Doença hepática metabólica

"A doença hepática metabólica pode evoluir sem sintomas durante anos, mas a sua deteção precoce permite intervir antes que o dano hepático se torne irreversível."

DRA. CAROLINA PERDOMO ZELAYA
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE ENDOCRINOLOGIA E NUTRIÇÃO

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em endocrinologia. Clínica Universidade de Navarra

O que é a doença hepática metabólica?

A doença hepática metabólica (Metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease, MASLD) é o novo termo que substitui a doença do fígado gorduroso não alcoólico (NAFLD). Trata-se de uma patologia caracterizada pela acumulação de gordura no fígado na ausência de um consumo significativo de álcool, estreitamente relacionada com a síndrome metabólica, a obesidade e a resistência à insulina.

A MASLD é a doença hepática crónica mais comum no mundo, com uma prevalência crescente devido ao aumento do excesso de peso e da diabetes tipo 2. A sua evolução pode ser silenciosa durante anos, mas em alguns casos progride para esteato-hepatite metabólica (MASH), um estado inflamatório que aumenta o risco de fibrose hepática, cirrose e carcinoma hepatocelular.

É importante realizar um seguimento médico nas pessoas que tenham factores de risco associados, como obesidade, diabetes tipo 2, dislipidémia e hipertensão arterial. A detecção precoce mediante exames de imagem e análises específicas permite intervir antes de o dano hepático se tornar irreversível.

Na Clínica contamos com um Programa de Rastreio da Doença Hepática Metabólica a partir de análises de sangue que têm em conta marcadores bioquímicos. O objectivo é excluir ou estabelecer uma suspeita fundamentada da presença de fibrose hepática, uma das principais consequências desta doença, nos doentes com valores elevados.

Quais são os sintomas da doença hepática metabólica?

Os sintomas podem ser inespecíficos ou estar ausentes nas fases iniciais

Fadiga crónica

O cansaço persistente é um dos sintomas mais frequentes em doentes com MASLD. Deve-se à alteração do metabolismo energético no fígado e à inflamação sistémica que acompanha a doença. A fadiga pode ser ligeira nas fases iniciais, mas tende a intensificar-se à medida que a condição progride.

Mal-estar ou dor no hipocôndrio direito

Algumas pessoas sentem desconforto na parte superior direita do abdómen, onde se localiza o fígado. Este sintoma está geralmente relacionado com o aumento do volume hepático (hepatomegalia) ou com a inflamação da cápsula de Glisson, que recobre o órgão.

Hepatomegalia

O fígado pode aumentar de tamanho devido à acumulação de gordura e à inflamação. Embora, em geral, seja um achado incidental em exames imagiológicos, em alguns casos pode provocar sensação de plenitude abdominal ou desconforto à palpação da zona.

Alterações nas análises ao sangue

Muitos doentes não apresentam sintomas evidentes, mas mostram elevação das enzimas hepáticas, como a alanina aminotransferase (ALT) e a aspartato aminotransferase (AST), em análises de rotina. Estas alterações podem ser o primeiro sinal de MASLD e requerem avaliação médica.

Icterícia (em fases avançadas)

Quando a doença progride para lesão hepática grave, a função do fígado fica comprometida e pode acumular-se bilirrubina no sangue, o que provoca coloração amarelada da pele e dos olhos. A icterícia costuma indicar um compromisso hepático significativo.

Comichão (prurido) generalizada

Em alguns casos avançados, a disfunção hepática leva à acumulação de substâncias tóxicas na pele, causando comichão intensa e persistente. Este sintoma surge, em geral, em estádios mais graves da doença, quando existe colestase ou insuficiência hepática.

Tem algum destes sintomas?

Se suspeitar que apresenta algum dos sintomas mencionados,
deve procurar um especialista médico para obter um diagnóstico.

Causas da doença hepática inflamatória

A doença hepática metabólica (MASLD) é uma patologia multifatorial, na qual intervêm tanto fatores genéticos como ambientais.

