Micoses superficiais dermatofíticas
«Os tratamentos são muito eficazes, mas é necessário eliminar as circunstâncias que a originaram, a fim de evitar uma nova infeção.»
DR. JAVIER ANTOÑANZAS PÉREZ
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE DERMATOLOGIA

As micoses são afeções cutâneas consequência da parasitação por "fungos"; estes são vegetais que não efetuam o fenómeno da fotossíntese.
Fazem parte do grupo das doenças mais frequentes que afetam o homem e pode mesmo afirmar-se que praticamente todos os homens, ao longo da sua vida, as padecerão alguma vez.
Existem três tipos de micoses humanas: superficiais, intermédias, como as candidíases, e profundas. As habituais em Espanha são as superficiais e as candidíases.
O prognóstico é bom e curam com tratamento. É importante recordar que, enquanto se mantiverem as circunstâncias favorecedoras, é provável uma nova infeção.
Além disso, é importante saber que, embora não sejam doenças muito contagiosas, podem transmitir-se por contacto direto com familiares ou indireto com escamas ou pelos ou através de pentes, escovas, chapéus ou toalhas.

Quais são os sintomas das micoses?
Os sintomas dependem da localização, a qual, por sua vez, determina a classificação destas micoses.
- Tinea capitis.
- Tinea barbae.
- Tinea corporis.
- Tinea cruris.
- Tinea pedis.
- Tinea manum
- Onicomicose ou tinea unguium
Os sintomas mais frequentes são:
- Placas descamativas no couro cabeludo.
- Placas bilaterais de coloração eritemato-acastanhada com finas escamas.
- Descamação nos espaços interdigitais.
Tem algum destes sintomas?
Pode ser que tenha uma micose
Quais são as causas das micoses?
São provocadas por fungos pertencentes aos géneros Epidermophyton, Microsporum e Trichophyton.
Quem pode ter micoses?
Qualquer pessoa pode, em algum momento, ter uma dermatofitose, sendo esta favorecida pela existência de fatores predisponentes locais, como humidade, oclusão e traumatismos. Isto explica que, frequentemente, se localizem nos pés ou na região inguinal.
Além disso, existe um conjunto de fatores gerais que também predispõem ao aparecimento destas micoses, como estar submetido a tratamentos sistémicos com imunossupressores ou fármacos quimioterápicos, ter diabetes, ou padecer de ictiose ou queratodermia palmoplantar.
Como se diagnosticam as micoses?
O diagnóstico das micoses é, geralmente, feito com base na clínica.
Por vezes, é necessário realizar um exame direto das escamas cutâneas ou dos pelos para saber se o agente causal é um dermatófito ou uma levedura.
Para determinar com exatidão o fungo responsável, é necessário realizar uma cultura das lesões.
Dependendo da forma clínica e da extensão das lesões, indica-se tratamento local ou sistémico.
1. Tinea capitis. Afeta o couro cabeludo, as sobrancelhas ou as pestanas. Distinguem-se duas variantes:
- Tinea capitis não inflamatória ou tinha tonsurante. Afeta preferencialmente rapazes na segunda infância, causando verdadeiras epidemias escolares. Pode manifestar-se como uma ou poucas placas descamativas de pequeno tamanho, em que todos os cabelos estão cortados a poucos milímetros. Estas placas tendem a confluir, afetando áreas extensas, ou podem surgir pequenas placas de alopecia onde é possível observar escamas e cabelos saudáveis.
- Tinea capitis inflamatória (Quérion de Celso): é a mais frequente em escolares e pré-escolares que vivem em meio rural. Inicia-se como as anteriores, mas endurece, eleva-se e enche-se de lesões com conteúdo purulento e escamo-crostas que aglutinam o cabelo.
2. Tinea barbae. Afeta preferencialmente homens em áreas rurais e localiza-se na zona da barba. Pode manifestar-se como uma placa de coloração avermelhada com pequenas escamas na sua superfície ou como uma placa vermelha, edematosa, com pústulas e coberta por escamo-crostas.
3. Tinea corporis. Localiza-se no tronco, membros e zonas da face sem pelo terminal. Pode manifestar-se como placas circulares ou ovais com bordo descamativo ou vesiculoso e um centro eritemato-descamativo, ou como um anel com bordo vermelho e centro curado.
4. Tinea cruris. Conhecida também como "eczema marginado de Hebra", localiza-se nas virilhas, períneo e região perianal, podendo estender-se à zona proximal interna das coxas. Clinicamente, apresenta-se como placas bilaterais de coloração eritemato-acastanhada com finas escamas e um bordo de progressão eritemato-vesiculoso. É importante recordar que a infeção se transmite por toalhas, roupa interior e roupas de cama. Nos homens, pode associar-se a tinea pedis, uma vez que a queda do fungo pela perna das calças é bastante frequente.
5. Tinea pedis. É a tinha mais frequente, uma vez que 15% das pessoas já a tiveram ou a têm. É conhecida como "pé de atleta" e localiza-se nos espaços interdigitais e nas plantas dos pés. Muitas vezes, é adquirida por quem pratica desporto descalço ou que, após jogar, utiliza duches de uso coletivo. Manifesta-se por descamação, maceração e fissuração nos espaços interdigitais.
6. Tinea manum. Localiza-se nas pregas, na palma e no dorso da mão, observando-se uma área descamativa em forma de meia-lua.
7. Onicomicose ou Tinea unguium. A parasitação da unha por "fungos" pode manifestar-se como espessamento, descolamento da lâmina ungueal ou como alteração da coloração, adquirindo uma tonalidade esbranquiçada.
Como se tratam as micoses?
Dependendo da forma clínica e da extensão das lesões, indica-se tratamento local ou sistémico.
No tratamento local, utilizam-se geralmente derivados do imidazol, como miconazol ou cetoconazol. A terbinafina e a amorolfina a 5% também são eficazes.
Nos tratamentos sistémicos, podem utilizar-se griseofulvina, cetoconazol, itraconazol ou terbinafina.
Na prática diária, são estes dois últimos os mais frequentemente prescritos, exceto em crianças, a quem se indica griseofulvina.
O Departamento de Dermatologia
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