Herpes zoster

«Nos casos indicados, é essencial iniciar precocemente o tratamento antiviral para evitar a cronificação da infeção pelo vírus do herpes.»

DRA. MARÍA HUERTA BROGERAS
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE DERMATOLOGIA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em dermatologia. Clínica Universidade de Navarra

O vírus herpes zoster recebe este nome porque é o agente responsável tanto pela varicela como pelo herpes zoster.

Geralmente, o primeiro contacto com o vírus ocorre na infância e manifesta-se clinicamente como uma varicela.

Após esta infeção, o vírus migra pelas terminações nervosas desde a pele até ao gânglio, onde permanece latente, reaparecendo na pele em determinadas situações e dando lugar ao denominado herpes zoster.

O herpes zoster é geralmente um quadro autolimitado que se resolve espontaneamente em uma ou duas semanas. Em alguns doentes pode persistir uma neuralgia pós-herpética de duração variável.

Quais são os sintomas do herpes zóster?

O doente sente uma sensação de comichão ou dor numa área cutânea (preferencialmente no tronco) e, 4 ou 5 dias depois, surge vermelhidão da pele nessa zona, sobre a qual aparecem vesículas agrupadas.

Durante esta fase, as lesões são altamente contagiosas, pois o vírus encontra-se no interior das vesículas.

Ao fim de 7 a 10 dias, as lesões secam, formando crostas castanho-amareladas que se desprendem, deixando por vezes uma cicatriz residual. As áreas mais frequentemente afetadas são o tronco, a coxa ou a região ocular. Esta última é mais grave, pois existe o risco de formação de úlceras da córnea que podem conduzir à cegueira.

Por vezes, após o episódio de herpes zóster, pode persistir dor residual nessa localização durante dias, meses e até anos, designando-se por nevralgia pós-herpética. Isto acontece com maior frequência em indivíduos com mais de 50 anos.

Quais são os sintomas mais habituais?

  • Sensação de comichão ou dor numa área cutânea.
  • Sensação de queimadura.
  • Vesículas.

Tem algum destes sintomas?

É possível que apresente herpes zóster

Quem pode ter herpes zóster?

Ocorre principalmente em adultos, mas a sua ocorrência em crianças é cada vez mais frequente. Para o desenvolver, é necessário ter tido contacto prévio com o vírus e ter tido varicela.

A frequência e a gravidade desta doença são maiores em indivíduos imunossuprimidos, quer por tratamentos com quimioterapia ou radioterapia, quer por medicamentos imunossupressores, como nos doentes transplantados.

Incluem-se também neste grupo os doentes com SIDA e os que apresentam tumores ou outras doenças que determinem uma situação de imunossupressão.

No entanto, também é frequente observar herpes zóster em pessoas imunocompetentes em situações de fragilidade ou cansaço.

Qual é o prognóstico do herpes zóster?

O herpes zóster é, em geral, um quadro autolimitado que se resolve espontaneamente em uma a duas semanas. Em alguns doentes, pode persistir uma nevralgia pós-herpética de duração variável.

Nos doentes imunodeprimidos, existe risco de generalização do vírus com envolvimento de outros órgãos e pior prognóstico. Daí a importância do diagnóstico e do tratamento precoces nestes doentes.

No que diz respeito à localização, o herpes ocular tem pior prognóstico do que os restantes, devido à possibilidade de evoluir para cegueira.

É importante referir que o herpes zóster é uma doença contagiosa e, durante a sua evolução, deve evitar-se o contacto com pessoas que não tenham tido contacto prévio com o vírus, especialmente se forem imunossuprimidas ou mulheres grávidas.

Como se diagnostica o herpes zóster?

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O diagnóstico do herpes zóster é realizado principalmente pela clínica. Em casos duvidosos, pode confirmar-se através de cultura virológica das vesículas na fase inicial da doença.

A causa do alojamento do vírus no nervo é desconhecida, tal como a predisposição de cada indivíduo para desenvolver a doença.

A reativação do vírus provoca vermelhidão da pele com pequenas bolhas que seguem uma distribuição metamérica característica, geralmente no tronco, embora não sejam raras outras localizações anatómicas.

Como se trata o herpes zóster?

O tratamento do herpes zóster faz-se com fármacos antivíricos por via oral ou intravenosa, mas nem sempre é necessário tratá-lo, uma vez que se resolve espontaneamente em cerca de 7 dias.

O tratamento está indicado principalmente em doentes imunossuprimidos, devido ao risco de disseminação do vírus para outros órgãos. Nestes doentes, é necessária a via intravenosa para o tratamento.

Também está indicado o tratamento com antivíricos por via oral em doentes com mais de 50 anos, para diminuir a probabilidade de desenvolver nevralgia pós-herpética (brivudina, aciclovir, valaciclovir, famciclovir).

É importante salientar que o tratamento é eficaz se for iniciado nas primeiras 72 horas após o aparecimento das vesículas e que se deve evitar a sobreinfeção das lesões através do uso de antissépticos tópicos.

A nevralgia pós-herpética, se ocorrer, pode ser tratada com analgésicos e, se não melhorar, podem utilizar-se outros fármacos, como antiepiléticos ou antidepressivos.

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