Meningite. Infeção das meninges
«No caso de uma meningite bacteriana aguda, um atraso no diagnóstico e na instituição do tratamento antibiótico pode implicar sequelas graves e até a morte.»
DR. PABLO IRIMIA SIEIRA
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE NEUROLOGIA

A meningite consiste na inflamação das membranas (meninges) que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Habitualmente, embora nem sempre, tem uma causa infeciosa.
Dentro das meningites de causa infeciosa, podemos distinguir entre as produzidas por vírus, as de origem bacteriana e as ocasionadas por fungos, mais raras.
As meningites víricas são benignas e costumam resolver-se de forma espontânea; no entanto, as bacterianas são graves e requerem tratamento antibiótico urgente.

Quais são os sintomas da meningite?
Para além das manifestações clínicas típicas, podem associar-se alteração do nível de consciência, crises epiléticas e outros sintomas e sinais neurológicos.
Nos lactentes (crianças com menos de dois anos) as manifestações clínicas podem incluir febre alta, sonolência ou irritabilidade excessivas, inatividade, choro constante e recusa da alimentação. Os idosos podem apresentar apenas alteração do nível de consciência, sem febre nem rigidez da nuca.
Embora alguns sintomas sugiram a causa da infeção, como a presença de uma erupção cutânea na meningococemia, pelos dados clínicos não é possível deduzir o agente responsável.
As manifestações clínicas que nos podem alertar para uma meningite são:
- Cefaleia.
- Febre.
- Náuseas e vómitos.
- Fotofobia (sensibilidade excessiva à luz).
- Rigidez da nuca.
Com que outras doenças se pode confundir uma meningite?
Os primeiros sintomas de uma meningite podem ser inespecíficos e confundir-se com os que podem ocorrer no início de uma gripe, por exemplo (mal-estar geral, febre…). No entanto, o aparecimento de cefaleia intensa, diferente da habitual, vómitos “em jato” e rigidez dos músculos do pescoço deve alertar-nos para a possibilidade de se tratar de uma meningite.
Perante o aparecimento destes sintomas, devemos recorrer ao Serviço de Urgência do centro mais próximo.
Tem algum destes sintomas?
Pode ser que tenha meningite
Quais são as causas da meningite?
As mais frequentes são as meningites de causa infecciosa, produzidas por três agentes infecciosos diferentes:
- Vírus: as meningites víricas são benignas e costumam resolver-se espontaneamente em poucos dias. Deve distingui-las das encefalites virais (p. ex., encefalite herpética), que não só provocam inflamação das meninges como também do encéfalo e têm um prognóstico mais grave.
- Bactérias: as meningites bacterianas são graves e requerem tratamento antibiótico urgente. As bactérias que entram na corrente sanguínea e que viajam até ao cérebro e à medula espinal podem causar uma meningite bacteriana aguda. A meningite também pode manifestar-se quando as bactérias invadem diretamente as meninges a partir de um foco localizado nas proximidades, como uma infeção do ouvido ou dos seios paranasais, uma fratura do crânio ou, em casos pouco frequentes, após algumas cirurgias.
O pneumococo e o meningococo são as bactérias responsáveis por mais de metade das meningites agudas no nosso país. O pneumococo é a causa mais frequente de meningite bacteriana em lactentes, crianças pequenas e adultos. A meningite meningocócica é uma infeção muito contagiosa que afeta, sobretudo, adolescentes e adultos jovens. Pode provocar uma epidemia local em escolas, residências, internatos e centros semelhantes. - Fungos: são mais raras e ocorrem fundamentalmente em pessoas imunodeprimidas, como, por exemplo, pessoas que recebem quimioterapia ou tratamento imunossupressor (transplantados, etc.).
Como se pode prevenir?
A prevenção da meningite faz-se através de duas medidas principais: a vacinação e a quimioprofilaxia.
Com a vacinação imuniza-se o indivíduo contra um germe e evita-se, assim, que adquira a infeção. A inclusão de vacinas conjugadas contra o pneumococo, o meningococo do serogrupo C e o Haemophilus influenzae tipo b nos calendários vacinais sistemáticos causou uma diminuição importante da incidência destas doenças.
