Diálise

"Estão a ser desenvolvidas novas técnicas de diálise que funcionam como tratamento de suporte para determinadas doenças, enquanto se aguarda a eficácia do tratamento definitivo."

DRA. NURIA GARCÍA FERNÁNDEZ
RESPONSÁVEL. UNIDADE DE HEMODIÁLISE

Imagem do selo de reconhecimento Merco Salud 2025. Clínica Universidade de Navarra

Para que serve a diálise?

A função principal da diálise é “limpar” o sangue das toxinas geradas, do excesso de água e de electrólitos, como o sódio e o potássio, que ocorre devido a um defeito na sua eliminação pelo rim.

Na Clínica Universidad de Navarra contamos com uma Unidade de Diálise composta por uma equipa de profissionais multidisciplinar especializada neste tratamento: nefrologistas, enfermeiros, nutricionistas, etc.

À sua chegada para cada sessão, uma enfermeira e uma auxiliar de enfermagem irão recebê-lo e serão as responsáveis pelo seu atendimento. Além disso, o médico nefrologista da Unidade estará à sua disposição para o que necessitar.

Nos últimos anos, foram desenvolvidos avanços importantes nas técnicas de diálise que permitem que esta seja uma ajuda no tratamento de determinadas doenças como a insuficiência cardíaca, insuficiência hepática, mieloma múltiplo, etc.

Durante a hemodiálise, o doente estará sentado numa poltrona reclinável. Durante esse tempo, além de poder dormir, ouvir rádio, ler ou conversar, pode ligar-se à internet via wi-fi ou ver televisão. Terá também à sua disposição pequeno-almoço, almoço ou lanche, consoante a hora.

Imagen del icono de la consulta de Segunda Opinión. Clínica Universidad de Navarra

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Quando está indicada a diálise?

A indicação fundamental da diálise é o tratamento da insuficiência renal crónica, que deve ser sempre integral, isto é, com opções de mudança de uma técnica para outra e a possibilidade de transplante renal, caso não exista contraindicação.

As doenças que conduzem à insuficiência renal são múltiplas, mas as principais são: glomerulonefrite, pielonefrite, nefrite intersticial, nefropatias vasculares e nefropatia diabética. A diálise está também indicada na insuficiência renal aguda e em algumas intoxicações.

Tem alguma destas doenças?

Pode ser necessário iniciar diálise

Indicações especiais

Nos últimos anos, desenvolveram-se avanços importantes nas técnicas de diálise, que permitem que seja um auxílio no tratamento de outras doenças.

90% dos internamentos hospitalares em doentes com insuficiência cardíaca devem-se a sobrecarga hídrica, que desestabiliza ainda mais o coração, comprometendo por vezes outros órgãos, como o pulmão e o rim, e aumentando o risco de mortalidade.

O tratamento farmacológico indicado nestes casos pode não ser suficiente, sobretudo quando não há boa resposta aos diuréticos.

Nestas situações, dispomos da chamada ultrafiltração, um tratamento que, através de um acesso venoso, permite extrair o sangue e, num filtro externo, remover volume de água do mesmo.

Esta técnica oferece várias vantagens face ao tratamento farmacológico: volume e velocidade de remoção de líquidos controlados e ajustáveis, sem efeito negativo relevante sobre os níveis de eletrólitos no sangue; demonstrou melhorar a própria insuficiência cardíaca e alcançar uma estabilidade hemodinâmica mais ou menos prolongada na maioria destes doentes.

Indicações:

  • Insuficiência cardíaca com resistência comprovada aos diuréticos.
  • Insuficiência cardíaca aguda com disfunção renal oligoanúrica (redução do volume de urina).
  • Tratamento ponte para transplante cardíaco.

A insuficiência hepática e/ou prurido colestático são dois processos que, em determinadas situações, se tornam graves ou refratários ao tratamento médico habitual.

A insuficiência hepática pode ser aguda, por vírus, fármacos ou toxinas que causam lesão aguda no fígado, ou como consequência da agudização de uma insuficiência hepática crónica, num doente com doença hepática previamente conhecida.

Quando o fígado perde as suas funções, por falência ou por resseção importante em caso de tumores, acumulam-se no organismo grandes quantidades de substâncias tóxicas, como ácidos biliares, bilirrubina conjugada, aminoácidos, etc., o que pode causar um quadro de toxicidade generalizada grave, com risco de vida.

