos (por exemplo, pulmões) desde a primoinfeção. Pode ocorrer em qualquer órgão, embora a localização mais frequente seja a pulmonar (80%).
Tuberculose pulmonar. Pode apresentar-se com início insidioso, com tosse produtiva, astenia e sudorese ao longo de meses, ou com início agudo, com tosse, hemoptise (sangue no escarro) e febre elevada. O sintoma mais característico é a tosse, geralmente acompanhada de expetoração. Não é raro associar-se a envolvimento pleural, sobretudo em doentes jovens, com aparecimento agudo de dor pleural e síndrome febril.
Os sintomas mais habituais são:
- Febre.
- Envolvimento extrapulmonar.
- Tosse produtiva.
- Astenia.
Tuberculose extrapulmonar:
- Tuberculose miliar (por disseminação hematogénea): ocorre quando o bacilo de Koch se dissemina para outros órgãos através do sangue. Manifesta-se habitualmente por um quadro de várias semanas de febre, sudorese noturna e síndrome constitucional, com aparecimento de adenopatias e lesões cutâneas. Não é muito frequente e ocorre sobretudo em pessoas com imunidade diminuída.
- Tuberculose óssea: envolvimento dos corpos vertebrais, produzindo principalmente dor ao nível do disco intervertebral afetado.
- Tuberculose geniturinária: geralmente assintomática. Pode manifestar-se por síndrome miccional (disúria, urgência, dor lombar) e quadro geral com febre, astenia e anorexia.
- Tuberculose meníngea: quadro geral de febre e astenia, seguido do aparecimento de cefaleias, rigidez da nuca, hipertensão intracraniana e sinais neurológicos focais.
Tem algum destes sintomas?
Pode padecer de tuberculose
Qual é a causa da tuberculose?
A transmissão do bacilo de Koch ocorre diretamente de pessoa para pessoa, habitualmente a partir de um doente com doença pulmonar que elimina bacilos por via aérea ao tossir, expetorar ou falar.
Geralmente, é necessário um contacto íntimo e prolongado entre o doente e o contacto para que ocorra o contágio.
Outras formas de transmissão, como a digestiva, perderam importância com a aplicação de medidas higiénicas, como a pasteurização do leite.
Qual é o seu prognóstico?
Com os tratamentos atualmente disponíveis, o prognóstico da tuberculose é excelente.
Em geral, duas semanas após o início do tratamento, o doente deixa de ser contagioso e inicia-se uma recuperação progressiva do estado geral. Ao fim de algumas semanas, a maioria dos doentes pode retomar uma vida normal e regressar ao trabalho.
Em pessoas que estiveram expostas à infeção por um contacto íntimo, é possível prevenir a infeção por Mycobacterium tuberculosis através de tratamento com um antibiótico (o único caso em que é correto utilizar apenas um antibiótico) durante seis meses.
No entanto, nem todas as pessoas que estiveram em contacto com um doente com tuberculose necessitam de tomar antibiótico.
Atualmente, a vacinação sistemática não está indicada em Espanha.
Como se diagnostica a tuberculose?
Tuberculina (PPD) ou prova de Mantoux: consiste na injeção intradérmica de um extrato que contém antigénios do bacilo de Koch, mas não o bacilo inteiro, pelo que não pode causar infeção.
Se uma pessoa tiver anticorpos contra o bacilo, apresentará uma reação cutânea ao fim de 2–3 dias no local da inoculação, caracterizada por induração, eritema e calor. Esta reação indica que o indivíduo esteve em contacto com o bacilo em algum momento da sua vida.
Tal não significa necessariamente a existência de infeção ativa no momento da prova, mas, se as circunstâncias clínicas forem adequadas, pode ajudar a estabelecer o diagnóstico.
O diagnóstico de certeza é realizado através do isolamento e identificação do bacilo em meios de cultura.
Mycobacterium tuberculosis é um bacilo de crescimento lento, podendo demorar até oito semanas a desenvolver-se nesses meios de cultura. Para a identificação imediata, recorrem-se a técnicas de coloração específicas (Ziehl-Neelsen ou auramina) em amostras nas quais se suspeita de infeção.
As técnicas de coloração não são muito sensíveis; por isso, quando não se observam bacilos numa amostra mas a suspeita clínica é elevada, está indicado iniciar tratamento até estarem disponíveis os resultados das culturas (até oito semanas).
A Clínica dispõe de um Laboratório de Biossegurança de nível 3 (BL3), que permite o manuseamento de agentes biológicos como o da tuberculose. Neste laboratório procede-se ao seu isolamento, cultura e estudo da sensibilidade aos agentes anti-infecciosos, o que permite estabelecer o tratamento mais adequado.
Como se trata a tuberculose?
O bacilo de Koch possui grande capacidade de desenvolver resistências aos antibióticos quando estes são utilizados isoladamente. Por esse motivo, é sempre necessário o uso de combinações de antibióticos.
O tratamento pode ser realizado em regime ambulatório, embora seja necessário isolamento respiratório, pelo menos durante as duas primeiras semanas.
Entre os fármacos antituberculosos de primeira linha incluem-se a isoniazida, a rifampicina, a pirazinamida, o etambutol e a estreptomicina.
As associações internacionais de doenças infeciosas recomendam atualmente iniciar o tratamento com três antibióticos de primeira linha durante dois meses, seguido de dois deles durante mais quatro meses.
O esquema terapêutico mais habitual consiste na combinação de isoniazida, rifampicina e pirazinamida durante os primeiros dois meses, seguida de isoniazida e rifampicina durante mais quatro meses. Consoante os casos, podem ser necessários esquemas de maior duração e com um número superior de fármacos.
O Serviço de Doenças Infecciosas
da Clínica Universidad de Navarra
Diagnóstico e tratamento das doenças causadas por um agente infeccioso, que pode ser bactéria, vírus, fungo ou protozoário. As infeções afetam as pessoas, provocando processos muito distintos, que podem localizar-se em qualquer tecido do corpo humano, pelo que exigem uma abordagem específica.
Este serviço desenvolve a sua atividade em três vertentes: atividade assistencial, centrada no diagnóstico e tratamento das doenças infecciosas; docência, com formação de estudantes de Medicina, médicos internos e enfermeiros; e vocação investigadora, através do desenvolvimento de estudos clínicos e laboratoriais.
Organizados em unidades assistenciais
- Infeções associadas a biomateriais.
- Infeções nosocomiais (multirresistências).
- Infeções em doentes imunodeprimidos.
- Infeção adquirida na comunidade.
- Medicina do viajante.
- Programa de utilização prudente e otimização da terapêutica anti-infecciosa.
- Controlo da infeção por microrganismos multirresistentes.

Porquê na Clínica?
- Realizamos a avaliação do viajante e os exames analíticos em menos de 24 horas.
- Consulta de Segunda Opinião quando a infeção não chega a resolver-se.
- Zelamos pela utilização prudente de antibióticos.