Síndrome do intestino irritável
"É muito importante consultar o médico se sofrer este tipo de desconforto digestivo de forma recorrente."
DR. RAMÓN ANGÓS MUSGO
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE DIGESTIVO

O intestino irritável, cuja designação mais exata é «Síndrome do Intestino Irritável» (SII), é um quadro crónico e recorrente, caracterizado pela presença de dor abdominal e/ou alterações do trânsito intestinal (diarreia ou obstipação).
Pode acompanhar-se ou não de uma sensação de distensão abdominal, sem que se demonstre qualquer alteração na morfologia ou no metabolismo intestinais, nem causas infecciosas que o justifiquem.
O problema repercute-se na qualidade de vida: os sintomas e as limitações impostas pela doença pioram a qualidade de vida em todas as esferas (limitações sociais, absentismo laboral, atividade física, perceção do seu estado de saúde).
O doente deve dispor de informação adequada e compreensível sobre as características da sua doença, especialmente sobre a cronicidade e o prognóstico benigno.

Quais são os sintomas do cólon irritável?
A dor abdominal costuma ser difusa ou localizada no hemiabdómen inferior, habitualmente sem irradiação, de tipo cólico, opressivo ou em pontada, em geral ligeira a moderada, com duração inferior a duas horas, aliviando após a defecação e, geralmente, não interferindo com o sono.
O início ou a presença de dor abdominal associa-se habitualmente à vontade de defecar ou a alterações da frequência ou consistência das dejeções e, frequentemente, o doente relaciona o seu início com a ingestão de algum alimento.
As alterações do ritmo intestinal podem manifestar-se com predomínio de obstipação ou de diarreia, ou de forma alternada diarreia-obstipação.
A distensão abdominal e o meteorismo desenvolvem-se progressivamente ao longo do dia e são referidos como “excesso de gases”. É frequente a saciedade precoce após a ingestão, bem como náuseas, vómitos e ardor retroesternal (pirose).
Outros sintomas incluem a sensação de evacuação incompleta e a presença de muco nas dejeções.
Os sintomas mais habituais são:
- Dor abdominal.
- Distensão abdominal.
- Alteração do ritmo intestinal.
- Meteorismo.
Apresenta algum destes sintomas?
É possível que padeça de cólon irritável
Quais são as causas do cólon irritável?
Até hoje, não se conhece um mecanismo único que explique por que motivo os doentes com cólon irritável sofrem estes sintomas de forma crónica e recidivante.
De uma perspetiva geral, o mais aceite e demonstrado é a existência de alterações da motilidade (movimento) e/ou da sensibilidade digestiva, influenciadas por fatores psicológicos.
Além disso, foram propostas outras alterações que também podem influenciar esta doença: gastroenterite, intolerâncias alimentares, alterações hormonais e fatores genéticos.
Quem pode padecer desta condição?
O cólon irritável mostra uma clara predileção pelas mulheres (14–24% versus 5–19% nos homens).
Costuma surgir antes dos 35 anos, diminuindo a sua incidência a partir dos 60 anos.
É mais frequente em doentes com outras patologias digestivas funcionais (sobretudo dispepsia não ulcerosa — desconforto inespecífico do estômago), em mulheres com alterações ginecológicas (dismenorreia) e em doentes com doenças psiquiátricas (bulimia, depressão, esquizofrenia).
Como se diagnostica o cólon irritável?
O diagnóstico do cólon irritável baseia-se numa história clínica minuciosa, juntamente com um exame físico completo, que orientarão para a possibilidade de se tratar de um síndrome do intestino irritável (SII).
Para completar o diagnóstico de suspeita, realizam-se diversos exames complementares que excluam a existência de patologia orgânica.
Entre estes exames incluem-se análises gerais e específicas de sangue, urina e fezes, estudos radiológicos do abdómen com e sem contraste, ecografia abdominal e sigmoidoscopia/colonoscopia.
Dependendo dos sintomas e da idade do doente, determinam-se, em cada caso, os exames mais adequados para chegar ao diagnóstico de SII.
Como se trata o cólon irritável?
Depois de o doente compreender a sua doença e esclarecer todas as suas dúvidas, podem iniciar-se diferentes tratamentos, dependendo da natureza e da intensidade dos sintomas.
As opções atualmente disponíveis incluem, em primeiro lugar, medidas higieno-dietéticas, podendo ser feita uma avaliação específica pela Unidade de Nutrição e Dietética para desenhar a dieta mais adequada em cada caso.
Quando a intensidade dos sintomas o aconselhar, será indicado tratamento farmacológico dirigido a controlar o sintoma predominante e por um período limitado de tempo.
Podem ser utilizados inibidores de espasmos (espasmolíticos), estimulantes da motilidade (procinéticos), antidiarreicos, laxantes, antidepressivos e ansiolíticos.
Por fim, consideram-se outras opções terapêuticas, como psicoterapia, acupunctura e hipnoterapia.
- Evitar temporariamente os alimentos e bebidas que desencadeiem ou agravem os sintomas (tabaco, café, especiarias, álcool, água tónica, sopas instantâneas, cacau, lacticínios, queijos, iogurte, pastelaria, bolos, gelados, manteiga,...).
- Utilizar suplementos de farelo de trigo: 4 a 8 colheres de sopa por dia, misturadas com líquidos ou alimentos.
- Evitar refeições copiosas; são preferíveis refeições mais frequentes e menos abundantes.
- Evitar bebidas gaseificadas e alimentos flatulentos como: couve, grão-de-bico, lentilhas, cebolas, alhos-franceses, ervilhas, frutos secos e conservas.
- Evitar, tanto quanto possível, situações que o deixem nervoso ou causem stress.
- Se predominar a obstipação, deve aconselhar-se o aumento da ingestão de fibra (fruta, legumes, cereais, saladas, ...).
- Se predominar a diarreia, deve evitar-se lacticínios, café, chá e chocolate.
- Praticar exercício físico adequado à idade e evitar o sedentarismo.
O Departamento de Gastrenterologia
da Clínica Universidad de Navarra
O Departamento de Gastrenterologia da Clínica Universidad de Navarra é composto por uma equipa multidisciplinar de especialistas, peritos no diagnóstico e tratamento das doenças do trato digestivo.
O nosso objetivo é que cada diagnóstico seja estabelecido de forma criteriosa e que o plano de tratamento seja ajustado a cada doente.
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