Amigdalite

"A cirurgia está indicada quando os episódios de amigdalite são tão frequentes ou graves que acabam por afetar a saúde geral da criança."

DR. FRANCISCO JAVIER CERVERA PAZ
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE OTORRINOLARINGOLOGIA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em otorrinolaringologia. Clínica Universidade de Navarra

O que é a amigdalite?

A amigdalite, também conhecida como faringoamigdalite aguda (FAA), é a inflamação das amígdalas, duas pequenas massas de tecido situadas em ambos os lados da parte posterior da garganta. Trata-se de um processo inflamatório que geralmente dura menos de sete dias e que frequentemente se acompanha de dor de garganta, febre, dificuldade em engolir e sensação de mal-estar geral. É uma afecção muito comum, sobretudo em crianças e adolescentes, e pode ser causada tanto por vírus (a causa mais habitual) como por bactérias.

As amígdalas fazem parte do sistema imunitário e atuam como uma primeira linha de defesa contra os germes que entram pela boca. A sua função consiste em captar bactérias e vírus para impedir que provoquem doenças. Precisamente devido a esta função de “filtro”, são especialmente vulneráveis à infeção e à inflamação. Quando isto ocorre, o tecido incha como resposta natural do organismo, originando os sintomas característicos da doença. Com a chegada da puberdade, a função imunológica das amígdalas diminui, o que explica que os adultos tenham menos episódios de amigdalite do que as crianças.

Na Clínica Universidad de Navarra, o nosso Departamento de Otorrinolaringología é especializado no diagnóstico e tratamento desta e de outras doenças da garganta, do ouvido e do nariz. Contamos com uma equipa de especialistas e tecnologia avançada que nos permite oferecer uma abordagem personalizada para cada doente, garantindo cuidados médicos de excelência e confiança.

Quais são os sintomas da amigdalite?

A amigdalite manifesta-se por um conjunto de sinais e sintomas característicos, embora a intensidade possa variar consoante a causa (viral ou bacteriana) e a idade do doente. Os sintomas surgem geralmente de forma súbita e, na maioria dos casos, duram entre 3 e 4 dias. É importante saber que não é possível distinguir com segurança se a causa é viral ou bacteriana apenas pela clínica, uma vez que os sintomas tendem a sobrepor-se.

Sintomas comuns

Os mais frequentes, tanto em crianças como em adultos, são:

  • Dor de garganta, que pode variar de ligeiro incómodo a dor intensa.
  • Febre, habitualmente superior a 38 °C.
  • Dificuldade ou dor ao engolir (odinofagia/disfagia).
  • Amígdalas vermelhas e inflamadas, por vezes com placas esbranquiçadas ou amareladas.
  • Gânglios linfáticos do pescoço aumentados e dolorosos.
  • Outros sintomas gerais, como cansaço, dor de cabeça, mau hálito ou dor de ouvido.

Sintomas em crianças e adultos

Embora a maioria das manifestações seja semelhante, existem algumas diferenças:

Em crianças:

  • Maior frequência de sintomas digestivos, como dor abdominal, náuseas ou vómitos.
  • Em crianças pequenas, pode observar-se recusa alimentar, irritabilidade ou baba excessiva.

Em adultos:

  • Quando a causa é viral, costuma surgir associada a sintomas de constipação, como tosse ou congestão nasal.
  • Em casos pouco frequentes, pode complicar-se com um abcesso periamigdaliano, que provoca dor unilateral intensa, dificuldade em abrir a boca e voz abafada.

Sinais de alarme que requerem assistência médica imediata

Na maioria dos casos, a amigdalite evolui sem complicações, mas deve procurar assistência médica urgente se você ou o seu filho apresentarem:

  • Dificuldade em respirar ou engolir.
  • Baba excessiva, sobretudo em crianças.
  • Dor de garganta muito intensa que impede comer ou beber.
  • Incapacidade de abrir a boca (trismo).
  • Inchaço visível na boca ou no pescoço.
  • Voz abafada ou anasalada.

Estes sinais podem indicar complicações graves, como um abcesso periamigdaliano ou uma infeção profunda do pescoço, que requerem assistência médica urgente.

Tem algum destes sintomas?

Se suspeitar que apresenta algum dos sintomas mencionados,
deve consultar um especialista médico para diagnóstico

Quais são as causas da amigdalite?

A amigdalite é uma infeção das amígdalas causada por vírus ou bactérias. Estes microrganismos são contagiosos e transmitem-se facilmente ao tossir, espirrar, falar, beijar, partilhar alimentos ou tocar em superfícies contaminadas.

