Hirsutismo
«Os tratamentos mais eficazes são os que combinam estrogénios e um antiandrogénio.»
DR. CAMILO SILVA FROJÁN
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE ENDOCRINOLOGIA E NUTRIÇÃO

O hirsutismo é o crescimento excessivo de pelos em mulheres, em zonas em que habitualmente não os têm, por serem androgénio-dependentes: lábio superior, patilhas, queixo, pescoço, aréolas mamárias, tórax, na área imediatamente superior ou inferior ao umbigo, bem como nas virilhas, coxas e costas.
Quando a intensidade da alteração é maior, outros sistemas são afetados, como a regulação das menstruações, surgindo alterações menstruais ou mesmo ausência de menstruação ou amenorreia e até infertilidade.
Também pode ocorrer queda de cabelo ou alopécia de tipo androgénico, que é igualmente um sinal de alteração hormonal marcada.

Quais são os sintomas do hirsutismo?
Uma vez que o hirsutismo é uma manifestação androgénica, pode acompanhar-se de efeitos do aumento da ação destas hormonas noutros tecidos.
Por exemplo, a acne e o aumento de oleosidade do cabelo, ou seborreia, constituem manifestações androgénicas menores e são frequentes nas mulheres com hirsutismo.
A obesidade favorece a atividade androgénica através de diversos mecanismos, pelo que é mais frequente em mulheres obesas do que em mulheres magras.
Mais raramente, pode ocorrer agravamento do timbre de voz, desenvolvimento muscular excessivo ou hipertrofia clitoriana, no âmbito do que se conhece como síndrome de virilização, que habitualmente traduz uma perturbação hormonal profunda da secreção androgénica.
Além disso, uma vez que os androgénios antagonizam os efeitos dos estrogénios, pode ocorrer desfeminização com involução do desenvolvimento mamário.
Em raparigas em fase de crescimento, a concentração excessiva de androgénios pode acelerar inicialmente a velocidade de crescimento, mas induz um encerramento epifisário precoce, pelo que a estatura final é baixa.
Os sintomas mais habituais são:
- Acne.
- Seborreia.
- Crescimento excessivo de pelo em mulheres.
Tem algum destes sintomas?
Pode sofrer de hirsutismo
Quais são as causas do hirsutismo?
Em termos gerais, pode dizer-se que se deve ao aumento de alguns esteroides androgénicos que leva a um incremento da concentração de di-hidrotestosterona. Nesta situação de hiperandrogenismo, o pelo fino e pouco pigmentado transforma-se em pelo grosso e escuro.
- Síndrome do Ovário Poliquístico. Costuma iniciar-se na puberdade. Embora a causa não seja conhecida com precisão, a hormona luteinizante (LH) encontra-se aumentada em relação à folículo-estimulante (FSH), provocando falta de desenvolvimento dos folículos ováricos, o que leva a anovulação crónica com folículos imaturos, bem como a elevada produção de androgénios. Cursa com hirsutismo, acne, ausência de menstruação ou alterações menstruais e infertilidade.
- Hipertecosis ovárica. É uma doença dos ovários em que existe proliferação de ilhéus de células da teca. Ao contrário do ovário poliquístico, cursa com valores normais de LH e de FSH; no entanto, os valores de androgénios são mais elevados.
- Hirsutismo idiopático ou familiar. Deve-se a uma sensibilidade aumentada da pele aos androgénios, ou ao aumento da atividade cutânea de uma enzima chamada 5-alfa-redutase, por predisposição familiar para maior número de folículos pilosos por unidade de área cutânea. Inicia-se na puberdade, sendo normais as menstruações, as hormonas circulantes e a fertilidade.
- Hiperplasia suprarrenal congénita. É causada por défice de uma das enzimas necessárias para a síntese de cortisol, o que provoca aumento de uma hormona hipofisária, a ACTH, que estimula a produção de androgénios suprarrenais.
