Estenose aórtica

"Graças à ecocardiografia, é possível visualizar uma válvula aórtica espessada e calcificada que se abre pouco, bem como o funcionamento do ventrículo esquerdo. Com o recurso ao Doppler, podem ser medidos os fluxos através da válvula para avaliar o grau de estenose."

DR. RAFAEL JOSÉ RUIZ SALMERÓN
RESPONSÁVEL. UNIDADE DE HEMODINÂMICA E CARDIOLOGIA DE INTERVENÇÃO

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em cardiologia. Clínica Universidade de Navarra

A estenose aórtica é uma doença que afeta a válvula aórtica, estreitando a passagem do sangue. Ocorre quando a válvula aórtica não se abre adequadamente, impedindo que uma parte do sangue do ventrículo esquerdo passe para o resto do corpo.

Com o aumento progressivo da estenose (diminuição da área valvular), uma menor quantidade de sangue passa do ventrículo para o resto do corpo. Quanto mais grave é a estenose, maior é o esforço do ventrículo esquerdo para poder vencer o obstáculo imposto. Isto acaba por causar uma hipertrofia (espessamento) da parede ventricular, tornando-a por sua vez mais rígida.

Pode produzir-se por uma alteração progressiva que origina calcificação de uma válvula bicúspide presente desde o nascimento, pela doença degenerativa do doente idoso que gera depósitos de cálcio nos folhetos valvulares ou por uma infeção bacteriana das vias aéreas superiores durante a infância ou adolescência que posteriormente afeta o coração.

Quais são os sintomas da estenose aórtica?

Os sintomas podem surgir ou agravar-se com o exercício ou qualquer atividade que aumente a frequência cardíaca.

Podem ser desencadeados pela gravidez ou por outra situação de stress para o organismo, como uma infeção nos pulmões ou no coração, ou por outras perturbações cardíacas. Os principais sintomas são:

  • Desconforto no peito (angina de peito).
  • Dificuldade respiratória durante ou após o exercício (dispneia).
  • Desmaios (síncope).

Quando qualquer um destes sintomas está presente, deve consultar um médico, uma vez que a progressão da doença é mais rápida.

Nos adultos, os sintomas desenvolvem-se geralmente entre os 20 e os 50 anos de idade. Nas crianças e adolescentes, os sintomas podem estar presentes muito cedo durante o crescimento.

Os sintomas mais habituais são:

  • Dor torácica.
  • Dificuldade respiratória.
  • Desmaios.
  • Palpitações.

Tem algum destes sintomas?

É possível que sofra de estenose aórtica

Quais são as causas da estenose aórtica?

A causa mais frequente é a degenerescência por depósitos de cálcio nos folhetos valvulares.

Na população com menos de 65 anos, a causa subjacente é uma válvula bicúspide, que predispõe a uma deterioração mais acelerada do que a de uma válvula normal.

Na população com mais de 65 anos, os folhetos valvulares apresentam um aumento dos depósitos de cálcio, perdendo parte da sua mobilidade natural; isto, por sua vez, gera um fluxo turbulento através da válvula, que aumenta os depósitos de cálcio nos folhetos, os quais se espessam, perpetuando o ciclo. 

Outra causa de estenose aórtica é a febre reumática. Esta afeção das vias aéreas superiores, hoje em dia, praticamente desapareceu em Espanha, graças ao tratamento e à vacina contra infeções causadas por estreptococo beta-hemolítico do grupo B. No entanto, continua a ser frequente em países de África e do Sudeste Asiático, onde é endémica, e as afeções cardíacas são observadas em crianças e adolescentes.

Qual é o prognóstico da estenose aórtica?

Em geral, o prognóstico das doenças valvulares é favorável com tratamento, pelo que é muito importante a escolha do momento do tratamento cirúrgico e intervencionista, que altera de forma radical a evolução natural da doença.

A decisão de intervir é tomada antes de surgirem sequelas irreversíveis no próprio coração, como a dilatação exagerada das câmaras cardíacas, sobretudo do ventrículo esquerdo, que pode conduzir ao aparecimento de insuficiência cardíaca crónica apesar do tratamento cirúrgico.

Como se diagnostica a estenose aórtica?

Para o diagnóstico da estenose aórtica, o médico auscultará o coração e os pulmões com um estetoscópio. Pode ouvir-se um sopro característico, que pode irradiar para as carótidas (artérias do pescoço), que estão em continuidade com a aorta. O pulso carotídeo pode estar diminuído em amplitude.

O exame também pode revelar um batimento cardíaco irregular ou congestão pulmonar.

A pressão arterial é, geralmente, normal.

Os exames complementares para o diagnóstico incluem eletrocardiograma, radiografia do tórax, ecocardiografia e cateterismo cardíaco.

Na radiografia do tórax pode observar-se um aumento do tamanho da aorta. Em alguns casos, podem ver-se calcificações aórticas. Se existir insuficiência cardíaca, pode observar-se acumulação de líquido no tecido pulmonar.

Como se trata a estenose aórtica?

O tratamento depende dos sintomas e do estado do coração e dos pulmões.

Pessoas com sintomas ligeiros ou sem sintomas podem não necessitar de tratamento, e pode ser necessário internamento para estabelecer o diagnóstico ou para tratar sintomas graves.

Os medicamentos utilizados incluem, entre outros, diuréticos, nitratos ou betabloqueadores. A digoxina pode ser utilizada para tratar a fibrilhação auricular. Os anticoagulantes são utilizados para evitar a formação de coágulos que possam viajar para outras partes do corpo.

O tratamento definitivo da estenose aórtica é a substituição valvular através de cirurgia cardíaca.

A cirurgia valvular é uma cirurgia de coração aberto, isto é, é necessário abrir as cavidades ou vasos do coração para aceder às válvulas.

É realizada sob anestesia geral, através de uma incisão no esterno.

Durante a operação, utiliza-se uma máquina de circulação extracorporal, que desempenha as funções do coração e do pulmão, oxigenando o sangue, permitindo ao cirurgião parar o coração e trabalhar no seu interior.

É uma cirurgia longa, com duração entre 3 e 4 horas (ou mais), consoante o número de válvulas a reparar ou substituir.

O Departamento de Cardiologia
da Clínica Universidad de Navarra

O Departamento de Cardiologia da Clínica Universidad de Navarra é um centro de referência em diversas técnicas de diagnóstico e tratamentos coronários.

Fomos o primeiro centro da Europa a implantar um marcapasso por cateterismo, sem necessidade de abertura do tórax, em casos de insuficiência cardíaca grave.

O Departamento de Cardiologia da Clínica colabora com os Departamentos de Radiologia e de Cirurgia Cardíaca para obter um diagnóstico rápido e preciso do doente.

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

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