Epilepsia

"A epilepsia pode afetar diferentes aspetos da vida dos pacientes. Por isso, requer uma atenção integral e multidisciplinar por parte de profissionais especializados."

DR. ASIER GÓMEZ IBÁÑEZ
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE NEUROLOGIA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em neurologia. Clínica Universidade de Navarra

A epilepsia é um grupo de doenças que afetam o sistema nervoso central, cuja manifestação clínica habitual é a ocorrência de crises epilépticas. Estas resultam de uma descarga elétrica anormal dos neurónios no córtex cerebral. Aproximadamente 70% delas são bem controladas com os fármacos antiepilépticos.

Esta patologia afeta indivíduos de todas as idades, embora a incidência seja maior nos primeiros anos de vida e na terceira idade. Calcula-se que afete cerca de 1 em cada 100 pessoas, com aproximadamente 500.000 pessoas afetadas em Espanha, segundo estudos recentes.

A Clínica Universidad de Navarra conta com uma Unidade especializada em Epilepsia, composta por especialistas de diferentes áreas e com os métodos diagnósticos mais específicos, modernos e precisos: eletroencefalograma (EEG), unidade de monitorização com vídeo-EEG, ressonância magnética (RM) cerebral de alto campo (3T) e outras provas como a PET ou SPECT.

O tratamento farmacológico da epilepsia pode durar vários anos e pode exigir ajustamentos até se atingir o máximo benefício terapêutico com o mínimo de efeitos adversos. Por este motivo, deve ser supervisionado por um especialista em epilepsia.

Se a epilepsia se mostrar resistente ou refratária aos fármacos, existem outras alternativas complementares, como o tratamento cirúrgico mediante ressecção da área cerebral que produz as crises (cirurgia ressectiva), a colocação de dispositivos eletrónicos (cirurgia funcional) ou a administração de dieta cetogénica.

Quais são os sintomas da epilepsia?

A epilepsia manifesta-se habitualmente por crises epiléticas espontâneas.

A apresentação clínica é muito variável: desde perda de consciência com convulsões (a forma mais conhecida e perigosa) até sintomas motores, sensitivos, visuais ou psíquicos, sem alteração do nível de consciência. A duração habitual é de cerca de 1 a 5 minutos.

Consoante a localização dos neurónios que produzem as crises, podemos classificar a epilepsia em focal (um grupo delimitado de neurónios) ou generalizada (atinge simultaneamente todos os neurónios).

Tem algum destes sintomas?

É possível que sofra de epilepsia

Quais são as causas da epilepsia?

O fator mais determinante para o prognóstico e o controlo da epilepsia é a causa que a origina. Os três grandes grupos em que a dividimos são:

1. Causa genética (conhecida ou presumida), também denominada “idiopática”. Resulta de alterações genéticas e é habitual existirem outros membros da família afetados.

2. Causa estrutural. A epilepsia surge como consequência de uma lesão identificável no cérebro: traumatismo, AVC e outras lesões vasculares, tumor, infeção, inflamação, malformações congénitas do córtex cerebral, doenças neurodegenerativas, etc.

3. Causa desconhecida. Nestes casos, não se consegue determinar a causa da epilepsia; habitualmente, trata-se de lesões estruturais microscópicas.

Algumas causas são particularmente importantes em idades específicas:

  • As epilepsias de causa genética costumam surgir nas duas primeiras fases da vida.
  • Os traumatismos afetam sobretudo adultos jovens.
  • Os tumores cerebrais podem manifestar-se como epilepsia em qualquer idade, com predominância em adultos entre os 40 e os 50 anos.
  • As doenças vasculares cerebrais e as doenças neurodegenerativas são causas frequentes de epilepsia na terceira idade.

Qual é o prognóstico da epilepsia?

Em geral, 70% das pessoas com diagnóstico de epilepsia estão bem controladas. No entanto, esta percentagem depende do tipo de epilepsia.

As epilepsias generalizadas de provável origem genética, como a ausência infantil ou as crises tónico-clónicas ao despertar, têm um prognóstico muito bom, praticamente desaparecendo na idade adulta e permitindo, em alguns casos, a suspensão da medicação.

As epilepsias focais também podem ser controladas de forma adequada. Embora seja menos provável retirar totalmente a medicação, podem manter-se controladas com doses mínimas de fármacos e sem efeitos secundários.

Como se diagnostica a epilepsia?

A base do diagnóstico de epilepsia é uma história clínica minuciosa, obtida tanto junto do doente como de testemunhas das crises.

Além disso, recorre-se a vários exames complementares:

1. Eletroencefalograma (EEG). É um exame específico para o diagnóstico, pois permite analisar a atividade cerebral em tempo real. É útil para confirmar a suspeita de epilepsia, mas um EEG normal não exclui o diagnóstico.