Nestas situações, e enquanto se aguarda o tratamento definitivo, como o transplante hepático ou a regeneração do tecido remanescente após a resseção, dispomos de um sistema de diálise hepática designado MARS. Tanto os estudos sobre o MARS como os resultados da nossa experiência mostram que este sistema proporciona estabilidade clínica, com melhoria hemodinâmica e neurológica frequente e, como consequência, pode prolongar o tempo de sobrevivência enquanto se aguarda o transplante hepático ou a regeneração do tecido.

Quanto às indicações de prurido colestático refratário, são geralmente menores, e o objetivo é atenuá-lo após várias sessões consecutivas, durante um período mais ou menos prolongado. Postula-se que são eliminadas substâncias responsáveis pelo prurido do doente.

Indicações:

  • Descompensação aguda de uma insuficiência hepática crónica.
  • Disfunção hepática aguda causada por vírus, tóxicos, fármacos, etc.
  • Disfunção hepática inicial após transplante hepático, de causa tratável, como hepatotoxicidade, etc.
  • Disfunção hepática após cirurgia de resseção hepática.
  • Prurido (comichão) que não responde ao tratamento em síndromes colestáticos crónicos, como cirrose biliar primária, colangite esclerosante, etc.

Embora existam, há algum tempo, dados suficientes para afirmar que o uso do MARS pode estabilizar a função hepática de doentes com falência hepática aguda ou agudização da hepatopatia crónica, ainda não é claro o seu impacto final na mortalidade destes doentes.

O mieloma múltiplo é uma doença tumoral da medula óssea, que consiste numa proliferação atípica de plasmócitos.

Os plasmócitos derivam dos linfócitos B e, em condições normais, são responsáveis pela produção de imunoglobulinas, proteínas sanguíneas com uma importante função de defesa contra infeções.

Estas células atípicas produzem e secretam para o sangue uma imunoglobulina anómala, que origina um excesso de cadeias leves que o rim não consegue eliminar eficazmente e que podem causar dano irreversível na função renal.

A aplicação simultânea de um tratamento de quimioterapia para reduzir os plasmócitos que produzem estas cadeias leves e de outro tratamento que permita a eliminação eficaz destas cadeias, muito elevadas no sangue e tóxicas para o rim, aumenta as probabilidades de uma melhor recuperação da função renal.

A afetação renal no mieloma múltiplo é uma das complicações mais frequentes (50% dos casos). A insuficiência renal é a principal causa de morbilidade e mortalidade em doentes com mieloma. A investigação clínica indica que a redução do período de exposição do rim a cadeias leves em níveis tóxicos reduz o risco de desenvolver insuficiência renal permanente.

Indicação:

  • Doentes diagnosticados com mieloma múltiplo, com excesso de cadeias leves livres e insuficiência renal associada, atribuível a essa causa, para os quais esteja programado tratamento quimioterápico para o mieloma.

O Serviço de Nefrologia, em estreita colaboração com o Serviço de Hematologia, realiza este tipo de hemodiálise como tratamento adjuvante da quimioterapia em doentes com mieloma múltiplo que cumprem os critérios de inclusão.

O iodo radioativo é administrado como tratamento complementar à cirurgia do carcinoma diferenciado da tiroide.

Este iodo é eliminado fundamentalmente pela urina; por isso, nos doentes com insuficiência renal, a realização de hemodiálise é estritamente necessária para reduzir a radiação no restante organismo.

Caso contrário, o tratamento com iodo radioativo não poderia ser realizado, uma vez que o risco de diminuição das células sanguíneas (mielossupressão) e de irradiação de outros órgãos, como glândulas salivares, aparelho digestivo, etc., seria muito elevado.

O procedimento de hemodiálise é realizado numa sala de isolamento especial, que os doentes ocupam durante o tratamento com iodo radioativo. É feito com um monitor de hemodiálise convencional reservado para estes tratamentos, com um esquema padrão e equivalente ao que é realizado no centro habitual do doente.

Antes e após cada sessão, são medidos os níveis do radiofármaco, para determinar a duração e o número de sessões necessárias. Sob todas as medidas de proteção radiológica, a enfermeira liga a diálise e o monitor de sinais vitais e, depois, faz a monitorização da diálise a partir do exterior da sala, através de um sistema de videocâmara.

Sempre que forem observados indicadores anómalos no monitor de diálise ou de sinais vitais, entrará com as medidas de proteção e resolverá o problema.

