Estudos da função renal

"As diferentes determinações analisadas no laboratório permitem detetar se o rim está a funcionar corretamente ou não."

DRA. ESTÍBALIZ ALEGRE MARTÍNEZ
ESPECIALISTA. SERVIÇO DE BIOQUÍMICA CLÍNICA

Imagem do selo de reconhecimento Merco Salud 2025. Clínica Universidade de Navarra

O que são e para que servem?

A avaliação da função renal combina exames laboratoriais e técnicas de imagem, selecionadas de acordo com cada caso. As análises de sangue e de urina são o ponto de partida para detetar alterações na filtração e no equilíbrio de líquidos e sais. A ecografia é a técnica de imagem de primeira escolha pela sua segurança e ausência de radiação. A TAC e a ressonância magnética são reservadas para indicações específicas, tomando precauções em doentes com doença renal crónica devido ao uso de contrastes. Os estudos de medicina nuclear permitem medir a função de cada rim de forma separada e evidenciar cicatrizes. Em situações selecionadas, a biopsia renal oferece um diagnóstico muito preciso ao analisar o tecido com diferentes técnicas de microscopia. Como complemento, a bioimpedância elétrica ajuda a avaliar o estado nutricional e a composição corporal. Cada um destes exames fornece informação diferente; o especialista decidirá quais são necessários de acordo com a situação clínica de cada doente.

Imagen del icono de la consulta de Segunda Opinión. Clínica Universidad de Navarra

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Quando se estuda a função renal?

A função renal é avaliada quando existem sinais ou fatores de risco de lesão dos rins.

Estes estudos são solicitados perante a presença de inchaço nas pernas ou no rosto, pressão arterial elevada, alterações na urina ou resultados anómalos em análises prévias. Também são indicados em pessoas com diabetes, doenças autoimunes ou antecedentes familiares de doença renal.

Nos hospitais, são exames habituais antes da administração de determinados fármacos ou contrastes radiológicos. Realizam-se igualmente controlos periódicos em doentes com doença renal crónica ou transplantados, para avaliar a evolução da função renal.

Doenças nas quais são solicitados exames da função renal

Tem alguma destas doenças?

Pode ser necessário realizar um estudo da função renal

Tipos de estudos da função renal

Análises de sangue e urina

São os exames mais frequentes, não invasivos e de primeira linha para avaliar a função renal. Fornecem informação complementar e, na maioria dos casos, orientam o diagnóstico e o seguimento.

  • Creatinina sérica e taxa de filtração glomerular estimada (eGFR): o laboratório calcula a eGFR a partir da creatinina. Em conjunto, indicam o grau de função renal e ajudam a classificar a doença renal crónica por estádios.
  • Cistatina C: marcador alternativo que pode ser mais fiável quando a creatinina não reflete adequadamente a função (por exemplo, pouca ou muita massa muscular, idosos, desportistas). Permite confirmar a eGFR quando existem dúvidas.
  • Albuminúria/Proteinúria: a relação albumina/creatinina na urina (ACR) em amostra isolada é o exame preferido para detetar perda de proteínas. A presença persistente de albumina é um marcador precoce de lesão renal e cardiovascular.
  • Ureia (BUN): menos específica do que a creatinina; varia com a hidratação, a dieta e alguns fármacos, mas complementa a avaliação global.
  • Urianálise (tira reagente e sedimento): deteta sangue, leucócitos, nitritos, glicose ou cristais, úteis para orientar infeções, litíase ou glomerulopatias.
  • Urina de 24 horas: reservada para situações específicas (quantificação de proteinúria elevada, estudo de litíase, medição da depuração de creatinina), quando a amostra isolada não é suficiente.

Como preparar-se: mantenha uma hidratação habitual no dia anterior, evite exercício intenso e refeições muito ricas em proteínas imediatamente antes das análises e informe sobre todos os medicamentos que toma (alguns, como anti-inflamatórios ou certos antibióticos, podem afetar os resultados). Para a análise de urina, forneça uma amostra da primeira urina da manhã ou uma amostra de jato médio, evitando contaminação (especialmente durante a menstruação).

Interpretação e passos seguintes: uma eGFR reduzida e/ou albuminúria persistente em dois controlos separados costuma indicar lesão renal e requer avaliação médica. Por vezes, é necessário repetir os exames (por desidratação, infeção urinária ou esforço recente) ou complementá-los com outras técnicas, consoante o caso.

Bioimpedância elétrica

Método não invasivo e rápido que estima a composição corporal: água total (intra e extracelular), massa magra/muscular e massa gorda. Em nefrologia, ajuda a detetar sobrecarga ou défice de líquidos, a avaliar o estado nutricional e a ajustar decisões (por exemplo, diálise, dieta e exercício).

  • Como funciona: aplica uma corrente elétrica muito baixa e mede a resposta elétrica do corpo. Não dói nem emite radiação.
  • Preparação: geralmente não requer jejum; deve comparecer bem hidratado, salvo indicação contrária, e retirar objetos metálicos.
  • Limitações: os resultados dependem do estado de hidratação, da presença de edemas ou de dispositivos. Devem ser interpretados em conjunto com a avaliação clínica e as análises.

