Artrite psoriásica
"A evolução é episódica, em 'surto', podendo haver períodos em que o doente se encontra assintomático."
DR. ENRIQUE ORNILLA LARAUNDOGOITIA
ESPECIALISTA. SERVIÇO DE REUMATOLOGIA

A artrite psoriásica é uma inflamação articular associada a uma doença de pele denominada psoríase. Na maioria dos casos, a artrite surge anos depois das lesões cutâneas.
Inclui-se no grupo das espondiloartropatias, um conjunto de doenças reumáticas que apresentam características clínicas, radiológicas e genéticas comuns.
Do ponto de vista analítico, apresentam um marcador genético comum, o denominado antigénio de histocompatibilidade HLA B27, embora não esteja presente em todos os casos.

Quais são os sintomas da artrite psoriática?
Clinicamente, manifesta-se habitualmente, em 70% dos casos, como uma artrite das articulações finais dos dedos das mãos, geralmente assimétrica (numa mão), e também de outras articulações dos membros.
Em 15% dos casos, apresenta-se como artrite de várias articulações (poliartrite) simétrica (em ambos os lados), semelhante à artrite reumatoide. Outras formas de apresentação menos frequentes são a artrite das articulações distais dos dedos (como única manifestação), associada a lesões ungueais (5%), e a artrite mutilante (5%), com destruição dos ossos e articulações dos dedos das mãos e dos pés.
Os sintomas mais habituais são:
- Artrite das articulações finais dos dedos de uma mão.
- Artrite das articulações dos membros inferiores.
- Dactilite ou “dedos em salsicha”, que corresponde à inflamação de todo o dedo, devido à inflamação das bainhas tendinosas dos músculos flexores.
- Rigidez matinal nas mãos.
- Conjuntivite ou uveíte.
Tem algum destes sintomas?
Pode ser que sofra de artrite psoriática
Quais são as causas da artrite psoriática?
A causa da artrite psoriática é desconhecida, embora provavelmente seja multifatorial, envolvendo fatores genéticos, imunitários e ambientais.
Existem dados na literatura que sugerem uma tendência para agregação familiar, embora, por enquanto, não existam argumentos definitivos.
Do mesmo modo, foi observada associação destas doenças com agentes microbianos.
Qual é o prognóstico da artrite psoriática?
O prognóstico é variável e imprevisível, oscilando desde formas com monoartrite ligeira e prognóstico muito favorável até formas com envolvimento poliarticular destrutivo, com prognóstico muito mais desfavorável.
A forma poliarticular (mais de 5 articulações afetadas), a história familiar de artrite psoriática, o início em idade precoce e a forma cutânea muito extensa podem predizer uma evolução pior.
Como se diagnostica a artrite psoriática?
O diagnóstico de artrite psoriática é fundamentalmente clínico. O seu diagnóstico não é fácil, pois por vezes as manifestações cutâneas (psoríase) e as articulares não coexistem. Em algumas situações, a lesão cutânea surge após a articular.
Do mesmo modo, é possível estabelecer o diagnóstico de artrite psoriática em doentes sem psoríase, mas com antecedentes familiares de psoríase.
Os estudos laboratoriais são inespecíficos. Pode observar-se aumento dos reagentes inflamatórios (velocidade de sedimentação, proteína C reativa...), anemia moderada e elevação do ácido úrico.
Nas radiografias pode observar-se aumento de partes moles e osteoporose. Se houver progressão, surgem alterações do espaço articular, erosões ou proliferações ósseas.
O envolvimento das articulações interfalângicas distais (até às unhas) e as deformidades são características distintivas desta doença.
Como se trata a artrite psoriática?
O tratamento e o seguimento desta doença são realizados de forma conjunta e multidisciplinar com outros serviços.
O tratamento baseia-se na combinação de tratamento sintomático com AINEs (anti-inflamatórios não esteroides) e tratamento modificador/retardador da doença com imunossupressores (metotrexato, sulfassalazina, leflunomida…).
Se não houver resposta a esses fármacos, ou se surgir intolerância ou toxicidade farmacológica, inicia-se tratamento com fármacos anti-TNF (infliximab, etanercept, adalimumab, golimumab, certolizumab).
Também é importante o repouso nos períodos de surto/inflamação articular e o tratamento fisioterapêutico.
O Serviço de Reumatologia
da Clínica Universidad de Navarra
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