Perturbação obsessivo-compulsiva
"O tratamento deve ser realizado por um médico especializado em crianças com TOC, em coordenação com um psicólogo para a psicoterapia."
DR. FELIPE ORTUÑO SÁNCHEZ-PEDREÑO
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE PSIQUIATRIA E PSICOLOGIA CLÍNICA

O que é um TOC?
A perturbação obsessivo-compulsiva (TOC) é uma perturbação de ansiedade em que a criança ou adolescente apresenta geralmente obsessões e também compulsões, embora por vezes tenha apenas obsessões ou apenas compulsões. Pelo menos alguma vez a criança reconhece que as obsessões ou as compulsões são excessivas ou absurdas.
Estes comportamentos repetitivos têm por objetivo prevenir ou reduzir a ansiedade ou evitar que aconteça algo de mau, embora não tenham ligação com a ação que tentam prevenir ou sejam claramente excessivos.
Quase em 90% dos casos de doentes com TOC associam-se outras perturbações, especialmente episódios depressivos e, com menor frequência, quadros de ansiedade e tiques (como ocorre na síndrome de Tourette).

Quais são os sintomas do TOC?
O componente obsessivo consiste em palavras, ideias, imagens ou crenças repetitivas, reconhecidas pelo próprio como irracionais ou incómodas.
Os conteúdos mais frequentes são o medo da contaminação (de se infetar, de secreções corporais, etc.); dúvidas e insegurança (medo de sofrer de uma doença grave, escrúpulos morais, etc.); necessidade de simetria e de ordem nas coisas e rejeição da sujidade.
São também frequentes os impulsos obsessivos para causar dano a outra pessoa ou para ter comportamentos sexuais que o próprio rejeita, bem como discussões mentais intermináveis.
As compulsões são comportamentos ou atos mentais igualmente repetitivos que a pessoa se sente obrigada a realizar para travar uma obsessão ou seguindo regras rigorosas. Podem ser simples ou atingir maior complexidade (rituais). Embora aliviem temporariamente o componente obsessivo, são vividas como incómodas e como irracionais ou desproporcionadas.
Destacam-se as compulsões de evitação do contacto perante uma possível contaminação; ou de limpeza e lavagem perante as obsessões de sujidade; ou de ordenação nas necessidades de simetria; ou de verificação no componente de insegurança. Associam-se frequentemente a uma marcada incapacidade de decisão e lentificação.
Os sintomas mais habituais são:
- Medo de se contaminar.
- Necessidade de simetria.
- Lavar-se repetidamente.
- Ordenar.
Tem algum destes sintomas?
Pode sofrer de um transtorno obsessivo-compulsivo
Quais são as causas do TOC?
Ainda não se conhece a causa do TOC, embora se saiba que não surge como resposta a um suposto “conflito intrapsíquico”, nem a um “conflito sexual reprimido”, como defendiam antigas teorias psicanalíticas. Também não se deve ao efeito dos pais sobre a criança, nem ao nascimento de um irmão mais novo, nem ao stress escolar, etc. Dada a eficácia dos antidepressivos inibidores da recaptação da serotonina (ISRS) no tratamento do TOC, considera-se que esteja relacionado com uma alteração da serotonina.
Estudos genéticos indicam que o TOC está relacionado com alguns transtornos de tiques, como o transtorno de Tourette (tiques motores e vocais). Foram também identificadas alterações do funcionamento em circuitos cerebrais que ligam uma região do encéfalo, os gânglios da base, ao córtex cerebral, nomeadamente numa zona chamada núcleo caudado.
Algumas crianças que tiveram uma infeção da garganta por estreptococo apresentam posteriormente um surto de TOC, provocado por uma resposta autoimune de anticorpos contra o estreptococo que lesionam áreas do núcleo caudado.
Qual é o prognóstico?
Geralmente é necessário um tratamento farmacológico mais prolongado (mais de 1 ano) e em doses superiores às utilizadas para tratar a depressão, mas quando realizado corretamente, os resultados são muito satisfatórios.
Nos casos em que existe um possível origem numa infeção por estreptococos, pode recorrer-se a antibióticos e a terapêutica imunológica para remover os anticorpos nocivos que estão a atacar o núcleo caudado. A psicoterapia psicanalítica não ajuda as crianças com TOC e leva à perda de meses ou anos de tempo muito valioso.
A associação do tratamento comportamental à medicação aumenta a probabilidade de que a criança permaneça sem sintomas quando, no futuro, a medicação for gradualmente interrompida. É importante que os pais que suspeitem que o seu filho possa estar a sofrer de TOC recorram precocemente ao pediatra ou ao psiquiatra infantil.
Podem também ser úteis os grupos de apoio para pais de crianças com TOC, as associações nacionais ou regionais de doentes com TOC e a informação disponível na internet.
Como se trata o transtorno obsessivo-compulsivo?
Os sintomas podem responder ao tratamento psicoterapêutico e farmacológico.
O tratamento psicoterapêutico de primeira escolha é a terapia de exposição com prevenção da resposta. A resposta é melhor quando predomina o componente compulsivo.
Procura-se alcançar uma tolerância à ansiedade associada à exposição ao estímulo sem recorrer ao ritual para a mitigar, extinguindo assim o sistema de resposta compulsiva às obsessões. Numa segunda linha, ou como complemento desta técnica, é também útil a terapia cognitiva, orientada sobretudo para corrigir ideias falsas ou sobrevalorizadas.
O tratamento farmacológico do TOC baseia-se nos inibidores da recaptação da serotonina, começando pelos inibidores seletivos (ISRS), como a paroxetina, fluoxetina, sertralina, escitalopram ou fluvoxamina.
Estes fármacos apresentam um perfil de efeitos secundários melhor e mais tolerável do que os utilizados anteriormente, como a clomipramina. Cerca de metade dos doentes não responde de forma satisfatória, pelo que se consideram estratégias de potenciação, entre as quais se destaca a associação de antipsicóticos, preferencialmente de segunda geração.
Existem outros tratamentos biológicos que podem ser utilizados em determinadas circunstâncias, como a terapia eletroconvulsiva, a estimulação magnética transcraniana ou a psicocirurgia. Cada vez existem mais evidências da eficácia da estimulação cerebral profunda em casos resistentes, com uma melhoria clínica significativa e da qualidade de vida.
O Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica
da Clínica Universidad de Navarra
Através de um trabalho multidisciplinar, o Departamento de Psiquiatria e Psicologia Clínica presta assistência integral aos doentes: identifica as principais causas da doença e proporciona uma abordagem individual com os tratamentos mais adequados e eficazes.
Graças à experiência da sua equipa, é capaz de oferecer as terapias biológicas mais avançadas, bem como uma orientação psicoterapêutica adequada. Desta forma, ajuda-se o doente a resolver tanto problemas de personalidade como alterações da dinâmica interpessoal e familiar.
Organizados em unidades especializadas
- Psiquiatria infantil.
- Psiquiatria do adolescente.
- Psiquiatria do adulto.
- Terapia familiar.
- Internamento psiquiátrico.
- Psicologia Clínica.

Porquê na Clínica?
- Avaliação integral do doente.
- Diagnóstico personalizado.
- Equipa multidisciplinar.