Alergias

"Atualmente dispomos de uma nova via de imunoterapia, especialmente útil em crianças, que consiste na aplicação de gotas debaixo da língua. Evitam-se assim as injeções e o tratamento pode ser administrado em casa."

DRA. MARTA FERRER PUGA
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE ALERGOLOGÍA E IMUNOLOGÍA CLÍNICA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento de alergias. Clínica Universidade de Navarra

O que é a alergia?

A reação alérgica consiste em o nosso organismo percecionar como nociva uma substância que não o é (alergénio). Este contacto desencadeia uma resposta imunológica exagerada que se manifesta em vários órgãos do corpo.

Os alergénios mais frequentes são: pólenes, ácaros, epitelios de animais, fungos, picadas de vespas e abelhas, alimentos e alguns medicamentos.

O alergénio pode entrar em contacto com o organismo de diversas formas: inalado pelo nariz ou pela boca, ingerido (alimentos ou certos fármacos), injetado (medicamentos ou picadas de insetos) ou por contacto com a pele (neste caso, geralmente são substâncias químicas que provocam uma dermatite ou eczema de contacto).

Ficou demonstrado que a imunoterapia evita que a alergia se agrave e passe de uma simples rinite a desenvolver asma. As vacinas evoluíram muito nos últimos anos: os esquemas de administração são mais rápidos e os extratos alergénicos utilizados estão melhor estandardizados ou até contêm um único ou poucos alergénios purificados. As vacinas são especialmente eficazes nas crianças.

Quais são os sintomas das alergias?

Por ordem de frequência e de menor para maior gravidade, em primeiro lugar, podem provocar uma rinite ou rinoconjuntivite, que se manifesta por comichão no nariz e nos olhos, corrimento nasal aquoso, espirros, nariz entupido, lacrimejo e vermelhidão dos olhos, etc.

Em segundo lugar, asma brônquica. Não se deve esquecer que 80% de todos os asmáticos o são por causa alérgica. A asma pode manifestar-se inicialmente com tosse seca, sobretudo desencadeada por exercício, riso ou fumo do tabaco. Mais tarde surge dificuldade em respirar, ruídos torácicos (pieira ou assobios), sensação de aperto no peito. Também pode manifestar-se apenas durante esforços, por exemplo, ao subir escadas, obrigando-nos a parar por falta de ar.

Os sintomas mais habituais são:

  • Congestão nasal
  • Rinorreia (aumento da mucosidade nasal)
  • Espirros
  • Lacrimejo e vermelhidão dos olhos
  • Tosse seca
  • Pieira no peito ao respirar
  • Dificuldade respiratória

Tem algum destes sintomas?

Pode ter alergia a alguma substância

Como se diagnosticam as alergias?

Varios frascos para la realización de pruebas cutáneas en el diagnóstico de alergias.

O diagnóstico das alergias é realizado através de um teste cutâneo, com o objetivo de reproduzir na pele a reação que ocorre noutras partes do organismo. Consiste em aplicar na pele do braço gotas que contêm o alergénio ao qual podemos ser sensíveis. Com uma pequena lanceta, atravessa-se a pele e introduzem-se as gotas com o alergénio. Observa-se a reação aos 15-20 minutos.

Além disso, é possível realizar análises ao sangue, o que permite demonstrar, de forma mais precisa, a presença de anticorpos específicos (por exemplo, contra o pólen da gramínea timóteo/Phleum pratense) e quantificá-los. Atualmente, é possível ser ainda mais preciso e detetar a que proteínas do pólen da gramínea o doente é alérgico. Isto é o chamado diagnóstico molecular, que ajuda a instituir tratamentos mais eficazes e seguros, bem como a dar recomendações mais individualizadas a cada doente.

No caso de alimentos ou medicamentos, por vezes realiza-se uma prova de exposição controlada, observando, sob supervisão médica, a reação após a ingestão, procurando quase sempre comprovar a boa tolerância. Para diagnosticar asma brônquica realizam-se testes de função respiratória (espirometria, medição do óxido nítrico, provas de esforço, oscilometria).

Como se tratam as alergias?

A nossa Unidade de Imunoterapia é constituída por médicos e enfermeiros com vasta experiência neste tratamento

A primeira medida e a mais eficaz é evitar o contacto com o alergénio. Para isso, existem recomendações específicas. 

Em segundo lugar, existe medicação muito eficaz no controlo dos sintomas, como os anti-histamínicos — atualmente também disponíveis em colírios e sprays/gotas nasais —; corticóides tópicos — inalados pela boca ou pelo nariz que, ao contrário dos corticóides tomados por via oral, quase não são absorvidos pelo organismo e, por isso, não têm efeitos sistémicos —; e outros fármacos.

É importante saber que todos estes tratamentos melhoram e controlam os sintomas, mas não curam a alergia. Atualmente, só existe um tratamento capaz de induzir tolerância ao alergénio: a imunoterapia (vacinas).

A imunoterapia consiste em injeções de doses mínimas do alergénio, repetidas durante um período de 3 a 5 anos.

Ao fim desse tempo, a vacina consegue, numa elevada percentagem de pessoas, que o organismo deixe de reconhecer essa substância como nociva e, por isso, não se produza a reação alérgica ou esta diminua significativamente.

É particularmente eficaz no tratamento de doentes alérgicos a picadas de vespa ou abelha. Também é benéfica para doentes com sintomas nasais e/ou asma por alergia a pólens, ácaros, fungos ou epitélios de animais.

Pelo risco de produzir reações do tipo alérgico, inferior a 5%, é administrada em Unidades de Imunoterapia, constituídas por pessoal médico e de enfermagem com experiência suficiente para a gestão destes tratamentos.

Para o tratamento de doentes alérgicos a alimentos utilizam-se diferentes estratégias:

  • Dessensibilizações: consiste em introduzir, de forma lenta, progressiva e controlada por especialistas, o alimento ao qual o doente é alérgico (leite, ovo, um fruto seco, peixe, etc.). É um processo prolongado e com risco de reações. 
  • Imunoterapia oral: é o equivalente às vacinas para a alergia respiratória, mas administrada por via oral. Está em fase de investigação e, no nosso Hospital, estamos a desenvolver um ensaio clínico com uma vacina para a alergia ao amendoim.
Nos últimos anos, têm sido desenvolvidos vários medicamentos (anticorpos monoclonais) dirigidos a travar um determinado elemento ou célula do sistema imunitário. São medicamentos muito eficazes, na sua maioria administrados por injeção subcutânea, mas são dispendiosos e utilizam-se em doenças graves. Existem tratamentos aprovados para tratar diferentes doenças: asma, polipose nasal, dermatite atópica, urticária crónica, esofagite eosinofílica, etc.

Departamento de Alergologia
da Clínica Universidad de Navarra

O Departamento de Alergologia e Imunologia da Clínica integra a Global Allergy and Asthma European Network, composta pelos 25 melhores departamentos de Alergologia da Europa, selecionados pela sua excelência científica, trabalho multidisciplinar, atividade docente e projeção internacional.

Dispomos das técnicas de diagnóstico mais avançadas, estamos na vanguarda da investigação e colaboramos com os melhores especialistas. Contamos com mais de 50 anos de experiência assistencial.

Que doenças tratamos?

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

Porquê na Clínica?

  • Mais de 60 anos de experiência.
  • Pioneiros na técnica de diagnóstico molecular por microarray.
  • Enfermagem especializada em doenças alérgicas e nos seus cuidados.