Exames de imagem radiológica

As técnicas de imagem ajudam a conhecer a forma, o tamanho e a estrutura dos rins e a detetar problemas como cálculos, quistos, tumores ou obstruções. São escolhidas de acordo com a situação clínica e o estado da função renal.

  • Ecografia renal 2D e Doppler: segura, sem radiação, rápida e a mais utilizada. Permite visualizar o tamanho renal, quistos ou dilatações (hidronefrose), medir o resíduo pós-miccional da bexiga e avaliar o fluxo sanguíneo das artérias e veias renais com Doppler.
  • PoCUS (Point-of-Care Ultrasound): ecografia realizada junto do doente para avaliação imediata, sem necessidade de deslocação a outro serviço. Em nefrologia, ajuda a avaliar rins e bexiga, a estimar o estado volémico (veia cava, pulmões) e a detetar líquido no abdómen ou ao redor do coração e dos pulmões. Reduz tempos, evita radiação e facilita decisões como o ajuste da diálise ou a identificação precoce de complicações.
  • TAC (TC): muito útil para cálculos (sem contraste) e para caracterizar massas ou estudar complicações (habitualmente com contraste iodado). O contraste é utilizado com precaução se existir doença renal crónica ou risco de lesão renal aguda; pode ser necessária hidratação prévia e ajuste de alguns fármacos (por exemplo, metformina, conforme indicação médica).
  • Ressonância magnética (RM): alternativa quando se pretende evitar radiação ou quando a TAC não é possível. Na insuficiência renal avançada, o gadólio (contraste) pode estar contraindicado; muitos exames são realizados sem contraste ou coordenados com diálise, conforme o caso.

Segurança e preparação: informe se está grávida, se tem pacemaker ou outros implantes metálicos, alergias a contrastes ou antecedentes de doença renal. Compareça bem hidratado, salvo indicação médica em contrário. Se for administrado contraste, é normal sentir uma breve sensação de calor ou gosto metálico; depois, beba líquidos (se não houver restrição) e siga as indicações da sua equipa.

Exames de Medicina Nuclear

São estudos especializados que mostram como funciona cada rim separadamente. Consistem numa pequena injeção intravenosa de um radiofármaco de baixa dose e na captação de imagens com uma câmara. Não doem, a radiação é baixa e, em geral, são muito seguros.

  • Cintigrafia renal dinâmica (MAG3, DTPA): avalia em tempo real a entrada do radiofármaco no rim, o seu processamento e a saída para a bexiga. Permite medir a contribuição funcional de cada rim (percentagem direito/esquerdo) e detetar obstruções do trato urinário.
  • Cintigrafia renal estática (DMSA): mostra quais as áreas do rim que funcionam melhor e ajuda a identificar cicatrizes ou zonas com menor tecido ativo, sendo útil após infeções urinárias recorrentes ou no estudo de malformações.
  • Medição isotópica da filtração glomerular: é a forma mais precisa de conhecer a capacidade de filtração do rim; não é realizada de rotina, mas é indicada quando se necessita de uma quantificação exata (por exemplo, antes de determinados tratamentos ou cirurgias).

Como preparar-se: normalmente não requer jejum; compareça bem hidratado, salvo indicação contrária. Informe se está grávida ou a amamentar. Após o exame, recomenda-se beber líquidos (se não houver restrição médica) para eliminar mais rapidamente o radiofármaco.

Biópsia renal

A biópsia renal é um exame com valor diagnóstico, prognóstico e terapêutico. No nosso centro, é realizada guiada por ecografia, por ser a técnica mais segura e precisa: com anestesia local, introduz-se uma agulha fina para obter pequenos fragmentos de tecido do rim.

Permite identificar o tipo e a causa da doença renal, estimar a sua evolução e ajustar o tratamento (imunossupressores, alterações terapêuticas, etc.). Após a colheita, a amostra pode ser analisada com diferentes técnicas:

  • Microscopia ótica: analisa glomérulos, túbulos e vasos para detetar inflamação, cicatrizes ou depósitos anómalos.
  • Imunofluorescência: utiliza anticorpos fluorescentes para evidenciar imunocomplexos ou depósitos proteicos que lesam o rim.
  • Microscopia eletrónica: fornece um nível de detalhe ultraestrutural (por exemplo, membrana basal glomerular), fundamental quando outras técnicas não são conclusivas.

Em conjunto, estas técnicas complementares permitem um diagnóstico mais preciso do tipo e da causa da doença renal.

O Serviço de Nefrologia
da Clínica Universidad de Navarra

O Serviço de Nefrologia da Clínica Universidad de Navarra conta com uma experiência de mais de cinco décadas, tanto no diagnóstico e tratamento de todas as patologias do rim como no transplante deste órgão. 

Os nossos especialistas completaram a sua formação em centros de referência nacionais e internacionais.

Dispomos das melhores instalações na Unidade de Diálise para oferecer cuidados da máxima qualidade aos nossos doentes.

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

Porquê na Clínica?

  • Referência a nível nacional no transplante renal, pioneiros no transplante renal de dador vivo.
  • Enfermagem especializada para os cuidados e o acompanhamento dos nossos doentes.
  • Programa de prevenção da lesão cardiovascular e renal.