Anemia
"Embora a causa mais frequente de anemia no nosso meio seja a deficiência de ferro (ferropenia), é imprescindível identificar corretamente a sua origem para poder tratá-la de forma adequada."
DR. RAMÓN LECUMBERRI VILLAMEDIANA
CODIRETOR. SERVIÇO DE HEMATOLOGIA E HEMOTERAPIA

O que é a anemia?
A anemia é uma doença caracterizada por uma diminuição na quantidade de glóbulos vermelhos ou hemoglobina no sangue.
A hemoglobina é uma proteína presente nos glóbulos vermelhos que transporta o oxigénio desde os pulmões para o restante do corpo. Quando há uma deficiência de glóbulos vermelhos ou hemoglobina, o organismo não recebe oxigénio suficiente, o que pode provocar uma série de sintomas e complicações.
A anemia pode ser a manifestação de uma doença hematológica ou uma manifestação secundária a muitas outras doenças, pelo que é importante conhecer o tipo de anemia presente e avaliar as possíveis causas.
Certos tipos de anemia podem ser graves, de longa duração e mesmo potencialmente mortais se não forem diagnosticados e tratados.

Quais são os sintomas da anemia?
Quais são os sintomas mais habituais da anemia?
Fadiga e fraqueza
A fadiga e a fraqueza são os sintomas mais comuns da anemia. Como a hemoglobina nos glóbulos vermelhos é responsável por transportar o oxigénio para todas as partes do corpo, uma diminuição do seu número ou do seu funcionamento pode provocar uma sensação de cansaço ou fadiga persistente. Isto pode ser acompanhado por fraqueza, diminuição da capacidade para realizar atividades físicas e sensação de exaustão.
Palidez
A palidez, particularmente nas gengivas, nas unhas e nas pálpebras inferiores, é um sinal frequentemente observado em pessoas com anemia. A diminuição da quantidade de hemoglobina, o pigmento que dá cor ao sangue, pode resultar numa coloração pálida ou esbranquiçada de áreas que normalmente são de cor vermelha ou rosada.
Dispneia e taquicardia
A dispneia, ou dificuldade em respirar, e a taquicardia, um ritmo cardíaco acelerado, podem ser indicativas de anemia. Numa tentativa de compensar a diminuição do oxigénio no sangue, o organismo pode aumentar a frequência respiratória e cardíaca para assegurar uma oxigenação adequada dos tecidos.
Outros sintomas
Outros sintomas que podem sugerir a presença de anemia incluem tonturas, dor de cabeça, intolerância ao frio, alterações do apetite e perda de peso. Em alguns casos, podem observar-se sintomas específicos da causa subjacente da anemia.
A anemia pode instalar-se de forma aguda ou crónica e os sintomas são diferentes em função, precisamente, da rapidez com que surge.
A anemia ligeira começa a manifestar-se como uma diminuição da resistência ao exercício físico, acompanhada de taquicardia e dificuldade respiratória.
Se a anemia se tornar mais intensa, estes sintomas acentuam-se e surgem com esforços mínimos ou mesmo em repouso, associando-se a cansaço extremo.
O doente pode estar pálido, com pouca coloração da pele e das mucosas. Pode surgir dor de cabeça e, em doentes com doença cardiovascular, é possível que se desencadeie uma angina de peito.
No entanto, em anemias que se desenvolvem ao longo de um período de tempo muito prolongado, o organismo adapta os seus sistemas a essa anemia e o doente pode ter muito poucos ou quase nenhuns sintomas, sobretudo se não pratica habitualmente exercício físico.
Quando a anemia se instala de forma muito brusca, como nas hemorragias agudas, os sintomas dependem sobretudo da perda de volume sanguíneo no interior dos vasos e podem desenvolver-se diferentes graus de colapso vascular, palidez, sudorese, taquicardia e hipotensão arterial, podendo a vida do doente ficar em risco.
Tem algum destes sintomas?
Pode ser que sofra de anemia
Quais são os tipos de anemia?
Anemia ferropénica
É a forma mais comum de anemia e é causada pela falta de ferro no organismo. O ferro é essencial para a produção de hemoglobina, uma proteína nos glóbulos vermelhos que transporta o oxigénio para os tecidos. As causas comuns de anemia ferropénica incluem uma dieta pobre em ferro, má absorção de ferro, gravidez, crescimento na infância e perda de sangue devido à menstruação ou a hemorragias internas.
Anemia megaloblástica
Este tipo de anemia ocorre quando há deficiência de vitamina B12 ou de ácido fólico, o que resulta na produção de glóbulos vermelhos maiores do que o normal e incapazes de funcionar corretamente. Pode ser causada por uma dieta inadequada, má absorção destas vitaminas ou certas doenças autoimunes.
Anemia hemolítica
A anemia hemolítica é um grupo de doenças do sangue em que os glóbulos vermelhos são destruídos mais rapidamente do que a medula óssea consegue substituí-los. As causas podem ser genéticas, como no caso da esferocitose hereditária e da anemia falciforme, ou adquiridas, como nas anemias hemolíticas autoimunes.
Anemia aplásica