As infeções virais são a causa mais frequente, especialmente em crianças pequenas. Costumam acompanhar-se de sintomas de constipação, como tosse, congestão nasal, febrícula ou dores musculares. Entre os vírus mais comuns incluem-se os adenovírus (responsáveis pela “febre faringoconjuntival”), o vírus Epstein-Barr (mononucleose infeciosa em adolescentes) e outros, como rinovírus, gripe, vírus sincicial respiratório e Coxsackie A.

As infeções bacterianas, embora menos frequentes, tendem a provocar um início mais brusco, com febre alta, dor intensa e placas nas amígdalas. O principal agente é o Streptococcus pyogenes, conhecido como “faringite estreptocócica”. Um diagnóstico e tratamento corretos são essenciais para evitar complicações, como a febre reumática. Outras bactérias também podem causá-la, embora com menor frequência.

Tipos de amigdalite

A amigdalite pode classificar-se de acordo com a frequência e duração dos episódios. Reconhecer o tipo é importante para orientar o tratamento mais adequado.

Amigdalite aguda

É a forma mais comum. Dura menos de uma semana e costuma surgir de forma súbita. Pode ser causada por vírus (na maioria dos casos) ou por bactérias, como o Streptococcus pyogenes. Os sintomas incluem dor de garganta, febre, dificuldade em engolir, amígdalas inflamadas e, em alguns casos, vómitos em crianças. O tratamento depende da causa: medidas de alívio e repouso nas infeções virais e antibióticos nas bacterianas.

Amigdalite crónica

Caracteriza-se por uma inflamação persistente das amígdalas, que pode causar desconforto contínuo, infeções repetidas ou problemas como apneia do sono. Em casos graves, pode recomendar-se a amigdalectomia (cirurgia para remover as amígdalas).

Amigdalite recorrente

Define-se por episódios repetidos de amigdalite aguda, separados por períodos sem sintomas. Se os episódios forem muito frequentes e afetarem a qualidade de vida, o especialista pode indicar uma amigdalectomia. Este procedimento procura reduzir significativamente as recidivas e melhorar o bem-estar do doente.

Como se diagnostica a amigdalite?

O diagnóstico de amigdalite procura distinguir se a causa é viral ou bacteriana, pois o tratamento é diferente. Para isso, o médico baseia-se na observação clínica e, quando necessário, em exames específicos.

Observação clínica

O médico examina a garganta para detetar vermelhidão, placas ou inchaço das amígdalas, palpa o pescoço para verificar se existem gânglios aumentados e avalia outros sintomas associados. A ausência de tosse, por exemplo, pode sugerir uma causa bacteriana.

Testes rápidos para estreptococo

O chamado Strep A test é feito com uma zaragatoa na garganta e fornece resultados em poucos minutos. Um resultado positivo confirma infeção bacteriana e permite iniciar antibióticos com segurança.

Cultura faríngea

É o exame de referência e consiste em analisar, em laboratório, a amostra colhida da garganta. A principal vantagem é a elevada precisão, embora demore 24 a 48 horas a obter resultado.

Diagnóstico diferencial

Alguns sintomas podem confundir-se com outras doenças, como mononucleose infeciosa, abcesso periamigdaliano ou quadros virais como gripe ou herpangina. Por isso, em caso de dúvida, podem ser solicitados exames adicionais.

Como se trata a amigdalite?

A abordagem terapêutica depende diretamente da causa da infeção, seja viral ou bacteriana.

Tratamento da amigdalite viral

A maioria dos casos de amigdalite é causada por vírus (até 70%). Nestas situações, os antibióticos não são eficazes e o tratamento centra-se no alívio dos sintomas. A amigdalite viral costuma melhorar espontaneamente em 7 a 10 dias.

O controlo sintomático inclui:

  • Analgésicos e anti-inflamatórios: ajudam a controlar a dor de garganta e a febre.
  • Repouso: favorece a recuperação do organismo.
  • Hidratação: beber bastante água e líquidos para manter a garganta húmida e evitar desidratação.
  • Cuidados de apoio: tomar bebidas mornas, ingerir alimentos frios, fazer gargarejos com água salgada (quem o conseguir fazer) e usar humidificadores para aliviar a irritação da garganta.

Não se devem prescrever antibióticos se se suspeitar de causa viral.

Tratamento da amigdalite bacteriana (antibióticos)

Quando a amigdalite é causada por infeção bacteriana, principalmente por Streptococcus pyogenes (estreptococo do grupo A), o tratamento de eleição são os antibióticos. A indicação baseia-se na avaliação clínica pelas escalas de Centor ou McIsaac (pontuação ≥3) e, preferencialmente, na confirmação por teste rápido de antigénio (Strep A test). Na ausência do teste, o médico pode iniciar tratamento com base na pontuação clínica.

