Hemorragia digestiva

«O diagnóstico de hemorragia digestiva é muito simples e, muitas vezes, é o próprio doente que o faz ao observar sangue ou dejeções escuras nas fezes.»

DRA. Mª TERESA BETÉS IBAÑEZ
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE DIGESTIVO

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento digestivo. Clínica Universidad de Navarra

A hemorragia digestiva é a perda de sangue pelo tubo digestivo. De acordo com a sua evolução, essa perda pode ser aguda ou crónica, dependendo do volume de sangue perdido e do período de tempo em que ocorreu.

Segundo a sua origem, classificam-se em hemorragia digestiva alta ou baixa. São hemorragias altas as que têm origem no esófago, estômago e duodeno, e baixas as que se originam no restante intestino delgado e no cólon.

Em geral, os sintomas são característicos e não deixam margem para dúvidas. O maior problema é determinar a sua origem e a sua causa.

Quando existe algum dos antecedentes descritos e a hemorragia apresenta sintomas que denunciam a sua origem, o diagnóstico não costuma ser difícil. No entanto, algumas hemorragias representam, para o especialista, o doente e a sua família, um verdadeiro motivo de preocupação, implicando a realização de múltiplos exames, um após outro, sem que em muitos casos se consiga encontrar a causa.

Quais são os sintomas da hemorragia digestiva?

O sintoma mais importante da hemorragia aguda é a visualização, ao evacuar, de sangue vermelho vivo, semidigerido ou sob a forma de melenas.

Chamam-se melenas a um tipo especial de dejeção composto por sangue digerido, com aspeto pastoso e pegajoso, negro brilhante (semelhante a alcatrão), e um odor fétido muito característico, semelhante a carne podre. Quanto mais escura, malcheirosa e digerida estiver a sangue, mais alta é a sua origem (estômago, duodeno, porções altas do intestino delgado).

Se o sangue for fresco, vermelho vivo e quase sem odor, em geral significa que a sua origem está próxima do ânus. Em alguns casos de hemorragia alta, sobretudo se esta for importante ou se acompanhar de vómitos, pode expelir-se sangue pela boca, quer fresco, quer sob a forma de “borras de café” (hematemese).

Outro sintoma frequente é o aumento dos ruídos intestinais e uma sensação particular de «fraqueza» devido à descida brusca da tensão arterial. Nos casos mais importantes, surge taquicardia, suor frio, tonturas, perda de consciência e até choque. Se a hemorragia não for controlada, pode ter um desfecho fatal.

Quais são os sintomas mais habituais?

  • Visualização, ao evacuar, de sangue fresco ou semidigerido.
  • Melenas.

Felizmente, muitas hemorragias digestivas são autolimitadas.

Em muitas ocasiões, o único dado que alerta o médico para a existência de uma hemorragia crónica é a anemia com ferro baixo no sangue.

Geralmente são anemias bem toleradas e descobrem-se ocasionalmente em análises de rotina, embora, em alguns casos, o doente apresente sensação de cansaço invulgar e palidez.

Tem algum destes sintomas?

É possível que apresente uma hemorragia digestiva

O que causa hemorragia digestiva?

As causas de uma hemorragia digestiva alta podem ser variadas.

Por ordem de frequência, de maior para menor: úlcera gástrica ou duodenal, varizes esofagogástricas, lesões difusas do revestimento interno do estômago (mucosa gástrica), laceração por vómitos intensos na junção entre o esófago e o estômago (síndrome de Mallory-Weiss), inflamação do esófago (esofagite), hérnia do hiato, tumores, etc.

As causas de hemorragia digestiva baixa também são variadas, e as lesões que a produzem têm diferentes frequências de aparecimento consoante a idade dos doentes.

Em doentes de idade mais avançada, as duas causas mais frequentes são os divertículos do cólon e as angiodisplasias do intestino delgado ou do cólon.

Os tumores e pólipos grandes do cólon são uma causa rara de hemorragia aguda e, quando esta se apresenta, costuma ser intermitente e pouco abundante; no entanto, são causa frequente de hemorragia crónica impercetível, mas que provoca anemia no doente.

Embora as hemorragias digestivas baixas sejam raras em crianças, adolescentes e adultos jovens, há entidades que as podem provocar, entre as quais se destacam as doenças inflamatórias crónicas do intestino (colite ulcerosa e, com menor frequência, «doença de Crohn») e o divertículo de Meckel.

