Tiques
"O estudo dos tiques é relevante porque pode ser um sintoma banal e isolado ou estar associado a outras patologias."
DRA. ICÍAR AVILÉS-OLMOS
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE NEUROLOGIA

O que é um tique?
Os tiques definem-se como movimentos (tiques motores) ou sons (tiques vocais), breves, rápidos, repetitivos, estereotipados, não rítmicos e sem objetivo. Afetam sobretudo a face, o pescoço e os ombros.
Até 21% das crianças em idade escolar têm tiques, sendo mais frequentes nos rapazes. No entanto, na maioria dos casos são transitórios.
Por vezes, os tiques fazem parte da chamada síndrome de Gilles de la Tourette. Esta perturbação neurológica caracteriza-se pela presença de tiques motores e vocais, associados a perturbações do comportamento.

Quais são os sintomas dos tiques?
Os tiques motores podem ser simples ou complexos. Os simples limitam-se a movimentos que envolvem um grupo muscular específico (por exemplo, pestanejar, elevação das sobrancelhas ou dos ombros, rotação da cabeça…). Podem surgir em várias partes do corpo, embora predominem na face, no pescoço e nos ombros. Os tiques motores complexos resultam da contração sucessiva e contínua de vários grupos musculares diferentes, dando origem a movimentos mais elaborados, como contrações do abdómen ou sacudidelas e torções do pescoço e dos ombros.
Os tiques vocais consistem na emissão repetitiva de sons, sílabas ou palavras, sem objetivo comunicativo e, em geral, surgem associados a tiques motores. Os mais característicos são o pigarrear, gritos ou outros sons guturais e a sucção de ar pelo nariz.
Com frequência, os tiques motores e vocais são precedidos por tiques sensitivos, consistindo em sensações desagradáveis como comichão, formigueiro ou pressão.
Os tiques, ao contrário de outros transtornos do movimento, podem ser inibidos durante um curto período de tempo.
Em geral, aumentam de intensidade em situações de ansiedade e fadiga e diminuem ao realizar outras atividades que exigem concentração (ler, tocar um instrumento musical). Costumam surgir na infância e são frequentemente transitórios. Nos casos em que persistem, tendem a exacerbar-se na adolescência e a melhorar ou estabilizar na idade adulta.
No síndrome de Gilles de la Tourette, combinam-se tiques motores, tanto simples como complexos, com tiques vocais que incluem ecolalia (repetir o que ouvem), coprolalia (proferir palavrões ou obscenidades) ou a realização de gestos obscenos. Podem também surgir transtornos comportamentais, como o transtorno de défice de atenção e hiperatividade e o transtorno obsessivo-compulsivo.
Tem algum destes sintomas?
Pode sofrer de tiques
Quais são as causas dos tiques?
Na maioria dos casos, a causa dos tiques é desconhecida.
No síndrome de Gilles de la Tourette é frequente encontrar agregação familiar, indicando uma clara tendência genética.
Qual é o seu prognóstico?
Os tiques simples com início na infância geralmente são autolimitados e não necessitam de tratamento. Quando persistem, é frequente apresentarem um curso flutuante, melhorando em períodos de menor tensão emocional e, em geral, com a idade.
Se, pela sua intensidade, frequência ou duração, interferirem com a atividade da pessoa, recomenda-se o início de tratamento farmacológico.
Como se tratam os tiques?
O objetivo do tratamento dos tiques é o controlo sintomático nos casos em que causam problemas funcionais.
O tratamento farmacológico de eleição para os tiques inclui os neurolépticos e os fármacos depletores de catecolaminas.
O tratamento deve ser realizado de forma individualizada, em função da gravidade dos tiques e da existência de transtorno psiquiátrico associado.
Em alguns tiques, podem ser úteis as infiltrações locais com toxina botulínica.
Nos casos de tiques complexos refratários ao tratamento farmacológico, pode ser considerado o tratamento cirúrgico com estimulação cerebral profunda.
Os transtornos de comportamento costumam responder favoravelmente aos antidepressivos do tipo inibidores da recaptação da serotonina, sendo aconselhável associar terapia cognitivo-comportamental.
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