Glomerulonefrite

«Na glomerulonefrite, o acompanhamento médico contínuo e a deteção precoce são fundamentais para preservar a função renal e evitar complicações a longo prazo.»

DR. JOSÉ MARÍA MORA GUTIÉRREZ
ESPECIALISTA. SERVIÇO DE NEFROLOGIA

Imagem do selo de reconhecimento Merco Salud 2025. Clínica Universidade de Navarra

O que é a glomerulonefrite?

A glomerulonefrite (ou nefropatia glomerular) é uma doença renal em que se altera a estrutura e a função do glomérulo, a unidade de filtração do rim responsável por eliminar resíduos do organismo. Este dano pode progredir e comprometer a função renal a longo prazo.

Existem formas primárias (limitadas ao rim) e secundárias (associadas a doenças sistémicas como o lúpus eritematoso sistémico, vasculites, infeções ou fármacos). Pode apresentar-se de forma aguda ou crónica.

No Serviço de Nefrologia da Clínica Universidad de Navarra, realizamos um diagnóstico precoce e preciso para indicar o tratamento mais adequado e personalizado.

Embora a glomerulonefrite possa evoluir para insuficiência renal crónica, o prognóstico é geralmente favorável se forem seguidas as recomendações médicas, o que melhora a evolução e a sua qualidade de vida.

Quais são os sintomas da glomerulonefrite?

A glomerulonefrite pode passar despercebida ou manifestar-se inicialmente com sinais evidentes. Estes são os sintomas-chave que convém reconhecer rapidamente.

  • Alterações na urina: diminuição da produção (oligúria) ou ausência total de urina (anúria), bem como alterações da cor, que pode tornar-se avermelhada ou castanho-escura devido à presença de sangue (hematúria).
  • Retenção de líquidos: provoca o aparecimento de edemas nas pernas, tornozelos e face, além de favorecer o desenvolvimento de hipertensão arterial e, em casos graves, insuficiência cardíaca.
  • Síndrome nefrótico: ocorre quando há uma perda excessiva de proteínas na urina, o que gera uma diminuição dos níveis de proteínas no sangue. Isto provoca edemas mais generalizados e uma resposta do fígado que aumenta a produção de lípidos, elevando os níveis de colesterol.
  • Sintomas gerais: incluem fadiga, palidez da pele e das mucosas, cefaleias, cansaço e, em alguns casos, dificuldade respiratória devido à sobrecarga de líquidos no organismo.

Tem algum destes sintomas?

Se suspeitar que tem algum dos sintomas referidos,
deve procurar um médico especialista para diagnóstico.

Quais são as causas da glomerulonefrite?

A maioria dos casos de glomerulonefrite tem origem imunológica. O sistema imunitário, ao reagir de forma anómala, ataca as estruturas do rim e lesa os glomérulos, os filtros responsáveis pela depuração do sangue. Consoante o mecanismo de lesão, distinguem-se vários tipos principais:

  • Por lesão direta: os linfócitos T atacam a membrana basal do rim, como sucede na doença de lesões mínimas.
  • Por formação de complexos imunes: o organismo produz anticorpos que se ligam a proteínas do rim, originando inflamação nos glomérulos. É o mecanismo das glomerulonefrites proliferativas, como a extracapilar.
  • Por deposição de antigénios e anticorpos: antigénios estranhos — de origem infeciosa ou tumoral — podem depositar-se no glomérulo e desencadear uma resposta imunitária que produz inflamação renal.

Tipos de glomerulonefrite

O tratamento e o prognóstico dependem do tipo específico. A biópsia renal é o exame definitivo para o diagnóstico.

Primárias

  • Nefropatia membranosa: espessamento das paredes capilares; causa mais frequente de síndrome nefrótico em adultos não diabéticos >40 anos.
  • Nefropatia por IgA: a mais comum a nível mundial; evolução habitualmente lenta e causa relevante de DRC.
  • Glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF/FSGS) e doença de lesões mínimas (MCD): proteinúria marcada; evolução e resposta terapêutica variáveis.

Secundárias

  • Nefrite lúpica: forma grave do LES; até 50% dos adultos com lúpus podem desenvolvê-la.
  • GN por imunocomplexos e complemento: inflamação glomerular mediada por anticorpos/complemento.
  • GN relacionada com infeções: bacterianas (p. ex., pós-infeciosa, associada a endocardite ou derivações) ou virais (VIH, VHB, VHC).
  • Glomerulonefrite rapidamente progressiva (GNRP): síndrome clínico com deterioração renal em dias-semanas, que pode ocorrer em vários contextos imunológicos.

Como se diagnosticam as glomerulonefrites?

Imagen de recogida de orina para análisis. Clínica Universidad de Navarra

O diagnóstico da glomerulonefrite exige uma avaliação clínica exaustiva e um estudo analítico e imagiológico detalhado. Os primeiros passos incluem um exame de urina (para detetar proteínas e sangue), análises ao sangue (para avaliar a função renal e marcadores imunológicos) e exames de imagem, como a ecografia renal. No entanto, o diagnóstico definitivo só é obtido através de uma biópsia renal, que permite examinar diretamente o tecido glomerular ao microscópio.

