Anorexia nervosa

"É muito importante que os pais procurem o médico, pois os doentes muitas vezes negam os sintomas e tentam ocultar a gravidade do problema."

DRA. AZUCENA DÍEZ SUÁREZ
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE PSIQUIATRIA E PSICOLOGIA CLÍNICA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em psiquiatria. Clínica Universidade de Navarra

A anorexia nervosa é uma perturbação do comportamento alimentar que se caracteriza por uma restrição da ingestão de alimentos, o que dá origem a uma considerável perda de peso que se mantém abaixo do mínimo expectável para a idade, sexo ou desenvolvimento evolutivo de cada doente, podendo, em alguns casos, conduzir a um estado de grave desnutrição.

Esta perda de peso é provocada pela própria doente, através de uma diminuição da ingestão de alimentos que se acompanha frequentemente de comportamentos destinados a perder peso: autoinduzir o vómito, uso ou abuso de laxantes e diuréticos ou prática de exercício físico intenso.

Na maioria das vezes, estes casos são tratados em consultas externas, embora, nalguns casos mais graves, seja necessária a hospitalização para realimentação ou estabilização de problemas médicos (desnutrição, desidratação).

Quais são os sintomas da anorexia nervosa?

Os principais sintomas da anorexia nervosa são:

  • Medo intenso de ganhar peso.
  • Distorção da imagem corporal ou ver-se gorda apesar de estar muito magra.
  • Redução do peso abaixo do normal, podendo evoluir para malnutrição.
  • Como consequência do emagrecimento extremo, surgem alguns sinais físicos, como pele seca e áspera, queda de cabelo, perda da menstruação durante pelo menos 3 ciclos consecutivos.
  • Sintomas psicopatológicos, como estados de tristeza, angústia, irritabilidade ou isolamento social.
  • A personalidade destas doentes é frequentemente marcada por perfeccionismo e autoexigência, acompanhados de baixa autoestima.

Quais são os sintomas mais habituais?

  • Distorção da imagem corporal.
  • Malnutrição.
  • Alterações digestivas
  • Défice de cálcio
  • Alterações bioquímicas no sangue

Além disso, existem os chamados transtornos do comportamento alimentar não especificados, que são formas incompletas, que não cumprem todos os critérios clínicos, mas que causam problemas.

Nestes casos, não se deve esperar que o peso desça muito nem que a menstruação desapareça para iniciar o tratamento.

Tem algum destes sintomas?

Pode ser que sofra de anorexia nervosa

Quais são as causas da anorexia nervosa?

A causa desta doença é multifatorial e a sintomatologia clínica representa o resultado final da interação de três tipos de fatores:

  • Fatores predisponentes: individuais, familiares e culturais.
  • Fatores precipitantes: situações de crise, como perdas afetivas ou início de uma dieta estrita por insatisfação pessoal ou corporal.
  • Fatores perpetuantes: clínica de desnutrição e clínica afetiva associada (ansiedade, depressão...).

A partir destes fatores, uma dieta de emagrecimento restritiva pode desencadear o problema. Existem também fatores genéticos, uma vez que familiares de primeiro grau (pais, filhos, irmãos) de um doente com anorexia têm um risco 6–10 vezes superior de desenvolver um transtorno do comportamento alimentar. Além disso, um historial de depressão num familiar aumenta o risco de sofrer de anorexia.

Quais são as complicações da anorexia nervosa?

Existem diversas complicações médicas e riscos físicos decorrentes de desnutrição grave, como alterações digestivas (por episódios de compulsão, vómitos, uso de laxantes), problemas cardíacos (por malnutrição), alterações bioquímicas no sangue (níveis baixos de potássio ou sódio), alterações endócrinas ou hormonais e défice de cálcio nos ossos.

Neste sentido, demonstrou-se uma maior frequência de desmineralização óssea e osteoporose em raparigas com anorexia. Esta osteoporose faz com que raparigas adolescentes apresentem ossos desmineralizados a um nível semelhante ao de uma mulher entre os 50 e os 60 anos.

Além disso, existem outros problemas psiquiátricos frequentemente associados aos transtornos do comportamento alimentar. A anorexia associa-se a depressão, distimia e perturbação obsessivo-compulsiva.

Como se diagnostica a anorexia nervosa?

São doentes que, regra geral, não procuram ajuda voluntariamente numa fase inicial, chegando à consulta através dos pais ou professores quando o processo já está instalado.

Para estabelecer o diagnóstico, procede-se a:

  • Entrevista diagnóstica.
  • Exclusão de doença orgânica através de ressonância magnética, análises gerais e específicas e avaliação por outros especialistas (endocrinologistas).
  • Provas de psicodiagnóstico.

Como se trata a anorexia nervosa?

A participação da família é fundamental como apoio no processo de recuperação

O tratamento é realizado por uma equipa com diferentes especialistas, geralmente liderada por um psiquiatra ou psiquiatra da infância e adolescência. Deve incluir:

  1. Um plano de recuperação ponderal e reeducação dietética e nutricional.
  2. Um acompanhamento muito próximo para que a recuperação do peso seja gradual, com controlos frequentes.
  3. Um estudo e tratamento dos problemas alimentares que afetam a doente, bem como dos fatores que influenciam os vómitos (ansiedade relacionada com a escola, problemas com os pais ou amigos).
  4. Um tratamento psiquiátrico que combine psicoeducação, psicoterapia individual, psicoterapia de grupo e terapia familiar. 
  5. Tratamento farmacológico com antidepressivos e outros psicofármacos que melhoram os sintomas de ansiedade, tristeza e impulsividade subjacentes aos vómitos e tratam outros problemas associados à anorexia.

O tratamento a realizar deve ser adequado à situação clínica da doente, coordenando sempre a intervenção dos diferentes especialistas envolvidos.

O Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica
da Clínica Universidad de Navarra

Através de um trabalho multidisciplinar, o Departamento de Psiquiatria e Psicologia Clínica presta assistência integral aos doentes: identifica as principais causas da doença e proporciona uma abordagem individual com os tratamentos mais adequados e eficazes. 

Graças à experiência da sua equipa, é capaz de oferecer as terapias biológicas mais avançadas, bem como uma orientação psicoterapêutica adequada. Desta forma, ajuda-se o doente a resolver tanto problemas de personalidade como alterações da dinâmica interpessoal e familiar.

Organizados em unidades especializadas

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

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  • Avaliação integral do doente.
  • Diagnóstico personalizado.
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