Tosse crónica

"Uma tosse que persiste durante mais de oito semanas não deve ser considerada normal. Identificar a sua causa e compreender os mecanismos que a mantêm permite oferecer um tratamento personalizado e melhorar a qualidade de vida".

DR. EDUARDO JOSÉ GARCÍA-URRESTARAZU
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE PNEUMOLOGIA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em pneumologia. Clínica Universidade de Navarra

O que é a tosse crónica?

A tosse é um mecanismo natural de defesa do nosso organismo que ajuda a manter as vias respiratórias desobstruídas e protegidas.

No entanto, quando a tosse persiste durante mais de oito semanas numa pessoa adulta, é considerada tosse crónica, sendo recomendável realizar uma avaliação médica específica para identificar a sua causa.

A tosse persistente pode afetar de forma significativa a vida quotidiana. Pode dificultar o descanso, provocar cansaço, interferir com a fala ou o trabalho e causar desconforto físico ou limitações nas relações sociais.

Além disso, sabemos atualmente que, em muitos doentes, o próprio reflexo da tosse pode tornar-se excessivamente sensível. É o que se designa por síndrome de hipersensibilidade da tosse. Nestes casos, estímulos do dia a dia que normalmente não provocariam tosse —como falar, rir, determinados odores ou uma mudança de temperatura— podem desencadear episódios difíceis de controlar.

Quais são os sintomas da tosse crónica?

Além de uma tosse que persiste durante mais de oito semanas, podem surgir outros sintomas ou situações características:

  • Necessidade frequente de pigarrear.
  • Comichão, cócegas ou sensação de irritação na garganta.
  • Sensação súbita ou necessidade imperiosa de tossir, difícil de controlar.
  • Episódios de tosse ao falar, rir, cantar ou praticar exercício físico.
  • Tosse desencadeada por perfumes, produtos de limpeza, fumo, ar frio ou alterações de temperatura.
  • Alterações do sono, cansaço ou exaustão.
  • Alterações da voz ou disfonia.
  • Desconforto no peito após episódios intensos de tosse.
  • Perdas de urina associadas a acessos intensos de tosse.

Identificar quando surge a tosse e quais as situações que a desencadeiam pode fornecer informação muito útil durante a avaliação médica.

Quando deve procurar avaliação médica com maior rapidez?

Embora a maioria dos casos de tosse crónica possa ser avaliada de forma programada, determinados sintomas exigem uma avaliação médica prioritária.

Procure avaliação médica com maior rapidez se a tosse for acompanhada de:

  • Sangue ao tossir.
  • Dificuldade respiratória progressiva.
  • Dor intensa no peito.
  • Febre persistente.
  • Perda de peso sem causa conhecida.
  • Dificuldade em engolir.
  • Deterioração importante do estado geral.

Tem um problema de tosse crónica?

Se tem tosse há mais de oito semanas, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar a sua causa e a determinar qual o tratamento mais adequado para o seu caso.

Quais são as causas da tosse crónica?

A tosse crónica não tem uma única causa. Pode estar relacionada com uma ou várias doenças e, em alguns doentes, pode persistir mesmo depois de as patologias associadas terem sido corretamente tratadas.

Entre as causas e situações que podem estar relacionadas com a tosse crónica encontram-se:

Doenças respiratórias

  • Asma brônquica.
  • Bronquite eosinofílica.
  • DPOC.
  • Bronquiectasias.
  • Sequelas de infeções respiratórias.
  • Outras doenças pulmonares.

Problemas das vias respiratórias superiores

  • A rinite, a rinossinusite e outras doenças do nariz podem favorecer o aparecimento de tosse persistente.
  • Também podem existir alterações da laringe ou uma maior sensibilidade laríngea.

Refluxo gastroesofágico

  • Em alguns doentes, o refluxo gastroesofágico ou faringolaríngeo pode estar relacionado com a tosse. A sua importância deve ser avaliada individualmente, tendo em conta os sintomas e os resultados da avaliação médica.

Medicamentos e substâncias irritantes

  • Alguns medicamentos utilizados para tratar a hipertensão arterial, como os inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA), podem provocar tosse como efeito secundário.
  • O tabaco, o vaping e a exposição frequente a fumo, poeiras ou outras substâncias irritantes também podem favorecer ou manter a tosse.

