Alterações da digestão e absorção

"O tratamento principal da intolerância alimentar consiste na eliminação do alimento em causa da dieta habitual."

DRA. Mª CARMEN MUGUETA URIAQUE
ESPECIALISTA. SERVIÇO DE BIOQUÍMICA CLÍNICA

Imagem do selo de reconhecimento Merco Salud 2025. Clínica Universidade de Navarra

O trato gastrointestinal é o tubo muscular que vai desde a boca até ao ânus. A sua estrutura é diferente nos vários segmentos, de acordo com as exigências da digestão e absorção dos alimentos.

Ao nível intestinal, o tubo é revestido por microvilosidades que contêm sistemas enzimáticos responsáveis pela digestão e permitem o desenvolvimento de mecanismos de absorção muito eficazes. Além disso, o trato é regulado por um complexo sistema de controlo neuro-hormonal.

As alterações nos processos de digestão e absorção podem ocorrer em diferentes níveis e afetar vários componentes dos alimentos.

Imagen del icono de la consulta de Segunda Opinión. Clínica Universidad de Navarra

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Quando está indicado o estudo da absorção e digestão?

Estas provas realizam-se de forma rotineira na prática clínica.

Exigem a ingestão de uma quantidade específica do elemento a estudar, aguardar um período de tempo para que seja absorvido e, posteriormente, recolher uma amostra de sangue, urina ou fezes para analisar a sua composição.

Doenças nas quais se solicita um estudo da digestão e absorção

  • Intolerância à frutose, galactose, glucose e lactose.
  • Intolerância ao glúten.
  • Sobrecrescimento bacteriano.

Tem alguma destas doenças?

Pode ser necessário realizar-lhe um estudo da digestão e absorção intestinal

Tipos de análises da digestão e absorção dos alimentos

Como se realiza o Teste da D-xilose

Permite excluir/detetetar problemas de absorção por alteração da superfície intestinal.

O doente ingere 25 gramas de D-xilose dissolvidas em meio litro de água. Posteriormente, recolhe-se a urina eliminada durante as 5 horas seguintes.

Na ausência de qualquer alteração renal, o normal é que na urina se detete, pelo menos, 25% da dose administrada.

Níveis reduzidos de xilose na urina sugerem a presença de um defeito de absorção ao nível do intestino delgado, embora também se possam observar valores baixos em situações de ascite, vómitos, atraso do esvaziamento gástrico, elevado consumo de aspirinas, em alguns tratamentos farmacológicos e em alterações da função renal.

Digestão e balanço de gordura nas fezes

Nos casos em que o doente apresenta um processo diarreico, em que se suspeite de alguma alteração no processo de digestão ou absorção, recomenda-se a obtenção de uma amostra de fezes na qual se determina a cor, o aspeto e o pH e, além disso, se observa ao microscópio para detetar a presença de gordura, amido ou fibras musculares não digeridas.

Se for detetada gordura nas fezes, pode suspeitar-se de uma esteatorreia, uma síndrome caracterizada por uma má absorção das gorduras da dieta. Convém realizar um balanço de gorduras nas fezes, para o qual se recolhem as fezes eliminadas durante 3 dias enquanto o doente ingere uma quantidade conhecida de gordura. Nas crianças não devem ser detetados mais de 2 g de gordura em 24 horas e nos adultos não mais de 7 g.

Se a quantidade de gordura nas fezes exceder os valores normais, pode dever-se a uma síndrome de Zollinger-Ellison, ao aumento do ácido duodenal, a uma excreção biliar anormal, a uma insuficiência pancreática que provoque défice de enzimas digestivas, a distúrbios da mucosa intestinal ou a uma doença do intestino grosso que cause uma interrupção da circulação entero-hepática.

Intolerância à lactose e teste do hidrogénio

Os hidratos de carbono ingeridos na dieta devem converter-se em moléculas simples, monossacarídeos, que podem ser absorvidos ao nível intestinal. Nesta conversão participam diversas enzimas, como a amilase salivar e a amilase e as dissacaridases intestinais.

Um dos problemas digestivos mais frequentes, tradicionalmente nas crianças e cada vez mais nos adultos, é a intolerância à lactose. Deve-se ao défice de uma dessas dissacaridases, a lactase. Se as pessoas que apresentam este défice ingerirem leite ou produtos lácteos, surgirão cólicas, gases e diarreias.

O diagnóstico deste distúrbio realiza-se com a prova de tolerância à lactose. O doente ingere 50 g de lactose dissolvidos em água e recolhem-se amostras de sangue em jejum e aos 5, 10, 30, 60, 90 e 120 minutos para determinar a glucose. Para que a glucose apareça no sangue, é necessário que a lactose tenha sido adequadamente degradada e absorvida. O normal é que a glucose no sangue aumente mais de 200 mg/dl acima do valor basal.

Recentemente observou-se que a melhor forma de determinar a digestão e absorção da glucose é medir a quantidade de hidrogénio no ar expirado após a administração oral de lactose. O normal é que se detetem menos de 10 partes por milhão de hidrogénio no hálito, enquanto nos doentes com intolerância pode ultrapassar 50.

Provas com isótopos estáveis

Os isótopos estáveis encontram-se na natureza. São inofensivos para o meio ambiente, não têm efeitos adversos e permitem realizar estudos repetidos no mesmo doente. Recentemente, foram desenvolvidas provas que utilizam isótopos estáveis para avaliar a função pancreática, o esvaziamento gástrico, os processos de digestão, o trânsito orocecal, o sobrecrescimento bacteriano e a presença de Helicobacter pylori.

No teste para avaliar a função pancreática, o doente ingere um triglicérido misto no qual um dos ácidos gordos que o compõem está marcado com 13C. Se a função pancreática for normal, a lipase secretada pelo pâncreas para o intestino degradará o triglicérido e o ácido gordo marcado será oxidado para formar 13CO2, que será eliminado e quantificado no hálito.

Com uma prova semelhante que utiliza outro composto marcado, o 13C-octanoico, pode avaliar-se a velocidade a que ocorre o esvaziamento gástrico, detetando-se os casos em que este se encontra acelerado ou retardado.

Para detetar a presença de Helicobacter pylori no estômago, associada a gastrite e tumores gástricos, realiza-se outra prova do hálito. O doente ingere ureia marcada com 13C. Pela ação da urease que o Helicobacter possui, a ureia degrada-se formando 13CO2, que será detetado no hálito. Se o resultado for positivo, após o tratamento antibiótico a prova é novamente realizada para confirmar a sua eliminação.

O Serviço de Bioquímica Clínica
da Clínica Universidad de Navarra

O Serviço de Bioquímica Clínica da Clínica Universidad de Navarra é responsável pela realização das análises bioquímicas solicitadas pelos especialistas médicos do nosso centro.

Realizamos controlos técnicos de qualidade para garantir o bom funcionamento dos equipamentos e a máxima precisão dos resultados obtidos a partir das amostras.

Para garantir a excelência no atendimento ao doente, disponibilizamos a resposta com os resultados das análises no mais curto prazo possível, respondendo em apenas 46 minutos em alguns casos de análises gerais.

Organizados em unidades assistenciais

  • Bioquímica geral.
  • Eletrólitos.
  • Hormonas, urinas e proteínas.
  • Marcadores.
Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

Porquê na Clínica?

  • Máxima rapidez na disponibilização dos resultados analíticos.
  • Realizamos controlos de qualidade para garantir a correção e a máxima precisão dos resultados obtidos.
  • Trabalhamos de forma multidisciplinar com todos os departamentos da Clínica.