Escoliose

"Com as novas técnicas minimamente invasivas de correção da escoliose sem fusão, a alinhamento vertebral é modulada durante a fase de crescimento da criança."

DR. EDUARDO HEVIA SIERRA
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE CIRURGIA ORTOPÉDICA E TRAUMATOLOGIA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em traumatologia. Clínica Universidade de Navarra

O que é a escoliose?

A escoliose consiste na desvio lateral ou desvio para a esquerda ou para a direita da coluna vertebral.

A coluna vertebral é reta quando vista de frente ou de trás. Quando observada de perfil, a coluna normal apresenta quatro curvas, duas com convexidade posterior, denominadas cifose normal, e duas com convexidade anterior, denominadas lordose.

As zonas cervical e lombar apresentam lordose e a zona torácica e sagrada, cifose. Normalmente fala-se de lordose cervical, cifose torácica e lordose lombar.

Em mais de 85% dos casos, a sua causa é desconhecida. Nos restantes casos, deve-se a defeitos na formação da coluna vertebral durante a vida embrionária ou é um sinal que acompanha outras doenças gerais, como a distrofia muscular ou a síndrome de Marfan.

Quais são os sintomas da escoliose?

Vista de trás, uma coluna vertebral normal é direita, pelo que as costas parecem simétricas.

Quando existe escoliose, a coluna apresenta-se curvada e podem observar-se um ou vários dos seguintes sinais:

  • Uma anca mais alta ou mais saliente do que a outra.
  • Uma omoplata (ou “paletilha”) mais alta ou mais saliente do que a outra.
  • Um ombro mais alto do que o outro.
  • A cabeça não está centrada em relação às ancas.
  • Em pé, com os braços pendentes, o espaço entre um braço e o tronco é maior num lado do que no outro.
  • Ao inclinar-se para a frente com as pernas esticadas até as costas ficarem na horizontal, um lado fica mais alto ou mais saliente do que o outro.

Os sintomas mais habituais são:

  • Contracturas musculares.
  • Desvio dos ombros, costas e anca.
  • Dor nas costas.

Tem algum destes sintomas?

É possível que apresente escoliose

Como se diagnostica a escoliose?

Normalmente, a escoliose começa a ser suspeitada numa consulta de rotina de Pediatria.

Quando o pediatra observa algum dos sinais, solicita uma radiografia da coluna vertebral para avaliar se existe desvio e qual o seu grau.

Por vezes, a criança ou o adolescente será encaminhado para consulta de Ortopedia/Traumatologia para uma avaliação mais específica.

Como se trata a escoliose?

Os exercícios e a reabilitação não reduzem a magnitude da curva nem o risco de progressão, mas podem ser usados como tratamento complementar para melhorar a postura e fortalecer os músculos.

O tratamento ortopédico (colete/colar) modifica a progressão natural da escoliose idiopática do adolescente e reduz o risco de progressão. As medidas ortopédicas são o método mais eficaz em curvas inferiores a 40º e um dos tratamentos de eleição para doentes em idade de crescimento com curvas de 20–40º.

Apenas um pequeno número de doentes com curvas inferiores a 20º progride. As medidas ortopédicas não impedem a progressão da escoliose em doentes que já atingiram o final do crescimento.

Em 85–90% dos casos, não é necessário tratamento cirúrgico.

A cirurgia pode ser necessária em curvas muito grandes com progressão constante ou se o doente solicitar uma intervenção para melhorar o seu aspeto físico (por motivos estéticos).

A cirurgia pode evitar a progressão e corrigir a deformidade. Habitualmente, o cirurgião utiliza implantes metálicos (barras e parafusos/ganchos/fios) para corrigir e sustentar a zona da deformidade até que as vértebras operadas se unam (fusão). A fusão óssea garante estabilidade permanente.

O tratamento cirúrgico é, em geral, indicado em doentes em idade de crescimento com curvas superiores a 60º, ou de 40–60º com progressão evidente apesar do tratamento com medidas ortopédicas. Se o doente considerar que uma curva superior a 40º constitui uma deformidade inaceitável, também pode ser operado.

Técnicas sem fusão para tratar a escoliose em crianças e adolescentes

Cirurgia minimamente invasiva inovadora que permite corrigir as curvas da coluna mantendo a mobilidade. As barras mantêm-se durante o crescimento, aproveitando a correção que ocorre durante esse período, sem fundir os ossos da coluna. No final do crescimento (Risser 5), as barras são removidas e a coluna fica corrigida, sem deformidade e com mobilidade normal.

  • Indicadas para crianças e adolescentes (com capacidade de crescimento) com curvas entre 35 e 60 graus.
  • Ao não fixar a coluna de forma definitiva, mantém-se a mobilidade completa e permite-se modular o crescimento das vértebras, evitando a sua deformação.
  • A cirurgia é realizada, além disso, com navegação computorizada, com pequenas incisões na musculatura e uma técnica minimamente invasiva, o que permite uma recuperação rápida e preservação da musculatura para a recuperação da mobilidade.