Hipersensibilidade do reflexo da tosse

Em alguns doentes, ocorre uma alteração dos mecanismos nervosos que controlam o reflexo da tosse.

Isto faz com que estímulos aparentemente inofensivos possam desencadear uma resposta exagerada. A tosse pode persistir mesmo quando não existe uma única causa que a explique ou mesmo quando as doenças associadas já estão corretamente tratadas.

Quem pode sofrer de tosse crónica?

Quem pode sofrer de tosse crónica?

A tosse crónica pode surgir em qualquer idade e afetar tanto pessoas fumadoras como pessoas que nunca fumaram.

É mais frequente em doentes com doenças respiratórias, rinite, alterações da laringe, exposição a substâncias irritantes ou antecedentes de infeções respiratórias.

No entanto, também pode surgir em pessoas nas quais inicialmente não é detetada qualquer doença pulmonar evidente.

Nestes casos, uma avaliação especializada permite identificar causas tratáveis e avaliar se existe hipersensibilidade do reflexo da tosse.

Como se diagnostica a tosse crónica?

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O primeiro passo para estudar uma tosse crónica é conhecer em detalhe as suas características.

Durante a consulta, o especialista irá avaliar há quanto tempo tem tosse, com que frequência surge, que situações a desencadeiam, se existem outros sintomas, que medicamentos toma e até que ponto a tosse está a afetar a sua vida quotidiana.

A partir desta avaliação inicial, serão selecionados os exames mais adequados para cada doente.

Estes podem incluir:

  • Exame físico e exames de imagem do tórax.
  • Espirometria e outros testes da função pulmonar.
  • Medição da fração exalada de óxido nítrico (FeNO), que pode ajudar a detetar determinados tipos de inflamação das vias respiratórias.
  • Exames para avaliar se os brônquios reagem de forma excessiva a determinados estímulos ou se existe inflamação eosinofílica.
  • Questionários específicos para avaliar a intensidade da tosse e o seu impacto na qualidade de vida.
  • Avaliação por Otorrinolaringologia, Alergologia ou Gastrenterologia, quando necessário.
  • Exames específicos para estudar o reflexo da tosse em determinados doentes.

Nem todos os doentes necessitam de realizar todos estes exames. O objetivo é selecionar aqueles que realmente possam ajudar a identificar a causa ou os mecanismos responsáveis pela tosse em cada caso.

Como tratamos a tosse crónica?

O tratamento da tosse crónica deve ser adaptado a cada doente.

Se, durante o estudo, for identificada asma, inflamação eosinofílica, doença nasal ou outra patologia relacionada com a tosse, será indicado o tratamento específico adequado.

No entanto, em alguns doentes, a tosse persiste apesar de estas doenças terem sido corretamente tratadas. É o que se designa por tosse crónica refratária.

Quando existe também hipersensibilidade do reflexo da tosse, podem ser utilizadas diferentes estratégias:

  • Conhecer os mecanismos e os fatores desencadeantes da tosse. Compreender por que motivo surge e aprender a reconhecer as situações que a desencadeiam pode ajudar a controlá-la.
  • Terapia específica para o controlo da tosse, que pode incluir terapia da fala ou fisioterapia especializada.
  • Medicamentos neuromoduladores em determinados doentes, destinados a reduzir a sensibilidade excessiva dos mecanismos nervosos relacionados com a tosse.
  • Tratamentos especificamente dirigidos ao reflexo da tosse, quando indicados e disponíveis.
  • Seguimento médico, para avaliar a resposta ao tratamento e evitar manter durante longos períodos tratamentos que não estejam a proporcionar benefício.

O objetivo não é apenas reduzir a tosse. O tratamento procura diminuir a frequência e a intensidade dos episódios, melhorar a capacidade do doente para os controlar e recuperar a qualidade de vida.

O Departamento de Pneumologia
da Clínica Universidad de Navarra

Especializado no tabagismo e nas doenças causadas pelo tabaco, o Departamento conta com mais de 15 anos de experiência em programas de cessação tabágica e de deteção precoce do cancro do pulmão.

Os especialistas do departamento receberam formação em centros de referência mundial, incluindo centros dos Estados Unidos, e têm ampla experiência no diagnóstico e tratamento de todas as doenças respiratórias, tanto as comuns como as menos frequentes.

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

Porquê na Clínica?

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