Psoríase
"Cerca de 30% dos doentes apresenta remissões muito prolongadas da doença, com ausência de lesões."
DR. JAVIER ANTOÑANZAS PÉREZ
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE DERMATOLOGIA

A psoríase é uma doença cutânea caracterizada pela presença de placas eritematosas, bem delimitadas, cobertas por escamas nacaradas, localizadas preferencialmente nas superfícies de extensão, como cotovelos e joelhos, e no couro cabeludo.
Tem um curso crónico e apresenta uma grande variabilidade tanto clínica como evolutiva.
Assim, existem quadros clínicos com muito poucas lesões e praticamente assintomáticos, e outros generalizados, acompanhados de atingimento ungueal e articular, que provocam uma grande incapacidade funcional.

Quais são os sintomas da psoríase?
Manifesta-se como uma erupção monomórfica, simétrica, cuja lesão elementar é muito característica. Trata-se de uma placa eritematosa, bem delimitada, arredondada ou oval, de tamanho variável, recoberta por abundantes escamas esbranquiçadas, nacaradas e finas.
Quando a lesão se localiza em pregas, as escamas podem estar ausentes.
Em função do tamanho, localização, extensão e morfologia das lesões, definem-se diferentes padrões clínicos: em placas ou vulgar; em gotas (surge após infeção por estreptococos); eritrodérmica (as lesões afetam quase toda a superfície cutânea); pustulosa generalizada (Von Zumbusch); pustulosa localizada, com duas variantes — palmo-plantar (tipo Barber) e acrodermatite contínua (Hallopeau); linear; invertida ou das pregas; do couro cabeludo; e artropática.
A psoríase do couro cabeludo é muito frequente. Apresenta-se sob a forma de descamação seca muito aderente (caspa espessa) sobre uma área eritematosa do couro cabeludo e costuma provocar prurido. Pode confundir-se com dermatite seborreica. Não provoca alopecia (perda definitiva do cabelo).
A artrite psoriática é uma inflamação das articulações (artrite inflamatória) que pode ocorrer com ou sem envolvimento cutâneo; pode inclusive surgir antes das lesões cutâneas de psoríase. Afeta entre 5% e 25% das pessoas com psoríase.
Sintomas mais frequentes:
- Erupção monomórfica.
- Escamas.
- Prurido.
- Inflamação das articulações.
Tem algum destes sintomas?
Pode ser que sofra de psoríase
Quais são as causas da psoríase?
Não se sabe qual é a causa desta doença, embora se conheçam alguns fatores genéticos que participam no seu aparecimento e desenvolvimento, bem como fatores ambientais responsáveis pelo desencadeamento dos surtos.
A predisposição genética para sofrer desta doença está associada à expressão de antigénios de classe I do sistema HLA Cw6, B13, B17, B27 Bw57 e de classe II DRw7.
Entre os fatores desencadeantes dos surtos incluem-se: traumatismos; infeções, como as das vias aéreas superiores provocadas por estreptococo beta-hemolítico; fármacos, como sais de lítio, beta-bloqueadores, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides ou a interrupção brusca de corticoterapia; situações de maior stress emocional; e fatores metabólicos, como estados de hipocalcemia ou ingestão de álcool.
Qual é o prognóstico da psoríase?
Tem um curso imprevisível, com remissões e exacerbações de duração muito variável, mas habitualmente crónico.
Os surtos agudos na infância e adolescência associados a infeções das vias respiratórias superiores podem não persistir na idade adulta. Contudo, em geral, quanto mais precoce for o início e maior a extensão e intensidade das lesões, pior é a evolução.
As formas complicadas, como a psoríase artropática, podem ser incapacitantes, e as formas graves, como a eritrodérmica e a pustulosa, podem ser fatais.
Como se diagnostica a psoríase?
Em geral, o diagnóstico da psoríase é clínico e, raramente, é necessário recorrer a uma biópsia para o confirmar.
O diagnóstico diferencial deve ser feito com outras dermatoses, como eczema numular, dermatofitose, pitiríase rósea, pitiríase liquenoide crónica, dermatos e pustulosa subcórnea, eczema disidrótico, intertrigo candidiásico, pênfigo benigno familiar, dermatite seborreica, lúpus eritematoso discoide crónico, pitiríase rubra pilar, eczema atópico e linfoma cutâneo de células T, entre outros.
Como se trata a psoríase?
Em função da extensão das lesões e das características do doente, decide-se entre tratamento tópico ou sistémico.
Como tratamentos tópicos podem utilizar-se emolientes e queratolíticos (vaselina salicílica), ditranol (derivado da crisarobina), corticosteróides tópicos, alcatrões, análogos da vitamina D3, como calcipotriol, tacalcitol e calcitriol, ou derivados da vitamina A, como tazaroteno.
Além disso, pode utilizar-se fototerapia (radiação ultravioleta UVB e UVB de banda estreita) ou fotoquimioterapia, ou terapêutica PUVA (administração oral de 8-metoxi-psoraleno associada à exposição a radiação UVA).
Entre os tratamentos sistémicos incluem-se os retinoides (derivados da vitamina A), como a acitretina, imunossupressores como a ciclosporina, outros mais recentes como o micofenolato de mofetil e citostáticos como o metotrexato.
Nos últimos anos, descobriu-se que o mais importante no desenvolvimento das lesões de psoríase são os fenómenos inflamatórios mediados pelos linfócitos T. Estes medicamentos denominam-se terapias biológicas. Ao atuarem sobre os mecanismos que provocam os sintomas da doença, os tratamentos biológicos são muito mais específicos e os efeitos secundários são menores.
O etanercept, um recetor solúvel do TNF (fator de necrose tumoral), utiliza-se em doentes com psoríase que não respondem aos tratamentos convencionais e na artrite psoriática.
O efalizumab atua inibindo a ativação do linfócito T. Foi o segundo medicamento biológico comercializado em Espanha para o tratamento de adultos com psoríase em placas moderada ou grave.
O infliximab é outro medicamento biológico com ação anti-TNF para o tratamento da psoríase moderada e grave. É o fármaco biológico mais eficaz para a psoríase. Tem de ser administrado por via intravenosa, o que implica deslocação ao hospital para o seu tratamento.
O Departamento de Dermatologia
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