Mioclonias
«Em alguns casos, podem constituir uma manifestação clínica de uma doença neurodegenerativa.»
DRA. ROSARIO LUQUIN PIUDO
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE NEUROLOGIA

As mioclonias são movimentos involuntários, breves e rápidos, de amplitude variável, que se originam habitualmente no sistema nervoso central.
São geradas pela ativação súbita e breve de um grupo de músculos, originando um movimento em forma de abalo na região corporal afetada.
As mioclonias são semelhantes aos tiques pela sua curta duração e início súbito, mas os tiques, em geral, são mais estereotipados, são precedidos por uma sensação subjetiva de urgência ou necessidade de os realizar e, além disso, podem ser inibidos voluntariamente durante um curto período de tempo, enquanto as mioclonias não.

Quais são os sintomas das mioclonias?
Os sintomas mais frequentes são:
- Sacudidelas musculares irregulares, involuntárias, breves e rápidas, que podem afetar um pequeno grupo de músculos localizados numa zona ou segmento corporal (mioclonias focais) ou, em alternativa, afetar simultaneamente diferentes partes do corpo (mioclonias generalizadas).
- Podem surgir espontaneamente durante o repouso (mioclonias espontâneas), ao realizar um movimento (mioclonias de ação) ou de forma reflexa perante diferentes estímulos (tato, dor, estímulo luminoso).
- Em alguns casos, as mioclonias não se produzem por uma ativação muscular, mas por pausas de curta duração nessa ativação, o que provoca uma perda súbita e breve do tónus postural. É o que se denomina asterixis ou mioclonias negativas.
Tem algum destes sintomas?
Pode ser que tenha mioclonias
Como se diagnosticam as mioclonias?
Uma vez identificadas as mioclonias no exame, é importante realizar uma história clínica exaustiva orientada para identificar possíveis fatores desencadeantes ou relacionados com o processo.
O exame físico e neurológico ajudará à adequada classificação do tipo de mioclonias e à identificação de outras alterações do sistema nervoso.
Por vezes, a realização de um estudo neurofisiológico por profissionais experientes, adaptado ao doente de acordo com o seu quadro clínico, pode ajudar na orientação diagnóstica.
Habitualmente, é necessária a realização de análises para excluir problemas metabólicos ou tóxicos, bem como uma ressonância magnética cerebral quando se suspeitam outras causas. Perante uma possível origem epilética, é necessária a realização de um eletroencefalograma.
Quais são as causas?
Algumas mioclonias podem surgir em circunstâncias normais em pessoas saudáveis, como as que aparecem por vezes quando iniciamos o sono e nos despertam com um sobressalto, ou o soluço, que também é uma forma de mioclonia. São o que chamamos mioclonias fisiológicas.
Noutras ocasiões, as mioclonias podem ser uma manifestação de uma ampla variedade de processos patológicos que afetam o cérebro, o tronco cerebral, a medula espinal ou os nervos periféricos.
A causa mais frequente de mioclonias são as encefalopatias metabólicas (insuficiência renal ou hepática, alterações iónicas, hipoglicemia, hipertiroidismo) e as mioclonias de causa epilética. Em alguns casos, as mioclonias podem constituir uma manifestação clínica de uma doença neurodegenerativa, encefalopatia infeciosa ou por depósito.
As mioclonias de causa epilética incluem um grupo amplo de síndromes que podem surgir em todas as idades, com expressão variável consoante a idade de apresentação, a origem e o tipo de crises, o que condiciona o tratamento e o prognóstico de cada caso.
Alguns medicamentos de uso comum, como alguns antibióticos, antidepressivos, antiepiléticos ou antineoplásicos, podem provocar mioclonias. Também as intoxicações por alguns pesticidas ou compostos químicos podem produzi-las.
Como se tratam as mioclonias?
O tratamento será, em primeiro lugar, dirigido para a correção da causa desencadeante das mioclonias, quando possível. Caso contrário, procurar-se-á um controlo sintomático com fármacos.
Com frequência, é necessária a combinação de vários fármacos para um controlo sintomático razoável das mioclonias. Os mais eficazes são medicamentos com ação antiepilética, como o clonazepam, o valproato de sódio ou o levetiracetam.
Outros medicamentos, como o piracetam ou o 5-hidroxitriptófano, também são eficazes em determinados tipos de mioclonias.
O Departamento de Neurologia
da Clínica Universidad de Navarra
O Departamento de Neurologia tem uma vasta experiência no diagnóstico e tratamento multidisciplinar das doenças neurológicas.
Oferecemos um diagnóstico em menos de 72 h, juntamente com uma proposta de tratamento personalizado e um acompanhamento pós-consulta do doente por parte da nossa equipa de enfermagem especializada.
Dispomos da tecnologia mais avançada para um diagnóstico preciso, com equipamentos de vanguarda como o HIFU, dispositivos de estimulação cerebral profunda, video-EEG, PET e cirurgia da epilepsia, entre outras.

Porquê na Clínica?
- Assistência diagnóstica de vanguarda com forte atividade em investigação e docência.
- Equipa de enfermagem especializada.
- Trabalhamos em estreita articulação com a Unidade do Sono.