- Hipotiroidismo. Diminui os níveis da proteína transportadora da testosterona, levando a aumento da testosterona livre, que é a fração ativa.
- Síndrome e doença de Cushing. Devido ao aumento da produção de cortisol.
- Utilização de alguns medicamentos, sobretudo alguns contracetivos orais e corticosteroides.
Qual é o seu prognóstico?
Nos primeiros seis meses de tratamento, geralmente não se nota qualquer efeito benéfico aparente; a partir do sexto mês, o pelo torna-se mais fino e mais curto, e a necessidade de depilação vai-se espaçando.
Por vezes, é necessário um segundo ciclo seis meses após terminar o primeiro tratamento, com um antiandrogénio de ação mais forte, e algumas pessoas precisam mesmo de um terceiro ciclo.
Como se trata o hirsutismo?
El hirsutismo se diagnostica realizando una historia clínica que permita conocer la fecha de inicio del crecimiento del pelo o del acné o de la caída del cabello, así como la evolución posterior; fecha de la primera menstruación y periodicidad de las siguientes.
Es necesario realizar una detenida exploración física para cuantificar la intensidad, longitud y grosor del vello y del cabello, evaluándolo por zonas según criterios internacionales.
Realizando determinaciones entre el segundo y noveno día del ciclo menstrual de las hormonas que puedan estar implicadas, según la historia clínica y la exploración.
En términos generales, suele necesitarse determinación de testosterona, dehidroepiandrosterona-sulfato, androstendiona, 17-Hidroxiprogesterona, proteína transportadora de hormonas sexuales, glucurónido, hormona luteinizante y foliculo-estimulante.
Ante la sospecha de Hiperplasia Suprarrenal tardía, convendrá hacer un test de estimulación con ACTH.
¿Cómo se trata el hirsutismo?
As medidas físicas, entre as quais se incluem a coloração e a depilação, são eficazes e podem ser conjugadas com o tratamento farmacológico. Tanto quanto possível, deve considerar-se um tratamento dirigido à causa.
Reduzir o peso e o excesso de massa gorda, quando existente, é um objetivo terapêutico prioritário que requer medidas higieno-dietéticas e um estilo de vida saudável.
Se o objetivo for o tratamento sintomático do hirsutismo, podem utilizar-se fármacos antiandrogénicos, como o acetato de ciproterona, que habitualmente se combinam com preparados estrogénicos, o que facilita a regularidade menstrual (ainda que artificial) e aumenta a eficácia do tratamento.
O tratamento deve ser prolongado, pelo menos cerca de um ano, dado o tempo que o pelo demora a crescer e a cair. Têm efeito anovulatório, pelo que não é possível tratar a infertilidade com estes fármacos.
Apenas nos casos em que esteja indicado o tratamento com corticosteroides, como na hiperplasia suprarrenal congénita, tanto a clássica como a de início tardio, é possível tratar simultaneamente hirsutismo e infertilidade. Os tumores produtores de androgénios devem ser removidos e a hiperprolactinemia, a síndrome de Cushing ou a acromegalia devem receber tratamento específico.
O Departamento de Endocrinologia e Nutrição
da Clínica Universidad de Navarra
O Departamento está organizado em unidades assistenciais, com especialistas totalmente dedicados ao estudo diagnóstico e ao tratamento deste tipo de doenças.
Trabalhamos com protocolos estabelecidos, que permitem que todos os exames de diagnóstico necessários sejam realizados no mais curto prazo possível e que se inicie, o mais rapidamente possível, o tratamento mais adequado em cada caso.
Organizados em unidades assistenciais
- Área de Obesidade.
- Unidade de Diabetes.
- Unidade de Doenças da Tiroide e Paratiroide.
- Unidade de Osteoporose
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Porquê na Clínica?
- Centro de Excelência Europeu no diagnóstico e tratamento da Obesidade.
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