No Serviço de Nefrologia da Clínica Universidad de Navarra, este procedimento é realizado com técnicas de alta precisão e sob controlo ecográfico, garantindo a máxima segurança do doente e uma interpretação histológica especializada para estabelecer o tipo exato de glomerulonefrite e orientar o tratamento mais adequado.

É fundamental realizar um diagnóstico precoce para poder iniciar rapidamente o tratamento e evitar a progressão da glomerulonefrite para uma doença renal crónica.

Como se trata a glomerulonefrite?

O tratamento da glomerulonefrite é complexo e altamente individualizado, pois deve adaptar-se ao tipo específico, ao grau de lesão renal e ao risco de progressão apresentados.

Medidas de suporte e renoproteção

Estas medidas são essenciais para preservar a função renal a longo prazo, independentemente do tipo de glomerulonefrite.

  • Controlo da pressão arterial e da proteinúria: primeira linha de tratamento. Recomenda-se o uso de inibidores da enzima de conversão da angiotensina (IECA) ou antagonistas dos recetores da angiotensina II (ARA-II) na dose máxima tolerada, com o objetivo de reduzir a proteinúria para menos de 0,7 g/24 h ou alcançar remissão completa (<0,5 g/24 h).
  • Dieta e estilo de vida: limitar o consumo de sódio (idealmente <2 g/dia) para controlar a pressão arterial e o edema. Promover exercício regular e controlar a hiperlipidemia (colesterol) com fármacos como as estatinas, especialmente em doentes com nefrite lúpica, pelo seu elevado risco cardiovascular.
  • Anticoagulação profilática: ponderar o uso de aspirina ou varfarina em casos de nefropatia membranosa com hipoalbuminemia (níveis baixos de albumina), para prevenir trombose venosa ou arterial.
  • Hidroxicloroquina (HCQ): indicada em todos os doentes com nefrite lúpica, salvo contraindicação. Reduz os surtos de lúpus e melhora a sobrevivência renal e global.

Tratamento farmacológico

O tratamento farmacológico da glomerulonefrite tem como objetivo modular ou suprimir a resposta autoimune que provoca lesão dos glomérulos. A escolha do fármaco ou da combinação depende do tipo histológico (determinado por biópsia renal) e da gravidade clínica.

  • Glucocorticoides: constituem a base do tratamento ativo na maioria dos casos de glomerulonefrite, pelos seus efeitos anti-inflamatórios e imunossupressores. Em quadros graves administram-se pulsos intravenosos de metilprednisolona, seguidos de doses orais com redução progressiva para evitar efeitos adversos do uso prolongado.
  • Agentes citotóxicos e poupadores de corticoides: a ciclofosfamida reserva-se para formas agressivas, como a nefrite lúpica proliferativa ou a GN rapidamente progressiva. O micofenolato mofetil (MMF) e análogos são amplamente utilizados pela sua eficácia e melhor tolerância, especialmente na manutenção da remissão. A azatioprina é uma alternativa segura durante a gravidez ou quando o MMF não é bem tolerado.
  • Inibidores da calcineurina: incluem ciclosporina, tacrolímus e voclosporina. Utilizam-se em diversas formas de GN, como a glomerulonefrite membranosa ou a glomeruloesclerose segmentar e focal resistente a corticoides. Para além da ação imunossupressora, reduzem a proteinúria, mas exigem vigilância apertada pelo potencial de toxicidade renal.
  • Terapias biológicas: fármacos como o rituximab (anticorpo anti-CD20) eliminam seletivamente os linfócitos B e demonstraram eficácia na glomerulonefrite membranosa e na nefrite lúpica refratária. O belimumab, aprovado para nefrite lúpica ativa, associa-se ao tratamento padrão para melhorar a resposta e reduzir recaídas.
  • Bloqueadores do complemento: representam terapias emergentes, como o avacopan (inibidor do C5a), úteis em formas graves como a GN rapidamente progressiva ou a glomerulopatia C3, atuando sobre vias imunológicas específicas.

No Serviço de Nefrologia da Clínica Universidad de Navarra, a abordagem terapêutica é adaptada a cada doente, conciliando eficácia e segurança para alcançar remissão clínica e preservar a função renal a longo prazo.

O Serviço de Nefrologia
da Clínica Universidad de Navarra

O Serviço de Nefrologia da Clínica Universidad de Navarra conta com uma experiência de mais de cinco décadas, tanto no diagnóstico e tratamento de todas as patologias do rim como no transplante deste órgão. 

Os nossos especialistas completaram a sua formação em centros de referência nacionais e internacionais.

Dispomos das melhores instalações na Unidade de Diálise para oferecer cuidados da máxima qualidade aos nossos doentes.

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

Porquê na Clínica?

  • Referência a nível nacional no transplante renal, pioneiros no transplante renal de dador vivo.
  • Enfermagem especializada para os cuidados e o acompanhamento dos nossos doentes.
  • Programa de prevenção da lesão cardiovascular e renal.