Uma variante mais complexa e muito útil é a monitorização contínua com vídeo-EEG. Este sistema regista a imagem do doente em sincronia com o registo digital da atividade eletroencefalográfica, permitindo diferenciar crises epiléticas de outros episódios não epiléticos e localizar a zona do cérebro que origina as crises. Para tal, os doentes são internados durante vários dias num quarto especialmente preparado. Este estudo está indicado para o diagnóstico e a classificação das crises e para o estudo pré-cirúrgico em doentes candidatos a cirurgia.

2. Ressonância magnética (RM) cerebral. É um exame radiológico que não emite radiação e permite identificar lesões cerebrais causadoras de epilepsia.

3. PET/SPECT. São exames de Medicina Nuclear utilizados em epilepsias complexas, que ajudam a localizar as áreas cerebrais que originam as crises.

Além disso, em muitos casos, as pessoas com epilepsia apresentam outros problemas associados, como disfunção cognitiva, especialmente perda de memória. Para identificar e abordar esta questão, é importante realizar uma avaliação neuropsicológica por especialistas.

Como se trata a epilepsia?

O primeiro passo é sempre o tratamento farmacológico, uma vez confirmado o diagnóstico. Deve ser acompanhado por orientações de estilo de vida adequadas, sobretudo manter uma boa higiene do sono e evitar substâncias tóxicas.

O tratamento antiepilético deve ser administrado durante um período mais ou menos prolongado e não está isento de efeitos adversos. Algumas formas de epilepsia respondem favoravelmente a tratamento cirúrgico precoce, evitando anos de tentativas infrutíferas com múltiplos medicamentos.

Existem numerosos fármacos antiepiléticos eficazes. A escolha depende do tipo de epilepsia e do equilíbrio entre máxima eficácia e mínimos efeitos adversos.

O tratamento deve ser acompanhado periodicamente. A sua duração dependerá de vários fatores que podem diminuir ou aumentar o risco de recaída ao suspender a medicação. Por isso, qualquer alteração deve ser sempre feita sob supervisão do especialista.

O desenvolvimento das técnicas cirúrgicas abriu novas possibilidades de cura para alguns casos que não respondem bem à medicação.

A cirurgia é considerada quando a epilepsia não responde aos tratamentos farmacológicos. Isto acontece em cerca de 30% das pessoas com epilepsia, das quais 5–10% são candidatas a cirurgia.

Este tratamento exige um centro hospitalar altamente especializado, uma vez que é necessária colaboração interdepartamental entre neurologistas, neurofisiologistas, neurocirurgiões, etc.

Existem, fundamentalmente, dois tipos de cirurgia:

Cirurgia ressetiva
Consiste em remover a parte do tecido cerebral que origina as crises epiléticas. Só é possível em epilepsias focais. Se a indicação for adequada após o estudo pré-cirúrgico, a expectativa de melhoria e até de ausência de crises é elevada.

Cirurgia funcional
Pode ser realizada quando não é possível uma cirurgia ressetiva. Consiste em desconectar cirurgicamente as áreas cerebrais envolvidas na origem e propagação das crises (calosotomia, hemisferectomia) ou em colocar dispositivos eletrónicos que emitem impulsos elétricos ao cérebro para reduzir a atividade epileptiforme (estimulador do nervo vago).

Caso não se considere a opção cirúrgica, existem outras formas de tratamento adicionais aos fármacos, como a dieta cetogénica. Esta consiste em administrar uma dieta rica em gorduras e pobre em proteínas e hidratos de carbono, que demonstrou eficácia em alguns doentes resistentes a fármacos. Isto é feito com o apoio de uma equipa de nutricionistas, que orienta continuamente os doentes e as famílias sobre os alimentos a ingerir, garantindo também que a pessoa recebe os nutrientes necessários.

Por fim, existe a possibilidade de participar num ensaio clínico com fármacos inovadores em fase de desenvolvimento.

O Departamento de Neurologia
da Clínica Universidad de Navarra

O Departamento de Neurologia tem uma vasta experiência no diagnóstico e tratamento multidisciplinar das doenças neurológicas.

Oferecemos um diagnóstico em menos de 72 h, juntamente com uma proposta de tratamento personalizado e um acompanhamento pós-consulta do doente por parte da nossa equipa de enfermagem especializada.

Dispomos da tecnologia mais avançada para um diagnóstico preciso, com equipamentos de vanguarda como o HIFU, dispositivos de estimulação cerebral profunda, video-EEG, PET e cirurgia da epilepsia, entre outras.

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

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