Alergia ao leite

"De acordo com o tipo de doente e após uma avaliação individualizada do risco, é definido um plano específico de gestão da alergia ao leite, seja através de imunoterapia oral, seja pela introdução de alimentos processados com leite. Estes procedimentos melhoram a qualidade de vida e reduzem o risco de reação devido à ingestão acidental."

DRA. LAURA ARGIZ ÁLVAREZ
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE ALERGOLOGÍA E IMUNOLOGÍA CLÍNICA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento de alergias. Clínica Universidade de Navarra

Como saber se tenho alergia ao leite?

A alergia ao leite, sendo um alimento básico, tem uma repercussão importante na qualidade de vida dos doentes afetados, dada a sua presença em inúmeros alimentos processados e em grande quantidade de produtos confecionados. A recomendação inicial é suprimir este alimento da dieta, mas isto implica que muitos alimentos não possam ser consumidos.

A abordagem adequada implica a determinação da sensibilização do doente e o estabelecimento do seu perfil de risco, o que permite delinear um tratamento individualizado. O tratamento de imunoterapia oral com proteína do leite de vaca permite que, em aproximadamente 3-4 meses, o doente possa consumir um copo (200 ml) de leite por dia.

A utilização de alimentos processados na dieta é uma alternativa de consumo natural, mais segura do que o uso direto do leite, que permite que o consumo continuado module a alergia, podendo em muitos casos chegar a curá-la.

No Departamento de Alergologia da Clínica temos uma ampla experiência no tratamento de introdução ao consumo de alimentos processados (escada) ou do próprio leite como formas de imunoterapia oral com leite e cada doente é avaliado de forma individualizada.

Todo o processo é supervisionado pela nossa equipa de alergologistas e enfermeiros especializados no controlo deste tratamento.

Quais são os sintomas da alergia ao leite?

Os sintomas da alergia ao leite podem ser muito variados, desde incómodo ligeiro após a ingestão até reações alérgicas graves. O quadro clínico costuma ocorrer após o primeiro contacto e reaparecer após o consumo acidental de alimentos que contêm leite ou traços de leite.

Os sintomas começam com comichão na zona da boca e faringe, vergões na pele com comichão intensa (urticária) e, nos casos mais graves, angioedema. São também frequentes os sintomas respiratórios, como rinite, conjuntivite e crises de asma.

Os sintomas mais habituais são:

  • Comichão na boca e no palato
  • Vergões e pápulas elevadas na pele
  • Rinite e/ou conjuntivite
  • Dificuldade respiratória
  • Crises de asma
  • Vómitos, dor abdominal, náuseas, vómitos e diarreia.

Nos casos mais graves, pode desenvolver-se anafilaxia, colocando a vida do doente em risco.

Tem algum destes sintomas?

Pode ter alergia ao leite e ser possível realizar o tratamento de dessensibilização alimentar

Quais são as causas da alergia às proteínas do leite?

São muitos os fatores que podem provocar uma resposta imunitária anómala às proteínas do leite de vaca. O contacto prévio com leite nos primeiros dias após o nascimento tem sido associado à alergia ao leite. A dermatite atópica e a predisposição genética favorecem a alergia a alimentos.

A alergia ao leite é diferente da intolerância à lactose: na primeira, existe uma resposta imunitária do organismo; na intolerância, existe um défice de enzimas capazes de digerir este componente, o que causa sintomas exclusivamente digestivos.

Cura-se a alergia ao leite?

Em crianças pequenas, a alergia ao leite pode desaparecer espontaneamente, mas em 20% dos casos, a alergia persiste. Quando a alergia ao leite começa na idade adulta, é muito mais difícil que desapareça e pode durar toda a vida.

Os tratamentos de introdução de leite na dieta permitem que estes doentes voltem a ingerir produtos lácteos e derivados, reduzindo as reações por ingestão acidental. Isto faz com que a sua qualidade de vida melhore de forma notável.

Como se diagnostica a alergia ao leite?

Varios frascos para la realización de pruebas cutáneas en el diagnóstico de alergias.

O diagnóstico é realizado através de um teste cutâneo (prick test) muito simples: aplicam-se na pele do braço gotas que contêm uma quantidade conhecida do alergénio responsável pela alergia ao leite. O objetivo desta técnica é reproduzir na pele a reação que ocorre noutras partes do organismo.

Além disso, é possível realizar análises ao sangue, que permitem quantificar e demonstrar, de forma mais precisa, a presença de IgE específica contra estas proteínas.

Por vezes, é necessário realizar uma prova de provocação, que consiste em observar, sob supervisão médica, a reação que se produz após a ingestão do alimento.

Como se trata a alergia ao leite?

Temos grande experiência em imunoterapia oral com alimentos para diferentes alergias, como ao ovo e ao leite, bem como outras mais inovadoras.

A primeira medida e a mais eficaz é evitar o contacto com o alergénio. O leite e os produtos lácteos encontram-se em muitos alimentos. As formas mais óbvias são as natas, iogurtes, queijos, manteiga, gelados, etc., mas podem também estar “escondidos” noutros alimentos, pelo que se recomenda ler cuidadosamente os rótulos destes produtos. 

O tratamento de imunoterapia oral com leite é simples e baseia-se fundamentalmente em reeducar as células que reagem a alimentos inócuos, como, neste caso, o leite. Esta reeducação passa por administrar quantidades muito pequenas de leite, inicialmente ínfimas, que vão sendo aumentadas progressivamente — estes aumentos são sempre realizados em meio hospitalar — para que o organismo vá assimilando estas substâncias sem reagir contra elas.

Este tratamento exige que, em todos os momentos, o pessoal de saúde acompanhe este processo de forma muito próxima para evitar reações alérgicas importantes. Isto complementa-se com educação do doente e da família para ensinar a evitar o contacto com este alimento, formas de realizar uma dieta segura, apoio nutricional quando necessário e aprender a atuar perante reações alérgicas

Superar a alergia ao leite numa semana

Quando a sensibilização ao produto é baixa e, se o sistema imunitário da criança o permitir, a ‘dose objetivo’ pode ser alcançada em cinco dias.

Este processo de dessensibilização “expresso” está indicado para doentes com sensibilização não muito elevada a estes alimentos e com idade entre os 4 e os 10 anos.

Departamento de Alergologia
da Clínica Universidad de Navarra

O Departamento de Alergologia e Imunologia da Clínica integra a Global Allergy and Asthma European Network, composta pelos 25 melhores departamentos de Alergologia da Europa, selecionados pela sua excelência científica, trabalho multidisciplinar, atividade docente e projeção internacional.

Dispomos das técnicas de diagnóstico mais avançadas, estamos na vanguarda da investigação e colaboramos com os melhores especialistas. Contamos com mais de 50 anos de experiência assistencial.

Que doenças tratamos?

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

Porquê na Clínica?

  • Mais de 60 anos de experiência.
  • Pioneiros na técnica de diagnóstico molecular por microarray.
  • Enfermagem especializada em doenças alérgicas e nos seus cuidados.