Os antibióticos recomendados são:

  • Primeira escolha: a penicilina é o fármaco de referência pela sua eficácia, baixo custo e porque o estreptococo continua sensível a ela. A amoxicilina é uma alternativa igualmente recomendada, sobretudo em crianças, por ter melhor sabor em suspensão e permitir tomas de 1-2 vezes ao dia.
  • Duração: recomenda-se completar 10 dias de tratamento com penicilina ou amoxicilina, para assegurar erradicação bacteriana e prevenir complicações como febre reumática.
  • Alternativas em alérgicos à penicilina: em reações ligeiras e tardias, podem usar-se cefalosporinas de 1.ª geração (como cefadroxil). Em alergias graves ou imediatas, indicam-se antibióticos não betalactâmicos, como macrólidos (josamicina, claritromicina, azitromicina) ou clindamicina.

É fundamental completar todo o ciclo de antibióticos, mesmo que os sintomas melhorem antes, para evitar recaídas, complicações ou disseminação da infeção.

Cuidados gerais em casa

Além do tratamento médico indicado pelo especialista, existem medidas de apoio em casa que ajudam a aliviar os sintomas da amigdalite e favorecem uma recuperação mais rápida:

  • Descanso: é essencial permitir que o organismo recupere. Dormir o suficiente e evitar esforços acelera a melhoria.
  • Hidratação: beber bastantes líquidos, sobretudo água, infusões sem cafeína ou caldos mornos, ajuda a manter a garganta húmida e a reduzir a irritação.
  • Gargarejos com água salgada: em adultos e crianças mais velhas que o consigam fazer em segurança, gargarejos com água morna e sal podem aliviar a dor de garganta.
  • Pastilhas e sprays para a garganta: algumas pastilhas com anestésicos locais ou anti-inflamatórios podem proporcionar alívio temporário da dor e inflamação.
  • Humidificar o ar: usar um humidificador de ar frio ou inalar vapor num banho fechado pode reduzir a secura e irritação da garganta.
  • Evitar irritantes: é importante evitar fumo do tabaco e o contacto com produtos químicos ou de limpeza que possam agravar a irritação.

Cirurgia: amigdalectomia (indicações e recuperação)

A amigdalectomia é a cirurgia para remover as amígdalas. Não é um tratamento de primeira linha e só é recomendada em casos específicos em que outros tratamentos não foram suficientes. Quando está indicada, é uma opção altamente eficaz para prevenir novos episódios e melhorar a qualidade de vida do doente.

Indicações para a amigdalectomia

  • Amigdalite recorrente: é a causa mais frequente de indicação cirúrgica. Costumam aplicar-se os critérios de Paradise:
    • Sete ou mais episódios no último ano.
    • Cinco ou mais episódios por ano durante dois anos consecutivos.
    • Três ou mais episódios por ano durante três anos consecutivos.
  • Complicações: também pode ser recomendada quando a amigdalite causa problemas difíceis de controlar, como:
    • Apneia obstrutiva do sono.
    • Dificuldade em respirar ou engolir.
    • Abcesso periamigdaliano recorrente ou que não melhora com antibióticos.
    • Convulsões febris repetidas associadas à infeção.

Recuperação

A amigdalectomia é habitualmente realizada em regime de ambulatório, o que significa que o doente pode regressar a casa no mesmo dia da cirurgia. A recuperação completa demora entre 7 e 14 dias. Durante este período, é fundamental um controlo adequado da dor, uma vez que se trata de uma das intervenções mais dolorosas em otorrinolaringologia. Uma boa hidratação, repouso e o cumprimento das indicações médicas são fundamentais para uma recuperação segura.

O Departamento de Otorrinolaringologia
da Clínica Universidad de Navarra

O Departamento de Otorrinolaringologia da Clínica Universidad de Navarra é uma referência nacional e mundial em numerosos procedimentos cirúrgicos altamente especializados.

Dispomos da mais recente tecnologia e realizamos todos os exames de diagnóstico em menos de 48 horas, para oferecer aos nossos doentes a melhor solução no menor tempo possível.

Fomos dos primeiros centros de Espanha a utilizar cirurgia robótica no tratamento cirúrgico com o sistema Da Vinci®. 

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  • Faringologia - Garganta.
  • Laringologia - Voz.
  • Perturbações do equilíbrio.
  • Problemas de cabeça e pescoço.
Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

Porquê na Clínica?

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