Como se realiza a diálise?

Hemodiálise

Quando a membrana semipermeável é artificial. Pode ser de natureza celulósica ou sintética e, pela sua estrutura, pode ser de fibra capilar ou de membrana plana. Variam quanto à permeabilidade, superfície, espessura, carga elétrica e capacidade de adsorção. 

O que é necessário e como se realiza a hemodiálise?

É necessário um acesso permanente ao leito intravascular (preferencialmente uma fístula arteriovenosa interna; pode ser uma cânula, etc.), um rim artificial (com bomba de extração de sangue, um monitor e o dialisador, onde se encontra a membrana semipermeável e onde se efetua a troca entre o líquido (banho) de diálise e o sangue).

Habitualmente, a sessão de diálise em doentes crónicos realiza-se três dias por semana (segunda, quarta e sexta; ou terça, quinta e sábado), com duração de 4 horas por sessão, em turnos de manhã, tarde ou noite. Pode ser efetuada no hospital, numa unidade de diálise extra-hospitalar ou mesmo no domicílio do doente.

Que complicações podem ocorrer na hemodiálise?

As principais complicações são fluxo sanguíneo insuficiente (o ideal é superior a 300 cm./min.), rutura do dialisador com perda de sangue, hipotensão, tonturas, cefaleias, náuseas ou vómitos, prurido, cãibras, etc.

Atualmente, com as modernas máquinas automáticas e várias variantes de diálise com bicarbonato, as complicações são mínimas e, em grande parte, passíveis de resolução.

Diálise peritoneal

Quando a membrana semipermeável é natural, como no caso do peritoneu do doente (camada que reveste os órgãos internos do abdómen e que tem múltiplos capilares e grande superfície).

O que é necessário para a diálise peritoneal?

A diálise peritoneal requer a colocação de um cateter macio, multiperfurado, no abdómen, através do qual se infunde solução de diálise (semelhante à parte líquida do sangue, mas sem produtos de excreção), de cerca de dois litros, com trocas a cada 4–6 horas durante o dia e de cerca de 8 horas durante a noite, todos os dias do ano.

A este método de diálise chama-se diálise peritoneal contínua ambulatória e é realizado pelo próprio doente após um período de aprendizagem hospitalar. Pode também ser efetuado com uma máquina ou cicladora que realiza as trocas de forma programada durante a noite, permitindo que o doente esteja livre durante todo o dia; a isto chama-se diálise peritoneal automatizada.
 
Que complicações podem ocorrer na diálise peritoneal?

As principais são a perda de líquido pelo túnel de acesso do cateter, infeção do túnel ou do cateter, obstrução do cateter, peritonites, hérnias abdominais, perdas de proteínas, etc. Todas são tratáveis.

Escolha do tipo de diálise

O doente pode e deve escolher, com a ajuda do nefrologista que o acompanha, o método de diálise (diálise peritoneal ou hemodiálise e as suas múltiplas variantes) que melhor se adapta às suas características (idade, trabalho, circunstâncias familiares, distância à unidade de diálise, tipo de doença renal e de outras doenças concomitantes, existência ou não de acesso ao leito intravascular, cirurgias abdominais prévias, etc.).

O médico deve informá-lo sobre todas as diferenças entre as várias modalidades de diálise e sobre as vantagens e inconvenientes, em geral e no caso concreto do doente.

Além disso, como o tratamento da insuficiência renal crónica terminal é integrado, é sempre possível passar de um tipo de diálise para outro, em caso de intolerância ou problemas não solucionáveis.

O Serviço de Nefrologia
da Clínica Universidad de Navarra

O Serviço de Nefrologia da Clínica Universidad de Navarra conta com uma experiência de mais de cinco décadas, tanto no diagnóstico e tratamento de todas as patologias do rim como no transplante deste órgão. 

Os nossos especialistas completaram a sua formação em centros de referência nacionais e internacionais.

Dispomos das melhores instalações na Unidade de Diálise para oferecer cuidados da máxima qualidade aos nossos doentes.

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

Porquê na Clínica?

  • Referência a nível nacional no transplante renal, pioneiros no transplante renal de dador vivo.
  • Enfermagem especializada para os cuidados e o acompanhamento dos nossos doentes.
  • Programa de prevenção da lesão cardiovascular e renal.

A nossa equipa de profissionais

Especialistas em Nefrologia com experiência no tratamento com diálise