Alcoolismo

"Na fase de desabituação, a medicação é apenas um apoio que deve ser sempre complementado com estratégias psicossociais."

DR. JORGE PLA VIDAL
CODIRETOR. DEPARTAMENTO DE PSIQUIATRIA E PSICOLOGIA CLÍNICA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em psiquiatria. Clínica Universidade de Navarra

O que é o alcoolismo?

O alcoolismo é definido, segundo a OMS, "como qualquer deterioração do funcionamento físico, mental ou social de uma pessoa, cuja natureza permita inferir razoavelmente que o álcool é parte do nexo causal que provoca essa perturbação".

O alcoolismo está relacionado com 40-50% dos acidentes de trânsito, 15-20% dos acidentes de trabalho, 50% dos homicídios, etc.

É importante lembrar que todo alcoólico costuma apresentar, de forma associada, um elevado consumo de tabaco, café e importantes perturbações na alimentação, pelo que a sua patologia se encontra de forma agravada.

Quais são os sintomas do alcoolismo?

O alcoolismo provoca uma patologia grave e profunda no organismo, podendo a sua sintomatologia e complicações distribuir-se pelos seguintes domínios: físicos, psíquicos e sociais.

Os dados clínicos de maior interesse costumam ser a ingestão de álcool em jejum, a presença de tremor ou náuseas matinais e lacunas amnésicas que coincidem com ingestões importantes de álcool.

No entanto, atualmente, o bebedor de fim de semana não apresenta este tipo de sintomas, mas sim alterações do comportamento (entre elas, acidentes de viação e conflitos familiares).

Entre os problemas psíquicos mais habituais provocados pelo alcoolismo estão:

  • Perturbações do comportamento pelo consumo de álcool.
  • Irritabilidade no meio familiar. Embriaguez.
  • Delirium tremens. Alucinose alcoólica.
  • Psicose alcoólica de Korsakoff. Delírio de ciúmes.
  • Demência dos alcoólicos. Envelhecimento precoce.

Tem algum destes sintomas?

Pode sofrer de um problema de alcoolismo

Como se diagnostica o alcoolismo?

Para o diagnóstico deste problema, o especialista realizará uma história clínica completa e orientada para detetar a situação.

É fundamental a colaboração e ajuda do meio familiar do doente.

Será necessário realizar questionários de rastreio e análises laboratoriais (determinação de VCM, gama-GT, transaminases e estudo de lípidos) para avaliar o estado físico do doente.

Modos de chegada do doente

O doente com alcoolismo pode chegar à consulta do médico de cuidados de saúde primários ou ao especialista de três formas diferentes:

  • Por iniciativa da família: costumam ser os familiares ou pessoas do entorno do alcoólico que, uma vez detetado o problema, procuram o profissional em busca de ajuda. Isto acontece frequentemente porque é difícil o alcoólico reconhecer-se a si próprio como tal.
  • Por denúncia às autoridades: em casos de acidentes de viação, alterações da ordem pública, etc., em que, ocasionalmente, pode ser necessária a presença do médico, que assim poderá ter o primeiro contacto com o doente alcoólico.
  • Por iniciativa própria: no contexto de uma patologia orgânica, psíquica ou social. Podem consultar por outros problemas, como parestesias, tremores, dor no hipocôndrio direito, etc., e, no decurso da entrevista, ao elaborar a história clínica, descobre-se uma situação sugestiva ao perguntar sobre o consumo de álcool.

Como se trata o alcoolismo?

O tratamento do alcoolismo passa por várias fases

O primeiro passo é o diagnóstico da doença, seguido de uma fase de sensibilização do doente e de motivação para que colabore ativamente no tratamento.

O reconhecimento do problema será a base de toda a intervenção posterior.

A etapa seguinte é o tratamento da intoxicação crónica, ou desintoxicação: o álcool deve ser interrompido de forma brusca e total.

Perante a possibilidade de o doente apresentar uma síndrome de abstinência, iniciar-se-á um esquema farmacológico com reidratação por via intravenosa, vitamina B, sedativos específicos e uma dieta rica em hidratos de carbono.

Caso o doente não esteja muito motivado e a família não queira colaborar ativamente, a desintoxicação deverá ser realizada com o doente internado.

Uma parte muito importante do tratamento é a desabituação, já que eliminar o hábito é mais difícil do que eliminar o tóxico. A desabituação deve ser realizada por uma equipa multidisciplinar e especializada, utilizando fármacos e técnicas psicossociais.

Os grupos de discussão com doentes alcoólicos, livres, abertos e com a presença de um terapeuta moderador, são a técnica de eleição nesta etapa do tratamento da dependência alcoólica.

Esta é a fase mais prolongada: dura aproximadamente 24 meses e, durante este período, o doente deve deslocar-se regularmente ao centro especializado 1 a 2 vezes por semana.

Ao longo de todo o processo, convém que o doente esteja em contacto direto com o seu médico de Cuidados de Saúde Primários, pois, uma vez terminado o tratamento, voltará a ficar sob os seus cuidados.

A família do doente alcoólico necessita, em muitos casos, de apoio médico e social para minimizar os efeitos negativos da presença, no seu seio, de um doente dependente do álcool.

O Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica
da Clínica Universidad de Navarra

Através de um trabalho multidisciplinar, o Departamento de Psiquiatria e Psicologia Clínica presta assistência integral aos doentes: identifica as principais causas da doença e proporciona uma abordagem individual com os tratamentos mais adequados e eficazes. 

Graças à experiência da sua equipa, é capaz de oferecer as terapias biológicas mais avançadas, bem como uma orientação psicoterapêutica adequada. Desta forma, ajuda-se o doente a resolver tanto problemas de personalidade como alterações da dinâmica interpessoal e familiar.

Organizados em unidades especializadas

Imagen de la fachada de consultas de la sede en Pamplona de la Clínica Universidad de Navarra

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