A quimioprofilaxia consiste na administração de um antibiótico durante curtos períodos de tempo às pessoas que estiveram em contacto com um doente diagnosticado com meningite. Nem todos os tipos de meningite requerem profilaxia antibiótica para os contactos. A meningite pneumocócica (o tipo de meningite mais frequente) não requer quimioprofilaxia.
No entanto, os contactos próximos de doentes com meningite meningocócica têm maior probabilidade de contrair a doença nos 7 dias seguintes, pelo que a quimioprofilaxia estará indicada em determinados casos.
Caso tenha sido diagnosticado um caso de meningite por meningococo, deverão fazer profilaxia antibiótica todas as pessoas que tenham tido contacto estreito com o caso-índice nos 7 dias anteriores.
Entende-se por contacto estreito ter tido um contacto prolongado (8 horas ou mais) e, além disso, próximo (90 cm é o limite geral estabelecido para a disseminação de gotículas de grande tamanho) com o caso, ou ter estado diretamente exposto às secreções orais (por exemplo, ao beijar na boca, realizar manobras de reanimação boca-a-boca, etc.) do doente durante a semana anterior ao início dos sintomas e até 24 horas após o início do tratamento antibiótico.
Incluir-se-iam neste grupo todos os membros do agregado familiar (ou contextos equiparáveis, como casas partilhadas, etc.), colegas de carteira, membros e pessoal da sala em creches ou centros de educação infantil… Não se justificaria, no entanto, administrar quimioprofilaxia a todos os alunos que frequentam a mesma turma ou estabelecimento de ensino básico, secundário e universitário, a menos que tenham tido contacto estreito com o caso.
Como se diagnostica a meningite?
Para o diagnóstico da meningite é necessário o estudo do líquido cefalorraquidiano, que é colhido através de uma punção lombar. Deve ser realizada o mais rapidamente possível, se não houver contraindicações.
Em alguns casos, a punção lombar é adiada até se obter um exame de neuroimagem (TAC ou ressonância magnética cerebral).
O exame do líquido cefalorraquidiano permite identificar o agente causador da meningite na maioria dos doentes.
Outras amostras complementares que podem ajudar no diagnóstico são hemoculturas, amostras otorrinolaringológicas ou amostras de fezes (em particular se se suspeitar de enterovírus).
Como se trata a meningite?
A meningite é uma urgência médica
No caso de uma meningite bacteriana aguda, um atraso no diagnóstico e no início do tratamento antibiótico pode implicar lesão cerebral permanente, com sequelas graves, e até a morte.
Por isso, perante a suspeita de uma meningite aguda de origem bacteriana, deve iniciar-se tratamento antibiótico intravenoso urgente, mesmo antes de realizar a punção lombar diagnóstica. Numa primeira fase, utilizam-se antibióticos de largo espetro e, posteriormente, quando se dispõem dos resultados da cultura e do antibiograma, ajusta-se o tratamento ao agente identificado.
Com um tratamento adequado, administrado atempadamente, mesmo doentes com uma meningite potencialmente grave podem ter uma boa recuperação sem sequelas.
O Departamento de Neurologia
da Clínica Universidad de Navarra
O Departamento de Neurologia tem uma vasta experiência no diagnóstico e tratamento multidisciplinar das doenças neurológicas.
Oferecemos um diagnóstico em menos de 72 h, juntamente com uma proposta de tratamento personalizado e um acompanhamento pós-consulta do doente por parte da nossa equipa de enfermagem especializada.
Dispomos da tecnologia mais avançada para um diagnóstico preciso, com equipamentos de vanguarda como o HIFU, dispositivos de estimulação cerebral profunda, video-EEG, PET e cirurgia da epilepsia, entre outras.

Porquê na Clínica?
- Assistência diagnóstica de vanguarda com forte atividade em investigação e docência.
- Equipa de enfermagem especializada.
- Trabalhamos em estreita articulação com a Unidade do Sono.