A sua principal causa é a disfunção metabólica, em particular a associada à resistência à insulina, o que favorece a acumulação excessiva de gordura no fígado (esteatose hepática). Esta acumulação lipídica gera stresse oxidativo e inflamação, podendo evoluir para fibrose hepática e lesão progressiva.

Fatores de risco da doença hepática metabólica

Um dos principais fatores de risco é a obesidade, em particular a obesidade abdominal, uma vez que o tecido adiposo visceral liberta mediadores inflamatórios que afetam a função hepática. Do mesmo modo, a diabetes tipo 2 e o síndrome metabólico estão estreitamente relacionados com a MASLD, devido à alteração na regulação da glicose e dos lípidos.

Outros fatores de risco incluem dislipidemia (níveis elevados de triglicéridos e colesterol LDL), hipertensão arterial e sedentarismo. Além disso, certos fatores genéticos, como polimorfismos no gene PNPLA3, podem predispor para a doença, mesmo em pessoas sem obesidade evidente.

Como se diagnostica a doença hepática metabólica?

O diagnóstico de MASLD combina marcadores bioquímicos, exames de imagem e, em alguns casos, biópsia hepática. Nas análises ao sangue, avaliam-se transaminases (ALT, AST), GGT, fosfatase alcalina e albumina, embora possam estar normais nas fases iniciais. Utilizam-se índices como FIB-4 e NAFLD Fibrosis Score para estimar o risco de fibrose.

A elastografia hepática (FibroScan®) é uma técnica não invasiva fundamental para medir a rigidez do fígado e detetar fibrose avançada ou cirrose. Quando os resultados são inconclusivos ou se suspeita de esteato-hepatite metabólica (MASH), recorre-se à biópsia hepática, que permite avaliar diretamente a inflamação e o grau de lesão hepática.

Estas ferramentas permitem um diagnóstico preciso e ajudam a determinar a gravidade da doença para orientar um tratamento adequado.

Como se trata a doença hepática metabólica?

O tratamento da MASLD baseia-se em alterações do estilo de vida, uma vez que não existe um fármaco especificamente aprovado para esta doença. A principal estratégia é a perda de peso, recomendando-se uma redução de 7–10% do peso corporal para diminuir a gordura hepática e travar a progressão para fibrose. Isto é conseguido através de uma alimentação equilibrada, pobre em açúcares refinados e gorduras saturadas, associada a exercício regular.

Em doentes com resistência à insulina ou dislipidemia, podem ser indicados fármacos como metformina, agonistas do GLP-1 ou pioglitazona. Estão também a ser estudadas terapêuticas dirigidas a reduzir a inflamação e a fibrose hepática.

O manejo deve ser personalizado e, em casos avançados com cirrose ou insuficiência hepática, é necessário seguimento especializado para ponderar opções como o transplante hepático.

O Departamento de Endocrinologia e Nutrição
da Clínica Universidad de Navarra

O Departamento está organizado em unidades assistenciais, com especialistas totalmente dedicados ao estudo diagnóstico e ao tratamento deste tipo de doenças.

Trabalhamos com protocolos estabelecidos, que permitem que todos os exames de diagnóstico necessários sejam realizados no mais curto prazo possível e que se inicie, o mais rapidamente possível, o tratamento mais adequado em cada caso.

Organizados em unidades assistenciais

  • Área de Obesidade.
  • Unidade de Diabetes.
  • Unidade de Doenças da Tiroide e Paratiroide.
  • Unidade de Osteoporose
  • Outras doenças: p. ex., síndrome de Cushing.
Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

Porquê na Clínica?

  • Centro de Excelência Europeu no diagnóstico e tratamento da Obesidade.
  • Equipa de enfermeiros especializados no Hospital de Dia de Endocrinologia e Nutrição.
  • Dispomos de um Laboratório de Investigação Metabólica de reconhecido prestígio internacional.

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