Hepatopatia alcoólica

«A doença cura-se com a cessação do consumo de álcool, embora em alguns casos seja necessário um transplante hepático.»

DRA. MERCEDES IÑARRAIRAEGUI BASTARRICA
ESPECIALISTA. UNIDADE DE HEPATOLOGIA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em Medicina Interna. Clínica Universidad de Navarra

A hepatopatia alcoólica ou etílica é a doença hepática produzida pelo consumo excessivo de álcool.

Não se trata de um único quadro clínico, mas podem apresentar-se várias modalidades, dependendo da quantidade de álcool consumida, do tempo durante o qual é consumido e da suscetibilidade individual.

Existem três grandes quadros de doença hepática produzida pelo álcool que, de menor a maior gravidade, são: a esteatose hepática alcoólica, a hepatite alcoólica e a cirrose etílica.

A causa é o consumo excessivo de álcool. Em geral, considera-se que um consumo superior a 80 gramas de álcool por dia nos homens e a 50 gramas nas mulheres é nocivo para o fígado e pode ser suficiente para que, com o passar do tempo, surjam todas as doenças referidas no ponto anterior.

Um fator a ter em conta é o tempo de consumo. Como orientação, considera-se que é necessário consumir uma quantidade excessiva de álcool durante, pelo menos, 5 anos para que se produza lesão hepática grave. Nem todas as pessoas que consomem álcool em quantidade excessiva desenvolvem doença hepática grave. Existe um componente de suscetibilidade individual, ainda não identificável, que faz com que, com a mesma ingestão de álcool, algumas pessoas desenvolvam cirrose e outras apenas esteatose.

Quais são os sintomas da hepatite alcoólica?

A esteatose é sempre assintomática. 

A hepatite alcoólica grave apresenta-se geralmente com sintomas de doença geral, tais como cansaço, falta de apetite, mal-estar digestivo, dor no lado direito do abdómen e, por vezes, febre. Além disso, podem observar-se sinais mais típicos de doença hepática, como coloração amarelada da pele (icterícia), urina escura, acumulação de líquido no abdómen (ascite) e alterações da coagulação, entre outros.

A cirrose pode ser assintomática nas fases iniciais. Posteriormente, provoca sintomas gerais ou manifesta-se através das suas complicações: coloração amarelada da pele (icterícia), hemorragia digestiva, acumulação de líquido no abdómen (ascite), alterações do comportamento e do nível de consciência e, sobretudo, desnutrição. Além disso, os doentes podem apresentar sintomas decorrentes da toxicidade do álcool noutros órgãos.

Quais são os sintomas mais habituais?

  • Cansaço.
  • Icterícia.
  • Ascite.

Tem algum destes sintomas?

É possível que apresente uma hepatopatia alcoólica

Esteatose hepática alcoólica

A esteatose hepática alcoólica ocorre devido à ingestão excessiva de álcool durante um período que pode variar entre semanas e, por vezes, anos. Consiste numa acumulação de gordura no fígado, em consequência das alterações metabólicas provocadas pelo álcool.

O doente não apresenta sintomas, frequentemente evolui sem alterações analíticas e não afeta a função hepática. É reversível com a cessação do consumo de álcool.

Alguns doentes, embora continuem a consumir álcool, não desenvolvem formas mais graves da doença, enquanto outros evoluem para os outros dois quadros.

Hepatite alcoólica

A hepatite alcoólica é um quadro de evolução subaguda. Considera-se necessário um consumo excessivo de álcool durante, pelo menos, 5 anos para se desenvolver este quadro. É muito mais grave do que a esteatose.

O doente costuma ter sintomas, existem alterações analíticas hepáticas e a função hepática é afetada.

A gravidade é variável. Se cessar o consumo de álcool, a doença pode curar, mas há doentes que morrem e outros que evoluem para o terceiro tipo de quadro.

Cirrose alcoólica

A cirrose alcoólica consiste na alteração da estrutura do fígado pelos processos de cicatrização (fibrose) produzidos no fígado como efeito do consumo de álcool, em geral durante muitos anos. É irreversível.

Embora alguns doentes estejam assintomáticos nas fases iniciais da doença, muitos apresentam sintomas. Ocorrem alterações analíticas e há deterioração da função hepática. Muitos doentes acabam por falecer em consequência da doença.

Como se diagnostica a hepatopatia alcoólica?

O médico faz o diagnóstico da hepatopatia alcoólica com base na história de consumo de álcool, no exame físico, em análises hepáticas, ecografia abdominal e, em muitos casos, é necessária a realização de uma biópsia hepática para obter o diagnóstico definitivo.

Muitos doentes com lesão hepática por álcool, incluindo a esteatose, apresentam níveis sanguíneos elevados de uma substância de origem hepática, a gama-glutamil-transpeptidase (GammaGT ou GGT), que é o marcador bioquímico mais precoce de consumo excessivo de álcool.

Como se trata a hepatopatia alcoólica?

O único tratamento eficaz é o abandono do consumo de álcool. Se houver dependência alcoólica, a suspensão do consumo requer ajuda psiquiátrica.

A cessação do consumo de álcool permite a cura da esteatose e, em muitos casos, da hepatite alcoólica; quando existe cirrose, conduz a uma melhoria da função hepática, embora a cirrose seja irreversível.

Dependendo do grau de deterioração da função hepática, estes doentes poderão depois levar uma vida normal ou, pelo contrário, necessitar de um transplante hepático para evitar a morte por complicações da cirrose.

A Unidade de Hepatologia
da Clínica Universidad de Navarra

Somos pioneiros na aplicação da terapia génica no tratamento de tumores hepáticos e de doenças metabólicas hereditárias, e temos uma vasta experiência no diagnóstico e tratamento das hepatites virais e no tratamento do cancro hepático através de sistemas de radioembolização com microesferas de Ítrio-90. 

A Clínica está na vanguarda em Espanha na realização do transplante de fígado entre vivos.

Tratamentos que realizamos

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

Porquê na Clínica?

  • Equipa de profissionais altamente especializada, com mais de 25 anos de experiência.
  • Equipa de enfermagem especializada em doentes hepáticos.
  • Importante atividade de investigação sobre os mecanismos moleculares que causam algumas destas doenças.