É uma doença rara, mas grave, em que a medula óssea não consegue produzir glóbulos vermelhos suficientes. Pode resultar de vários fatores, incluindo certos medicamentos, radioterapia, quimioterapia e doenças autoimunes. A anemia aplásica pode ser potencialmente fatal e requer cuidados médicos urgentes.
Anemia da doença crónica
É um tipo de anemia que ocorre em pessoas com doenças com duração superior a um mês, como a infeção por VIH, o lúpus, a artrite reumatoide, a insuficiência renal ou o cancro. Estas condições podem afetar a produção de glóbulos vermelhos, resultando em anemia.
O que causa a anemia?
Os glóbulos vermelhos podem diminuir por três motivos fundamentais:
- Porque não se produzem em quantidade suficiente, como sucede nas aplasias medulares, na infiltração da medula óssea por tumores, na anemia por défice de ferro, na anemia que acompanha muitas doenças crónicas, como as reumáticas, e na anemia associada à insuficiência renal crónica.
- Porque existe um distúrbio na maturação destes glóbulos vermelhos na medula óssea onde se formam. Isto sucede em anemias associadas a défice de vitamina B12 ou de folatos, bem como noutras doenças hematológicas, como as anemias refratárias.
- Porque são destruídos ou perdidos a uma velocidade maior. Pode ser provocado pela perda aguda de sangue que ocorre em hemorragias de qualquer tipo, pela hemólise ou rutura intravascular dos glóbulos vermelhos de causa mecânica ou autoimune, e por alterações da membrana do eritrócito ou da hemoglobina, muitas delas hereditárias.
Como se diagnostica a anemia?
O diagnóstico inicial é aparentemente simples, uma vez que numa análise de rotina, ou por outros motivos, se deteta uma diminuição dos níveis de hemoglobina ou do número de glóbulos vermelhos.
No entanto, as análises não só permitem o diagnóstico de anemia, como, através do exame de uma série de características desses eritrócitos, tais como o seu tamanho ou a concentração de hemoglobina que contêm, se podem obter muitos dados que permitem iniciar o processo diagnóstico do tipo de anemia em causa.
O estudo completo, uma vez detetada a anemia, exigirá alargar o estudo analítico, examinar uma lâmina de sangue periférico e, em alguns casos, realizar um aspirado ou uma biópsia da medula óssea.
Como se trata a anemia?
É imprescindível conhecer bem o tipo de anemia para estabelecer o tratamento mais adequado
A abordagem eficaz da anemia requer uma perspetiva integrada que tenha em conta a causa subjacente, a gravidade da condição e o estado geral de saúde do doente. O principal objetivo do tratamento da anemia é aumentar a quantidade de oxigénio que o sangue consegue transportar para o organismo. Isto é alcançado aumentando a quantidade de glóbulos vermelhos ou a quantidade de hemoglobina no sangue.
Suplementos e medicamentos
Nas anemias causadas por défices de ferro, vitamina B12 ou ácido fólico, o tratamento geralmente envolve suplementos para repor os níveis deficientes destes nutrientes. Os suplementos de ferro são essenciais para a produção de hemoglobina. Nos casos de anemia por défice de vitamina B12 ou de ácido fólico, podem ser prescritos suplementos orais ou injeções.
Além disso, existem medicamentos que podem estimular a medula óssea a produzir mais glóbulos vermelhos. Estes medicamentos, como a eritropoietina, são frequentemente úteis em pessoas com certas formas de anemia, como a anemia associada à insuficiência renal crónica.
Transfusões de sangue
As transfusões de sangue podem ser uma opção terapêutica para pessoas com certos tipos de anemia grave. Estas transfusões implicam receber glóbulos vermelhos de um dador através de uma veia. Embora as transfusões possam aliviar os sintomas da anemia a curto prazo, geralmente não tratam a causa subjacente da anemia.
Terapêuticas específicas
Para as anemias causadas por doenças crónicas ou condições genéticas, o tratamento dirige-se à doença subjacente. Isto pode implicar terapêuticas medicamentosas especializadas, procedimentos cirúrgicos ou, em casos extremos, transplantes de medula óssea.
O tratamento da anemia deve ser individualizado e deve procurar-se a orientação de um profissional de saúde para determinar a abordagem mais eficaz. O adequado controlo da anemia pode melhorar significativamente a qualidade de vida e o bem-estar geral do doente. É importante recordar que qualquer tratamento deve ser supervisionado e monitorizado por um médico para garantir a sua segurança e eficácia.
O Serviço de Hematologia e Hemoterapia
da Clínica Universidad de Navarra
O Serviço de Hematologia da Clínica, constituído por especialistas de reconhecido prestígio nacional e internacional, integrou técnicas de diagnóstico molecular e a utilização de novos tratamentos personalizados na sua atividade assistencial, permitindo um diagnóstico mais preciso e rápido das doenças hematológicas.
O trabalho conjunto do corpo clínico e dos investigadores facilita o desenvolvimento e a aplicação de novos tratamentos e, simultaneamente, a avaliação rigorosa dos resultados terapêuticos.

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