Doenças valvulares
"O tratamento médico consiste fundamentalmente na prevenção da endocardite bacteriana e no tratamento da insuficiência cardíaca."
DR. RAFAEL JOSÉ RUIZ SALMERÓN
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE CARDIOLOGÍA

As doenças valvulares são alterações na estrutura valvular. Têm origens diferentes e provocam um funcionamento anormal do coração como bomba.
Nas pessoas jovens, a válvula mais frequentemente afetada é a mitral, enquanto nas pessoas mais idosas é a aórtica.
A manifestação fundamental é a insuficiência cardíaca, dificuldade respiratória, cansaço e inchaço das pernas.
Nas fases iniciais, o tratamento pode ser médico para tentar melhorar e prevenir a insuficiência cardíaca.
Nas fases mais avançadas e de acordo com o grau de repercussão da doença, pode estar indicado o tratamento intervencionista através da dilatação valvular ou da intervenção cirúrgica.

Quais são os sintomas de uma doença valvular?
A principal manifestação das doenças valvulares é a insuficiência cardíaca, com aparecimento de dificuldade respiratória, cansaço e inchaço das pernas, sobretudo na zona dos tornozelos.
A dificuldade respiratória também pode surgir, de forma mais ou menos súbita, ao deitar-se, melhorando ao sentar-se, obrigando o doente a permanecer sentado.
Noutros casos, podem surgir palpitações, perda de consciência ou síncope, bem como dor ou sensação de aperto no peito.
Tem algum destes sintomas?
É possível que apresente uma doença valvular do coração
Quais são as causas das doenças valvulares?
- Atualmente, a causa mais frequente das doenças valvulares é a degenerativa, relacionada com a idade e com diferentes tipos de alteração degenerativa do tecido valvular.
- Até há alguns anos, a causa mais frequente era a febre reumática. Trata-se de uma doença de caráter imunológico relacionada com uma infeção por estreptococo.
- Origem infeciosa, como consequência de uma endocardite infeciosa.
- Por vezes, quando existe falta de irrigação do músculo cardíaco (doença coronária), pode alterar-se o funcionamento valvular, sobretudo da válvula mitral.
- Existe a possibilidade de malformação valvular congénita (desde o nascimento), sobretudo da válvula aórtica.
Qual é o prognóstico da doença valvular?
Em geral, o prognóstico das doenças valvulares é favorável com tratamento, pelo que é muito importante a escolha do momento do tratamento cirúrgico e intervencionista, que altera de forma radical a evolução natural da doença.
A decisão de intervir é tomada antes de surgirem sequelas irreversíveis no próprio coração, como a dilatação exagerada das câmaras cardíacas, sobretudo do ventrículo esquerdo, que pode conduzir ao aparecimento de insuficiência cardíaca crónica apesar do tratamento cirúrgico.
Como se diagnostica a doença valvular?
Geralmente, o médico deteta a presença de um sopro ao auscultar o doente. Este sopro é o ruído produzido pela turbulência e vibração do sangue, que surgem como consequência da lesão valvular.
O sopro costuma ser diferente consoante o tipo de lesão (estenose ou regurgitação) e a válvula afetada (mitral, aórtica, tricúspide ou pulmonar).
O eletrocardiograma e a radiografia do tórax permitem observar as consequências da doença valvular.
No entanto, o exame fundamental para o diagnóstico é a ecocardiografia com estudo Doppler. Esta técnica permite avaliar com grande precisão o tipo e o grau da lesão valvular, sendo indispensável para o seu estudo.
Se houver suspeita de doença das artérias coronárias, poderá ser necessária a realização de uma TAC multicorte ou de coronariografia.
Como se tratam as doenças valvulares?
Nas fases iniciais das doenças valvulares, o objetivo é melhorar e prevenir a insuficiência cardíaca.
Por vezes, podem ser necessários antiarrítmicos e/ou anticoagulantes.
Em fases mais avançadas e, consoante o grau de repercussão da doença, é necessário realizar tratamento cirúrgico.
Trata-se de um tratamento intervencionista, através de dilatação valvular ou de uma intervenção cirúrgica.
O Departamento de Cirurgia Cardíaca da Clínica tem uma experiência de mais de 6.000 intervenções valvulares.
A cirurgia destas lesões pode consistir em:
- Reparação da lesão valvular, o que nem sempre é possível.
- Substituição por uma válvula protésica artificial, o que acontece na maioria das situações.
Estas válvulas artificiais podem ser:
- Biológicas: derivadas de tecidos animais, como o porco ou o pericárdio bovino. A sua principal vantagem é a grande biocompatibilidade e, em alguns casos, não necessitarem de anticoagulantes orais. O seu inconveniente é que, por serem tecidos animais, se deterioram com o tempo (entre 15 e 20 anos). Utilizam-se mais em pessoas com idade superior a 65 anos.
- Mecânicas: fabricadas com materiais muito resistentes, como carbono pirolítico e titânio. São muito mais duradouras do que as biológicas (em bancos de ensaio, até 400 anos), mas não são tão biocompatíveis, pelo que é necessário tomar anticoagulantes para toda a vida para evitar a formação de trombos.
- Homoinjertos: são biológicos e provêm de dadores humanos. A disponibilidade deste tipo de enxertos é muito mais limitada e, por esse motivo, utilizam-se em situações especiais.
Atualmente, a maioria das intervenções da válvula mitral na Clínica é realizada através de uma técnica menos invasiva (por incisões mais pequenas), denominada Port Access®.
Graças a esta técnica, obtém-se uma recuperação pós-operatória mais rápida, um melhor resultado estético e uma redução do tempo de internamento. Assim, o doente permanece internado entre 5 e 7 dias, dependendo de cada caso e da sua situação prévia à intervenção.
O Departamento de Cardiologia
da Clínica Universidad de Navarra
O Departamento de Cardiologia da Clínica Universidad de Navarra é um centro de referência em diversas técnicas de diagnóstico e tratamentos coronários.
Fomos o primeiro centro da Europa a implantar um marcapasso por cateterismo, sem necessidade de abertura do tórax, em casos de insuficiência cardíaca grave.
O Departamento de Cardiologia da Clínica colabora com os Departamentos de Radiologia e de Cirurgia Cardíaca para obter um diagnóstico rápido e preciso do doente.

Porquê na Clínica?
- Unidade de Arritmias especializada, de referência a nível nacional.
- Unidade de Hemodinâmica e Cardiologia de Intervenção equipada com a melhor tecnologia.
- Unidade de Imagem Cardíaca para alcançar a máxima precisão diagnóstica.