Gastrite crónica

«A gastrite crónica é um fator de risco para o cancro do estômago. Em doentes com antecedentes familiares de cancro gástrico ou quando o resultado da biópsia revela alterações celulares pré-malignas, é aconselhado um seguimento endoscópico.»

DR. CÉSAR PRIETO FRÍAS
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE DIGESTIVO

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento digestivo. Clínica Universidad de Navarra

A gastrite crónica é a inflamação inespecífica da mucosa gástrica, de etiologia múltipla e com mecanismos patogénicos diversos.

Quando não se encontram lesões orgânicas no esófago nem no estômago, existe tendência para denominar erroneamente «gastrite» aqueles quadros com sintomas de sensação de peso, aerofagia, mal-estar abdominal, saciedade precoce, plenitude pós-prandial... que deveriam ser englobados no termo dispepsia funcional ou não ulcerosa.

Existem outras formas menos frequentes de gastrite crónica, como a linfocítica, a hiperplasia da mucosa gástrica e a gastrite hipertrófica ou a gastrite eosinofílica.

Quais são os sintomas da gastrite crónica?

As gastrites crónicas não apresentam sintomas específicos da doença. Há doentes assintomáticos; outros apresentam sintomas dispépticos, como desconforto no epigastro, sensação de peso pós-prandial, aerofagia...

Existem estudos que demonstram que os sintomas dispépticos surgem em igual proporção nas gastrites causadas por H. pylori e nas que não apresentam este microrganismo.

Outras formas de apresentação podem ser anemia perniciosa, anemia ferropénica inespecífica...

Os sintomas mais habituais são:

  • Desconforto no epigastro (boca do estômago).
  • Sensação de peso pós-prandial.
  • Aerofagia.

Tem algum destes sintomas?

Pode ser que sofra de gastrite crónica

Quais são as causas da gastrite crónica?

Os fatores etiológicos são múltiplos, podendo agrupar-se em infecciosos, irritantes químicos, imunológicos e genéticos.

Quanto à etiologia infecciosa, vários microrganismos podem causar lesões inflamatórias do tipo gastrite crónica. O microrganismo mais frequentemente associado às gastrites crónicas antrais com úlcera duodenal é o H. pylori.

Está também presente nas gastrites do antro e do corpo (pangastrite) não associadas a úlcera gastroduodenal. A colonização gástrica começa no antro, devido à atividade ureásica, penetrando no epitélio, desencadeando assim uma cascata inflamatória.

Entre os irritantes químicos, a alcalinização do pH intragástrico pela presença de bílis pode provocar uma gastrite crónica. Esta situação é frequente em doentes com estômagos operados (gastrectomia).

Nas gastrites do corpo com atrofia gástrica que cursam com acloridria e anemia perniciosa, podem existir anticorpos anti-células parietais e/ou anti-fator intrínseco.

Admite-se também que a infeção por H. pylori, em doentes geneticamente predispostos, possa originar esta forma de gastrite crónica atrófica. Assim, doentes com gastrite crónica atrófica e anticorpos podem apresentar outras doenças autoimunes associadas (tiroidite, lúpus eritematoso sistémico...).

Quem pode sofrê-la?

Não existem estudos epidemiológicos extensos sobre gastrite crónica em Espanha que possam ser aplicados à totalidade da população, embora se saiba que a incidência aumenta com a idade.

Desde que se aceitou que o principal agente etiológico é o H. pylori, existem estudos sobre a infeção por este microrganismo. A maioria dos doentes infetados apresenta algum grau de gastrite crónica, pelo que se podem inferir dados da doença analisando estudos sobre a prevalência de H. pylori.

Nos países em desenvolvimento, com sistemas de saúde deficitários e baixo nível cultural e económico, a prevalência de gastrite crónica associada a H. pylori é de 60–80% nas crianças e de 100% nos adultos e idosos.

Nos países desenvolvidos, com melhores cuidados de saúde e nível cultural e com maiores rendimentos económicos, a prevalência nas crianças é de 5–10% e nos adultos de 20–30%, sendo de 60–70% nos maiores de 40 anos.

Como se diagnostica a gastrite crónica?

<p>Realización endoscopia digestiva</p>

O diagnóstico diferencial da gastrite crónica deve ser feito com úlcera duodenal, hérnia do hiato, litíase biliar, pancreatite crónica e síndrome do intestino irritável.

A gastroscopia permite observar a mucosa gástrica, sugerindo o diagnóstico de gastrite e excluindo outras possibilidades diagnósticas. O diagnóstico de certeza obtém-se com o estudo histológico da biópsia colhida por endoscopia. Informa-nos sobre a morfologia da gastrite e sobre a presença ou não de Helicobacter pylori.

Para detetar o Helicobacter pylori, pode realizar-se a determinação de anticorpos anti-Helicobacter pylori, teste do ar expirado com ureia marcada, teste rápido da urease e cultura microbiológica numa amostra de biópsia.

Nas gastrites crónicas com atrofia gástrica, é conveniente determinar a gastrina sérica.

Como se trata a gastrite crónica?

O tratamento depende da causa específica:

  • As gastrites crónicas assintomáticas não requerem tratamento. Nos doentes sintomáticos, o tratamento deve ser individualizado.
  • Se existir gastrite crónica antral associada a Helicobacter pylori e se decidir erradicá-lo, existem vários esquemas; o mais utilizado é a associação de inibidores da bomba de protões, amoxicilina e claritromicina durante 7 ou 10 dias.
  • Se existir anemia por níveis baixos de ferro, será indicado ferro para repor as reservas. Nas atrofias gástricas com níveis baixos de vitamina B12, esta vitamina será administrada de forma periódica.
  • Existem algumas recomendações dietéticas que melhoram os sintomas destes doentes, como evitar gorduras, molhos, alimentos picantes, especiarias..., bem como realizar cinco refeições diárias, mas em menor quantidade.

O Departamento de Gastrenterologia
da Clínica Universidad de Navarra

O Departamento de Gastrenterologia da Clínica Universidad de Navarra é composto por uma equipa multidisciplinar de especialistas, peritos no diagnóstico e tratamento das doenças do trato digestivo.

O nosso objetivo é que cada diagnóstico seja estabelecido de forma criteriosa e que o plano de tratamento seja ajustado a cada doente.

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

Porquê na Clínica?

  • Especialistas médicos que são referência a nível nacional.
  • Equipa de enfermagem especializada.
  • Unidade de Endoscopias e Unidade de Prevenção e Consulta de Alto Risco de Tumores Digestivos para oferecer o melhor cuidado aos nossos doentes.

A nossa equipa de profissionais