Hepatite C
«Nos últimos 20 anos, o tratamento da hepatite C progrediu de forma notável, passando de uma doença pouco conhecida e para a qual não existia qualquer tratamento, a converter-se atualmente numa patologia com cura total em mais de 50 % dos casos.»
DR. BRUNO SANGRO
DIRETOR. UNIDADE DE HEPATOLOGIA

As hepatites são um grupo de doenças caracterizadas por provocar inflamação do fígado. A infeção por estes vírus eleva as transaminases e apenas em alguns casos surgem sintomas.
O vírus da hepatite C é um vírus da família dos flavivírus, constituído por uma cadeia de RNA.
Existem algumas variantes deste vírus, designadas genótipos, cujo comportamento pode ser algo diferente, sobretudo na resposta ao tratamento antiviral. Descrevem-se 6 genótipos maiores do vírus C.
A hepatite aguda por vírus C, de difícil deteção, torna-se crónica em 80-90% dos casos. Uma vez estabelecida a hepatite crónica, é muito rara a cura espontânea da doença.
A velocidade de evolução desta doença depende das características de cada doente, das características do próprio vírus e também de fatores externos, como a ingestão de álcool, que acelera enormemente a progressão para cirrose.

Quais são os sintomas da hepatite C?
A hepatite aguda, na maioria das ocasiões, não causa qualquer sintoma e passa despercebida ao doente e às pessoas que o rodeiam.
Podem existir sintomas inespecíficos, como mal-estar geral, cansaço ou náuseas, mas, em muito poucas ocasiões, desenvolve-se icterícia, isto é, coloração amarelada da pele e das mucosas, acompanhada de urina escura e dejeções brancas ou amareladas. Esta hepatite aguda cronifica em mais de 80% dos casos.
A hepatite crónica pelo vírus C também se caracteriza por produzir muito poucos sintomas durante muitos anos, pelo que o mais frequente é ser diagnosticada de forma casual, ao realizar análises por outros motivos.
Quando existem sintomas, os mais frequentes são cansaço e desconforto ligeiro no lado direito do abdómen. Alguns doentes podem desenvolver sintomas relacionados com doenças associadas à infeção pelo vírus C, como manifestações cutâneas, articulares, síndrome seco, etc.
Apenas em fases avançadas da doença, quando se desenvolve uma cirrose hepática, surgirão os sintomas próprios desta patologia e das suas complicações.
Quais são os sintomas mais habituais?
- Icterícia.
- Colúria.
- Acolia.
- Cansaço.
- Mal-estar geral.
Tem algum destes sintomas?
É possível que apresente uma hepatite C
Quais são as causas?
O vírus da hepatite C transmite-se fundamentalmente pelo que chamamos via parentérica, isto é, através de transfusões de sangue e hemoderivados (atualmente com probabilidade mínima devido às medidas de deteção, mas muito frequente antes de 1990) e de picadas com material contaminado (tatuagens, piercings ou procedimentos dentários antes da introdução de boas medidas de higiene).
Este vírus pode transmitir-se através das relações sexuais, mas com eficácia muito reduzida, pelo que a incidência desta doença em cônjuges de doentes infetados pelo vírus C é muito próxima da da população geral.
Pode prevenir-se?
Os bancos de sangue analisam todas as amostras para excluir a infeção pelo vírus da hepatite C, pelo que o contágio diminuiu enormemente nos últimos anos.
Evitar partilhar seringas e aplicar medidas de higiene adequadas em todas as práticas que impliquem contacto com sangue pode praticamente eliminar esta via de contágio.
Com essas medidas, a incidência de hepatite C nas gerações mais jovens reduziu-se drasticamente no mundo desenvolvido. Infelizmente, ainda não existe uma vacina que previna a infeção pelo vírus C.
Como se diagnostica?
O dado que inicialmente conduz ao diagnóstico é o aumento dos níveis sanguíneos das transaminases, enzimas libertadas para o sangue pela morte celular causada pela inflamação do fígado.
A elevação das transaminases pode ser muito importante nas hepatites agudas e é ligeira ou moderada nas hepatites crónicas.
A partir daí, o diagnóstico completa-se com outras determinações analíticas que, além disso, ajudarão a identificar a causa da hepatite e a determinar a sua gravidade e prognóstico.
Para o diagnóstico definitivo, é necessário, em muitos casos, realizar uma biópsia hepática.
Como a tratamos?
A infeção por hepatite C trata-se com medicamentos antivíricos destinados a eliminar o vírus do organismo. O objetivo do tratamento é que não se detete qualquer vírus da hepatite C, pelo menos, 12 semanas após a conclusão do tratamento.
Devido ao ritmo da investigação, as recomendações relativas aos medicamentos e aos esquemas terapêuticos estão a mudar rapidamente. Assim, recomenda-se consultar os nossos especialistas para que lhe indiquem o melhor tratamento no seu caso.
Recentemente, os investigadores conseguiram avanços significativos no tratamento da hepatite C através de novos antivíricos de “ação direta”, por vezes em combinação com os já existentes. Como consequência, obtêm-se melhores resultados com menos efeitos secundários e períodos de tratamento mais curtos. A escolha dos medicamentos e a duração do tratamento dependem do genótipo da hepatite C, da presença de lesão hepática existente, de outras patologias e de tratamentos prévios.
Nos casos em que o tratamento não é eficaz e a doença evolui para o desenvolvimento de cirrose hepática e suas complicações, o único tratamento possível é o transplante hepático.
A Unidade de Hepatologia
da Clínica Universidad de Navarra
Somos pioneiros na aplicação da terapia génica no tratamento de tumores hepáticos e de doenças metabólicas hereditárias, e temos uma vasta experiência no diagnóstico e tratamento das hepatites virais e no tratamento do cancro hepático através de sistemas de radioembolização com microesferas de Ítrio-90.
A Clínica está na vanguarda em Espanha na realização do transplante de fígado entre vivos.
Doenças que tratamos
Tratamentos que realizamos
- Embolização arterial hepática
- Embolização esplénica parcial
- Estudo genético em hepatologia
- Radiofrequência hepática
- Radioembolização hepática
- Resseção hepática
- Transplante hepático

Porquê na Clínica?
- Equipa de profissionais altamente especializada, com mais de 25 anos de experiência.
- Equipa de enfermagem especializada em doentes hepáticos.
- Importante atividade de investigação sobre os mecanismos moleculares que causam algumas destas doenças.