Existem outras causas de hemorragia alta ou baixa, tanto crónica como aguda, como as infeciosas, outros tumores, fístulas entre vasos sanguíneos e o tubo digestivo, complicação de manobras endoscópicas, toma de antiagregantes ou anticoagulantes e outras.

Como é a recuperação de uma hemorragia digestiva?

Como já foi referido, muitas hemorragias cedem por si sós. No entanto, é imprescindível recorrer sempre a um Serviço de Urgência, dado que o desfecho é imprevisível e algumas das suas causas são doenças graves.

Em geral, o prognóstico depende de dois fatores: por um lado, a gravidade da própria hemorragia e, por outro, a gravidade da causa que a originou.

Nas hemorragias cataclísmicas, que não chegam a ser controladas, o prognóstico é fatal.

Nas hemorragias que se controlam, o prognóstico depende de a hemorragia se repetir e do tratamento adequado da causa que a originou.

Atualmente, os tratamentos para estancar a hemorragia, quando esta é localizada, são eficazes.

São fatores de mau prognóstico: a hemorragia ser maciça, persistente ou repetitiva; o doente estar muito afetado pelo volume de sangue perdido (tensão muito baixa, inconsciente...); ter outras doenças debilitantes associadas (insuficiência cardíaca, respiratória, hepática, tumores avançados...); ocorrer em varizes esofágicas ou gástricas; e ter mais de 60 anos, entre outros.

Como se diagnostica a hemorragia digestiva?

Quando a hemorragia ocorre num ponto do tubo digestivo acessível à gastroscopia ou à colonoscopia (esófago, estômago, duodeno, cólon ou última porção do intestino delgado), estes são os métodos mais úteis. Uma endoscopia, na maioria dos casos, permitirá identificar o local da hemorragia, estabelecer a sua causa e, em muitas ocasiões, aplicar um tratamento eficaz para a estancar.

No caso de a gastroscopia e a colonoscopia não fornecerem informação sobre a origem do sangramento (cerca de 5% das vezes), realiza-se uma exploração de todo o intestino delgado através da cápsula endoscópica.

Quando não se chega ao diagnóstico por endoscopia, outras técnicas úteis são a arteriografia (cateterismo de artérias e veias do abdómen), a gammagrafia com glóbulos vermelhos marcados, o estudo radiológico do tubo digestivo com papa de bário, o TAC e, em casos extremos, a exploração cirúrgica.

De qualquer modo, perante um sangramento agudo ou crónico, devem esgotar-se sempre todas as possibilidades diagnósticas, dado o elevado risco que estes casos apresentam e a gravidade de algumas das suas causas.

Como se trata a hemorragia digestiva?

Perante a suspeita de hemorragia digestiva aguda ou crónica, deve sempre recorrer-se ao médico.

Se a hemorragia for aguda, o adequado é dirigir-se a um serviço de urgência. Deve ser o especialista em Gastrenterologia quem estude o doente e indique o tratamento. Ignorar estes processos é uma temeridade, pois alguns exigirão tratamento urgente e outros um diagnóstico preciso, dada a sua gravidade.

O tratamento das hemorragias agudas tem vários escalões, que consistem em colocar no doente um acesso venoso por onde se administrará soro ou sangue para repor o volume perdido, estabilizar o doente quando possível, realizar uma endoscopia alta (gastroscopia) ou baixa (colonoscopia), ou ambas se necessário — se se localizar o ponto de hemorragia, será tratado por métodos endoscópicos (coagulação, injeção de vasoconstritores e esclerosantes, laqueação...) —, administrar por via intravenosa fármacos que bloqueiam a produção de ácido pelo estômago e até vasoconstritores, internar o doente e vigiar a sua evolução.

Se não se chegar ao diagnóstico por endoscopia e o sangramento for abundante, deve realizar-se uma arteriografia para localizar o ponto de sangramento e tentar oclusá-lo.

Em alguns casos, a cirurgia pode ser necessária se o sangramento não for travado ou não se localizar o ponto que o provoca.

O tratamento dos sangramentos crónicos passa por diagnosticar a sua causa e instituir um tratamento adequado, dado que, em muitos casos, são causas importantes as que os podem produzir (tumores).

O Departamento de Gastrenterologia
da Clínica Universidad de Navarra

O Departamento de Gastrenterologia da Clínica Universidad de Navarra é composto por uma equipa multidisciplinar de especialistas, peritos no diagnóstico e tratamento das doenças do trato digestivo.

O nosso objetivo é que cada diagnóstico seja estabelecido de forma criteriosa e que o plano de tratamento seja ajustado a cada doente.

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

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