Amiloidose

"É imprescindível identificar corretamente o tipo de proteína que está a ser depositada como material amiloide, uma vez que o tratamento difere consoante essa proteína."

DR. RAMÓN LECUMBERRI VILLAMEDIANA
CODIRETOR. SERVIÇO DE HEMATOLOGIA E HEMOTERAPIA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em hematologia. Clínica Universidad de Navarra

O que é a amiloidose?

As amiloidoses são um conjunto heterogéneo de doenças que consiste no dobramento anómalo de uma proteína precursora, que acaba por se depositar sob a forma de estruturas fibrilares em diversos órgãos e sistemas (coração, rim, fígado, intestino, sistema nervoso, etc.), alterando o seu funcionamento.

Foram descritas mais de 30 proteínas envolvidas no aparecimento das diferentes variantes de amiloidose, mas as mais frequentes são a amiloidose AL (por cadeias ligeiras das imunoglobulinas), a ATTR (por instabilidade da transtirretina devida a mutações ou associada à idade) e a AA (associada a doenças inflamatórias crónicas).

É imprescindível identificar corretamente o tipo de proteína responsável pelo depósito de amiloide, dado que os tratamentos diferem em função do tipo de amiloidose.

Quais são os sintomas da amiloidose?

Os sintomas são inespecíficos e resultam principalmente da disfunção dos diferentes órgãos afetados pelos depósitos. É importante um diagnóstico precoce para evitar danos irreversíveis nesses órgãos.

Quando existe envolvimento cardíaco, a sintomatologia é a própria de uma insuficiência cardíaca: cansaço, edemas periféricos, dificuldade na realização de pequenos esforços. Em casos mais avançados podem ocorrer síncopes. Existe também um risco aumentado de arritmias.

No envolvimento renal, o mais característico é a perda de proteínas, sobretudo albumina, na urina (proteinúria). A diminuição de albumina no sangue favorece o aparecimento de edemas generalizados.

Os depósitos de amiloide no tubo digestivo podem causar alterações da motilidade intestinal e malabsorção alimentar.

Os depósitos de amiloide no sistema nervoso periférico ocasionam, por vezes desde o início, uma alteração sensitiva que se manifesta por formigueiros e sensação de entorpecimento.

Em algumas amiloidoses são frequentes os depósitos em partes moles, que se manifestam como síndrome do túnel cárpico (frequentemente bilateral), macroglossia, fragilidade capilar (é característica a púrpura periorbitária).

Quais são os sintomas mais habituais?

  • Proteinúria ligeira
  • Cardiomegalia
  • Insuficiência cardíaca
  • Alterações da motilidade intestinal

Tem algum destes sintomas?

Pode ser que sofra de amiloidose

Quais são as causas da amiloidose?

Mais uma vez, depende do tipo de amiloidose.

  • AL: a origem está na produção anómala de um fragmento de imunoglobulina (cadeia leve kappa ou lambda) por parte das células plasmáticas da medula óssea.
  • AA: ocorre por aumento da concentração da proteína amiloide A no soro, como consequência de processos inflamatórios crónicos.
  • ATTR: relaciona-se com a instabilidade da proteína transtirretina, sintetizada no fígado, devido a mutações no seu gene (ATTR mutada ou hereditária) ou a alterações associadas à idade (ATTR nativa).

Além disso, existem outras amiloidoses muito mais raras, algumas delas de carácter hereditário por mutações nos genes do fibrinogénio, lisozima, apolipoproteína A-I, etc.

Qual é o prognóstico da amiloidose?

O prognóstico é muito variável (oscilando de poucos meses a muitos anos) em função do tipo de amiloidose e da gravidade do envolvimento, sobretudo do envolvimento cardíaco. Por este motivo, é fundamental um diagnóstico precoce que permita um tratamento atempado.

Nos últimos anos, assistimos a um aumento notável da sobrevivência dos doentes com amiloidose AL e ATTR devido ao desenvolvimento de novas terapêuticas

Como se diagnostica a amiloidose?

Imagen de Microscopía electrónica. Clínica Universidad de Navarra

Na maioria dos casos, é necessária a realização de uma biópsia de um tecido afetado na qual se demonstre a presença de depósitos de amiloide mediante a coloração por Vermelho do Congo.

Embora por vezes seja necessário realizar uma biópsia renal ou cardíaca, o mais frequente, numa fase inicial, é obter uma biópsia de gordura abdominal, lábio ou medula óssea.

Em alguns doentes selecionados com sinais de envolvimento cardíaco por amiloidose na ecocardiografia ou na ressonância magnética, e que não apresentam imunoglobulina monoclonal no sangue nem na urina, a realização de uma cintigrafia cardíaca pode ser suficiente para o diagnóstico de ATTR, sem necessidade de biópsia. 

Como se trata a amiloidose?

Contamos com especialistas de Hematologia, Cardiologia, Nefrologia e Neurologia que trabalham em equipa, oferecendo ao doente um tratamento integral e individualizado, de acordo com as suas necessidades.

O tratamento é muito diferente em função do tipo de amiloidose.

  • AL: os tratamentos visam travar a produção da cadeia leve patológica, atuando sobre as células plasmáticas da medula óssea responsáveis pela sua produção. Se se evitar a produção de novo amiloide, os órgãos afetados têm possibilidade de melhoria funcional. Habitualmente, numa fase inicial, utilizam-se esquemas que combinam bortezomib, ciclofosfamida e dexametasona. Recentemente, demonstrou-se o benefício de adicionar um novo fármaco, o daratumumab, em combinação com os anteriores. Em alguns doentes selecionados pode estar indicada a realização de um autotransplante de progenitores hematopoiéticos.
  • ATTRm: foram aprovados alguns fármacos estabilizadores da transtirretina ou bloqueadores da sua síntese hepática, embora a sua utilização esteja restringida a cenários concretos.
  • ATTR nativa: o mais importante neste caso é o tratamento cardiológico de suporte. Está a ser avaliado o papel dos mesmos fármacos que são utilizados para a variante hereditária.
  • AA: o tratamento dirige-se à doença inflamatória subjacente.

Também, em alguns casos, pode equacionar-se a realização de um transplante de órgão sólido.

Na Clínica dispomos dos mais recentes avanços terapêuticos e participamos em múltiplos ensaios clínicos no campo da amiloidose AL e ATTR.

O Serviço de Hematologia e Hemoterapia
da Clínica Universidad de Navarra

O Serviço de Hematologia da Clínica, constituído por especialistas de reconhecido prestígio nacional e internacional, integrou técnicas de diagnóstico molecular e a utilização de novos tratamentos personalizados na sua atividade assistencial, permitindo um diagnóstico mais preciso e rápido das doenças hematológicas.

O trabalho conjunto do corpo clínico e dos investigadores facilita o desenvolvimento e a aplicação de novos tratamentos e, simultaneamente, a avaliação rigorosa dos resultados terapêuticos.

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

Porquê na Clínica?

  • Especialistas no desenvolvimento de tratamentos de Terapia Celular.
  • Centro de referência internacional em linfomas, mieloma múltiplo e gamapatias monoclonais.
  • Especialistas no diagnóstico e tratamento de problemas hemorrágicos e trombóticos.

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