Pancreatite crónica

"A pancreatite crónica não representa uma situação urgente, embora seja importante. O tratamento visa melhorar a qualidade de vida dos doentes."

DRA. Mª TERESA BETÉS IBAÑEZ
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE DIGESTIVO

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento digestivo. Clínica Universidad de Navarra

A pancreatite crónica é um processo de longa evolução que consiste numa alteração da estrutura da glândula, devida basicamente a fibrose (cicatrização inadequada), que é progressivo no tempo e que acaba por desestruturar toda a glândula, chegando, no final, a alterar todas as funções deste órgão.

O pâncreas é uma glândula situada no abdómen, mesmo por baixo do diafragma, à frente da coluna vertebral e por detrás do estômago.

Quais são os sintomas da pancreatite crónica?

O principal sintoma da pancreatite crónica é a dor crónica, presente em mais de 80% dos doentes. Frequentemente trata-se de uma dor contínua, de intensidade moderada, na parte superior do abdómen, com irradiação para as costas, que piora após as refeições ou após consumo de álcool e que melhora ao fletir o tronco para a frente ou ao deitar-se de barriga para baixo. A dor costuma ser contínua ou sob a forma de episódios de agudização, podendo, nalguns casos, não desaparecer completamente entre um episódio e outro.

À medida que a pancreatite evolui e a glândula pancreática se vai deteriorando, a dor tende a desaparecer, o que pode ocorrer entre 5 e 20 anos após o início do quadro.

Sintomas mais frequentes:

  • Dor abdominal.
  • Náuseas e vómitos.
  • Distensão abdominal.

Outros sintomas que a doença pode apresentar relacionam-se com o deterioro progressivo da função pancreática e surgem habitualmente quando a doença está avançada. Entre eles podem ocorrer diarreia e perda de peso, relacionadas com uma digestão inadequada dos alimentos e a incapacidade do organismo para os assimilar, conduzindo a uma desnutrição progressiva. Pode também surgir diabetes por produção inadequada de insulina.

Tem algum destes sintomas?

Pode ser que sofra de pancreatite crónica

Quais são as causas de pancreatite crónica?

A causa mais frequente de pancreatite crónica é o abuso crónico de bebidas alcoólicas. O álcool pode desencadear pancreatite em alguns doentes mesmo com doses ligeiras ou moderadas, dependendo da predisposição genética, dos hábitos nutricionais e de outros fatores.

Outras causas menos claras incluem alguns fatores nutricionais e genéticos predisponentes. Entre as causas dietéticas, destacam-se dietas muito pobres em proteínas e muito pobres ou excessivas em gordura.

Qual é o seu prognóstico?

O prognóstico da pancreatite crónica é incerto. Trata-se de uma doença lenta, mas progressiva que, no entanto, no nosso meio raramente constitui uma causa direta de morte.

Os doentes que a padecem têm uma esperança de vida inferior à da população geral e, frequentemente, morrem devido aos efeitos do álcool, a cancro do pâncreas ou a cancro associado a cirrose hepática, bem como por complicações próprias da pancreatite ou após eventuais cirurgias.

Quando a causa é o álcool, a sua suspensão, embora não faça desaparecer a pancreatite, melhora de forma significativa os sintomas e o prognóstico.

Como se diagnostica a pancreatite crónica?

Na pancreatite crónica, o primeiro dado a ter em conta para a suspeitar é uma história clínica sugestiva (ingestão crónica de álcool, dor abdominal crónica ou episódica, perda de peso, diarreia, diabetes...).

Para um diagnóstico definitivo, deve existir pelo menos um dos dois dados seguintes:

  • Alteração morfológica do pâncreas, demonstrada por estudo endoscópico da via pancreática, TAC ou ecoendoscopia.
  • Deterioração da função pancreática, demonstrada por provas especiais de função pancreática.

Como se trata a pancreatite crónica?

A pancreatite crónica não representa uma situação urgente, embora seja importante. O tratamento visa melhorar a qualidade de vida dos doentes e tentar minorar as complicações que possam surgir.

O primeiro objetivo do tratamento é aliviar ou suprimir a dor através de medidas que vão de menor a maior intensidade. Em alguns casos, a dor melhora ou desaparece se se evitar o álcool e se se fizer uma dieta ligeira, com refeições frequentes e pouco volumosas.

Noutros casos, são necessários analgésicos ligeiros, ou mais fortes, ou associados a tranquilizantes ou a opióides. Em casos refratários pode ser necessário bloquear os nervos que conduzem a dor até ao cérebro, através de técnicas radiológicas ou endoscópicas, e até recorrer a cirurgia.

Deve também tentar-se substituir a função que o pâncreas vai perdendo, através da administração oral de enzimas que ele já não produz. Se surgir diabetes, deve ser tratada adequadamente.

O Departamento de Gastrenterologia
da Clínica Universidad de Navarra

O Departamento de Gastrenterologia da Clínica Universidad de Navarra é composto por uma equipa multidisciplinar de especialistas, peritos no diagnóstico e tratamento das doenças do trato digestivo.

O nosso objetivo é que cada diagnóstico seja estabelecido de forma criteriosa e que o plano de tratamento seja ajustado a cada doente.

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

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