Hepatites virais
«As hepatites virais podem ser prevenidas através dos cuidados com os meios de transmissão.»
DR. JOSÉ IGNACIO HERRERO SANTOS
ESPECIALISTA. UNIDADE DE HEPATOLOGIA

As hepatites são um grupo de doenças caracterizadas por provocar inflamação do fígado.
Quando esta inflamação surge recentemente falamos de hepatite aguda e os processos que duram mais de seis meses são designados hepatites crónicas.
As hepatites virais são doenças transmissíveis e, portanto, potencialmente passíveis de prevenção.
A transmissão dos vírus A e E ocorre através de água e alimentos contaminados, pelo que uma boa higiene alimentar e um tratamento adequado da água e dos alimentos podem ajudar a prevenir o contágio. Além disso, para o vírus da hepatite A existe uma vacina muito eficaz que já está a começar a ser incluída nos calendários de vacinação.
Os vírus B, C e delta transmitem-se pelo sangue e pelas relações sexuais, embora o vírus C seja muito pouco eficaz na sua transmissão por via sexual. Os bancos de sangue analisam todas as amostras para excluir a infeção por estes vírus, pelo que o contágio se reduziu enormemente nos últimos anos.
Existe uma vacina muito eficaz e segura que previne a infeção pelo vírus B e, consequentemente, a sobre-infeção pelo vírus delta, que só ocorre em portadores do vírus B. Esta vacina já está incluída no calendário vacinal. Infelizmente, ainda não existe uma vacina que previna a infeção pelo vírus C.
As hepatites autoimunes, de causa desconhecida, não podem ser prevenidas.

Quais são os sintomas da hepatite viral?
A hepatite aguda pode não produzir quaisquer sintomas e passar despercebida ao doente. Noutras ocasiões, podem existir sintomas inespecíficos, como mal-estar geral, cansaço e náuseas. Além disso, em alguns casos desenvolve-se icterícia, isto é, coloração amarelada da pele e das mucosas, acompanhada de urina escura (colúria) e dejeções brancas ou amareladas (acolia).
As hepatites crónicas também se caracterizam por produzirem muito poucos sintomas e, em muitas ocasiões, são diagnosticadas de forma casual ao realizar análises por outros motivos.
Quando existem sintomas, os mais frequentes são cansaço, desconforto ligeiro e inespecífico no lado direito do abdómen ou perturbações ligeiras da digestão.
Quais são os sintomas mais habituais?
- Mal-estar geral.
- Cansaço.
- Náuseas.
- Coloração amarelada da pele e das mucosas (icterícia).
Tem algum destes sintomas?
É possível que apresente uma hepatite
Quais são as causas de hepatite viral?
Diversas causas podem produzir hepatite, quer como manifestação única, quer no contexto de uma doença que pode afetar outros órgãos e sistemas.
Para efeitos práticos, podemos dividir as possíveis causas de hepatite em três grandes grupos: agentes vivos, fármacos ou tóxicos e um último grupo de doenças de causa desconhecida, no qual ainda teríamos de incluir o ainda numeroso grupo de doentes em que a medicina não consegue identificar uma causa para a sua hepatite.
No primeiro grupo de agentes vivos, encontramos os vírus das hepatites, que são, de longe, a causa mais frequente de hepatite no nosso meio.
Embora o “abecedário” das hepatites tenha vindo a aumentar nos últimos anos, os vírus mais comuns são o A e o E — causadores de hepatites agudas epidémicas, transmitidas pela água ou por alimentos contaminados — e os vírus B, C e delta — causadores tanto de hepatites agudas como crónicas —, que se transmitem sobretudo por via parentérica, isto é, através de transfusões, agulhas contaminadas ou por relações sexuais.
O segundo grupo, o dos fármacos e tóxicos, é encabeçado pelo álcool. A ingestão de bebidas alcoólicas constitui uma das principais causas de hepatite no mundo ocidental. Alguns fármacos também podem produzir hepatite, sobretudo aguda, mas são uma causa pouco frequente de hepatite crónica.
Por último, o capítulo das doenças de causa desconhecida inclui a hepatite autoimune, em que o próprio sistema imunitário do doente lesa o fígado, e a hepatite criptogénica (sem causa conhecida), propriamente dita.
Qual é o prognóstico das hepatites virais?
As hepatites agudas epidémicas, causadas pelos vírus A e E, nunca se tornam crónicas e curam-se espontaneamente na maioria dos casos, embora menos de 1% possa ter uma evolução fulminante que exija tratamento urgente e até transplante hepático.
A hepatite B aguda cura-se em 90% dos casos, mas os restantes 10% evoluem para hepatite crónica.
A hepatite aguda pelo vírus C torna-se crónica em até 80–90% dos casos.
A hepatite autoimune é sempre crónica. Todas as hepatites crónicas podem evoluir para cirrose hepática, com as complicações que dela podem advir.
Como se diagnosticam as hepatites virais?
O dado que inicialmente conduz ao diagnóstico é o aumento dos níveis sanguíneos das transaminases, enzimas libertadas para o sangue pela morte celular causada pela inflamação do fígado.
Esta elevação pode ser muito importante nas hepatites agudas e é ligeira ou moderada nas hepatites crónicas.
A partir daí, o diagnóstico completa-se com outras determinações analíticas que, além disso, ajudarão a identificar a causa da hepatite e a determinar a sua gravidade e prognóstico.
Para o diagnóstico definitivo, é necessário, em muitos casos, realizar uma biópsia hepática.
Como se tratam as hepatites virais?
Tratamento das hepatites agudas:
- A hepatite aguda pelo vírus B também não se trata, acompanhando-se a sua evolução para evitar complicações e avaliar a possível cronificação.
- A hepatite aguda C, dada a sua elevada taxa de cronificação, trata-se com medicamentos para evitar a cronificação.
As hepatites crónicas, devido ao potencial desenvolvimento de cirrose, são habitualmente tratadas sempre sob supervisão do especialista.
Por fim, as hepatites autoimunes tratam-se com corticosteroides e, em muitas ocasiões, com outros fármacos imunossupressores associados, como azatioprina, ciclosporina, tacrolímus ou micofenolato.
A Unidade de Hepatologia
da Clínica Universidad de Navarra
Somos pioneiros na aplicação da terapia génica no tratamento de tumores hepáticos e de doenças metabólicas hereditárias, e temos uma vasta experiência no diagnóstico e tratamento das hepatites virais e no tratamento do cancro hepático através de sistemas de radioembolização com microesferas de Ítrio-90.
A Clínica está na vanguarda em Espanha na realização do transplante de fígado entre vivos.
Doenças que tratamos
Tratamentos que realizamos
- Embolização arterial hepática
- Embolização esplénica parcial
- Estudo genético em hepatologia
- Radiofrequência hepática
- Radioembolização hepática
- Resseção hepática
- Transplante hepático

Porquê na Clínica?
- Equipa de profissionais altamente especializada, com mais de 25 anos de experiência.
- Equipa de enfermagem especializada em doentes hepáticos.
- Importante atividade de investigação sobre os mecanismos moleculares que causam algumas destas doenças.