Autismo. Perturbação do Espetro do Autismo

"A possibilidade de acesso a serviços educativos, pedagógicos e de apoio tem um efeito benéfico, uma vez que até as crianças com autismo mais severo têm capacidade para aprender algumas competências adaptativas."

DRA. ROCÍO SÁNCHEZ-CARPINTERO ABAD
DIRETOR. UNIDADE DE NEUROPEDIATRIA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento da Pediatrics. Clínica Universidade de Navarra

O que é o autismo?

A Perturbação do Espetro do Autismo (PEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a forma como uma pessoa percebe e se relaciona com o mundo.

Carateriza-se por dificuldades na comunicação e na interação social, bem como por padrões de comportamento, interesses ou atividades restritos e repetitivos.

O termo “espetro” reflete a grande variabilidade na apresentação e na gravidade dos sintomas.

Sintomas do autismo

Os sinais de autismo costumam manifestar-se nos primeiros 24 meses de vida, embora possam variar significativamente entre crianças.

Dificuldades na interação social

Algumas incluem evitar o contacto visual, não responder ao nome, preferir brincar sozinho ou mostrar alguma indiferença relativamente à brincadeira com outras crianças.

Problemas na comunicação

Podem variar desde a ausência de linguagem até dificuldades em iniciar ou manter uma conversa, utilização de linguagem repetitiva (ecolalia) ou interpretação literal da linguagem.

Comportamentos repetitivos ou interesses restritos

Como movimentos repetitivos (agitar as mãos, balançar), adesão estrita a rotinas ou rituais e uma fixação intensa em temas ou objetos específicos.

Reações invulgares a estímulos sensoriais

Como hipersensibilidade ou hipossensibilidade a sons, luzes, texturas ou sabores. 

Tem algum destes sintomas?

Se suspeitar que apresenta algum dos sintomas mencionados,
deve consultar um especialista médico para diagnóstico.

Quais são as causas do autismo?

As causas exatas do TEA não são completamente conhecidas, mas reconhece-se que existem múltiplos fatores que contribuem para o seu desenvolvimento: 

  • Genéticos: Foram identificadas numerosas variações genéticas associadas ao TEA. 
  • Neurobiológicos: Estudos de neuroimagem mostraram diferenças na estrutura e na função cerebral de pessoas com TEA, incluindo alterações em áreas relacionadas com a comunicação e a interação social. No entanto, só são detetadas quando se analisam grupos extensos de doentes homogéneos. A neuroimagem não é útil para o diagnóstico individual, pois é frequentemente normal.
  • Ambientais: Fatores pré-natais e perinatais, como infeções durante a gravidez ou complicações no parto, podem aumentar o risco de desenvolver TEA, embora não sejam o único fator causal.

Qual é o prognóstico do autismo?

O prognóstico do TEA varia amplamente, dependendo de fatores como a gravidade dos sintomas, a presença de deficiência intelectual, o desenvolvimento da linguagem e a intervenção precoce. Embora o TEA seja uma condição para toda a vida, muitas pessoas podem melhorar de forma significativa com o apoio adequado.

Alguns indicadores de melhor prognóstico incluem:

  • Diagnóstico e intervenção precoces: A deteção e o tratamento em idades precoces estão associados a melhores resultados no desenvolvimento.
  • Desenvolvimento de linguagem funcional antes dos 5 anos.
  • Quociente de inteligência dentro da média ou superior.
  • Competências sociais adaptativas.
  • É importante salientar que cada pessoa com TEA é única e muitas podem levar uma vida plena e satisfatória com o apoio adequado.

Como se diagnostica o autismo?

O diagnóstico do autismo baseia-se na observação clínica do comportamento e do desenvolvimento da criança. Utilizam-se instrumentos como o ADOS-2, o mais validado, que deve ser aplicado por um profissional especializado: neuropediatra, psiquiatra da infância e adolescência ou psicólogo clínico.

Seguem-se critérios de manuais como o DSM-5, que exige sintomas na interação social, na comunicação e em comportamentos repetitivos, tendo em conta a idade. Recomendam-se também avaliações auditivas, visuais, neurológicas e de biologia molecular para excluir outras condições.

Tratamento do autismo

Não existe cura para o TEA, mas diversas intervenções podem melhorar significativamente a qualidade de vida das pessoas com esta condição:

Terapias comportamentais: modelos de intervenção social interativos para ajudar no desenvolvimento de competências sociais, comunicativas e académicas.

Terapias da fala e ocupacionais: para melhorar a comunicação e as competências da vida diária e a sensibilidade sensorial.

Intervenções educativas especializadas: programas estruturados adaptados às necessidades individuais.

Apoio familiar e psicoeducação: para capacitar os cuidadores com estratégias eficazes de gestão e apoio.

Medicação: em alguns casos, podem utilizar-se fármacos para tratar sintomas associados, como ansiedade, hiperatividade ou irritabilidade.

A abordagem terapêutica deve ser individualizada, considerando os pontos fortes e as necessidades específicas de cada pessoa.

Em suma, o Transtorno do Espectro do Autismo é uma condição complexa e diversa que requer compreensão, aceitação, intervenção e apoio. Com intervenções adequadas e um ambiente inclusivo, as pessoas com TEA podem atingir o seu máximo potencial e contribuir de forma significativa para a sociedade.

A Unidade de Neuropediatria
da Clínica Universidad de Navarra

A Unidade integra o Departamento de Pediatria e trabalha em estreita articulação com especialistas de outros departamentos, para oferecer cuidados integrados à criança e ao adolescente com fatores de risco ou com doenças que afetam o sistema nervoso central e o sistema neuromuscular.

É constituída por uma equipa de especialistas em neuropediatria e de psicopedagogos.

Doenças que tratamos

  • Desenvolvimento precoce e os seus desvios.
  • Perturbações do controlo motor.
  • Perturbações globais do desenvolvimento. Autismo.
  • Epilepsia na criança. Síndrome de Dravet.
  • Perturbações do sono.
  • Perturbação de défice de atenção e hiperatividade. TDAH.
Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

Porquê na Clínica?

  • Trabalho em equipa para oferecer uma avaliação em 24 horas.
  • Maior experiência a nível nacional na Síndrome de Dravet.