Biópsia hepática

"Dispomos de várias técnicas de biópsia para obter uma amostra de tecido do fígado para análise. Realizar uma biópsia não significa necessariamente que o doente tenha cancro."

DR. JOSÉ IGNACIO HERRERO SANTOS
ESPECIALISTA. UNIDADE DE HEPATOLOGIA

Imagem do selo de reconhecimento Merco Salud 2025. Clínica Universidade de Navarra

O que é uma biópsia hepática. Técnicas

A biópsia hepática consiste na obtenção de uma amostra de tecido hepático para posterior estudo ao microscópio. 

Realiza-se uma punção no fígado com uma agulha que obtém, por aspiração ou por corte, um pequeno fragmento de fígado.

Existem diferentes técnicas:

  • Biópsia hepática percutânea às cegas. É a técnica mais habitual. Depois de realizar uma ecografia abdominal para identificar o fígado e excluir a existência de lesões intra-hepáticas que contraindiquem esta técnica (lesões vasculares, etc.), realiza-se a punção.
  • Biópsia hepática sob controlo radiológico. Nesta técnica, a punção é realizada sob controlo radiológico contínuo (principalmente ecográfico), que guia a agulha no momento da punção. Esta técnica permite orientar a biópsia e tem a sua principal indicação quando se tenta puncionar uma lesão intra-hepática, quando o tamanho do fígado é inferior ao habitual ou quando existem zonas intra-hepáticas que não devem ser puncionadas (hemangiomas, vesícula intra-hepática, interposição intestinal, etc.).
  • Biópsia hepática por laparoscopia. Permite, ao contrário das técnicas anteriores, visualizar diretamente o fígado e realizar um controlo hemostático direto em caso de hemorragia.
  • Biópsia hepática por via transjugular. É possível aceder ao fígado através da veia jugular. Após a introdução de um cateter por este acesso venoso, alcança-se a veia hepática direita, que pode ser puncionada para obter uma amostra de tecido hepático. Embora o rendimento desta técnica seja menor, considera-se adequada quando a coagulação está alterada e, portanto, existe um risco elevado de hemorragia.
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Quando está indicada a biópsia hepática?

Com a biópsia hepática podemos:

  • Conhecer o grau de lesão de uma doença hepática crónica conhecida. Por exemplo, determinar o grau de inflamação num doente com hepatite viral ou hepatite alcoólica.
  • Estabelecer o diagnóstico num doente com alteração bioquímica crónica das provas hepáticas cujo diagnóstico não foi conseguido através de outros estudos analíticos, radiológicos e/ou endoscópicos.
  • Conhecer a natureza de uma lesão intra-hepática não definida por outros estudos.
  • Estudar um doente com febre de origem desconhecida.
  • Avaliar o grau de lesão hepática induzida por fármacos.
  • Quantificar a concentração hepática de ferro e/ou cobre.
  • Excluir um processo infiltrativo no estudo de uma hepatomegalia.

Doenças nas quais se solicitam biópsias hepáticas:

Tem alguma destas doenças?

Pode ser necessário realizar-lhe uma biópsia hepática

Como se realiza a biópsia hepática?

Realização da biópsia hepática

Habitualmente, a biópsia hepática é realizada em regime de internamento de 24 horas. Antes da biópsia percutânea, com ou sem controlo radiológico, a pele é limpa com uma solução iodada antisséptica e é administrado um anestésico local.

Após obtenção do efeito anestésico e enquanto o doente sustém a respiração para evitar lesões no fígado, procede-se à punção com uma agulha que obtém, por aspiração ou por corte, um pequeno fragmento de fígado.

Antes da realização de uma biópsia hepática, é efetuado um controlo analítico que deve incluir um hemograma e um estudo da coagulação, com o objetivo de reduzir o risco de hemorragia. No dia do exame, o doente deve permanecer em jejum.

Da mesma forma, se estiver a fazer tratamento com antiagregantes, anticoagulantes ou anti-inflamatórios, estes devem ser suspensos alguns dias antes da realização da biópsia.

Cuidados após a biópsia hepática

Cuidados após a biópsia hepática

Após a realização da biópsia hepática, o doente deverá permanecer deitado, em repouso e apoiado sobre a zona da biópsia para realizar compressão local durante as primeiras 4 a 6 horas, que correspondem ao período de maior risco de hemorragia.

Durante esse período, devem ser controladas periodicamente a tensão arterial e a frequência cardíaca.

Após estas primeiras horas, o doente deverá permanecer em repouso no leito até completar 24 horas. Posteriormente, poderá ter alta e retomar a vida normal.

Possíveis complicações após a biópsia hepática

A biópsia hepática, apesar de ser uma técnica eficaz, pode apresentar complicações. As complicações menores incluem dor no local da biópsia e síncope vasovagal. São as mais frequentes e facilmente controláveis.

As complicações maiores são menos frequentes e incluem:

  • Hemorragia. É a complicação grave mais frequente e a sua incidência varia entre 1,7% e 0,062%.
  • Punção de outros órgãos. É a segunda complicação mais frequente. A punção do pulmão, manifestada por pneumotórax, ocorre com uma frequência entre 0,55% e 0,35%. Foram também descritas punções de outros órgãos, como rim, cólon e, excecionalmente, pâncreas, glândulas suprarrenais e intestino delgado. A maioria destas punções é completamente assintomática.
  • Peritonite biliar. A sua frequência é de 0,22% e resulta da punção de um ducto biliar intra-hepático, da via biliar extra-hepática ou da vesícula biliar.
  • Fístulas arteriovenosas. Ocorrem quando a punção atinge ramos da artéria hepática e veias. Geralmente são assintomáticas e tendem a encerrar-se espontaneamente com o tempo.
  • Infeção. A bacteriemia secundária é relativamente frequente, sobretudo em doentes com colangite. A ocorrência de sépsis é menos habitual.
  • Disseminação tumoral. Muito rara e sempre secundária à punção de processos tumorais.

A Unidade de Hepatologia
da Clínica Universidad de Navarra

Somos pioneiros na aplicação da terapia génica no tratamento de tumores hepáticos e de doenças metabólicas hereditárias, e temos uma vasta experiência no diagnóstico e tratamento das hepatites virais e no tratamento do cancro hepático através de sistemas de radioembolização com microesferas de Ítrio-90. 

A Clínica está na vanguarda em Espanha na realização do transplante de fígado entre vivos.

Tratamentos que realizamos

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Porquê na Clínica?

  • Equipa de profissionais altamente especializada, com mais de 25 anos de experiência.
  • Equipa de enfermagem especializada em doentes hepáticos.
  • Importante atividade de investigação sobre os mecanismos moleculares que causam algumas destas doenças.