Pneumotórax
«Atualmente, a técnica cirúrgica mais utilizada é a videotoracoscopia com resseção de bolhas subpleurais apicais e abrasão pleural com compressa.»
DR. VALERIO PERNA
CODIRETOR. SERVIÇO DE CIRURGIA TORÁCICA

O que é um pneumotórax?
O pneumotórax ocorre quando há fuga de ar no espaço entre os pulmões e a parede torácica.
A cavidade pleural é o espaço existente entre o pulmão e a caixa torácica.
Este ar empurra o exterior do pulmão e fá-lo colapsar. Na maioria dos casos, apenas uma parte do pulmão colapsa.
O pneumotórax em tensão é uma urgência que requer tratamento imediato.

Quais são os sintomas do pneumotórax?
Dependem da reserva funcional do doente, sendo que em 5–10% dos casos são assintomáticos.
A dor torácica (de início súbito, aguda e unilateral) e a dispneia (dificuldade em respirar) são os sintomas mais frequentes (80–90% dos casos). A dispneia pode ser muito intensa nos doentes com reserva funcional gravemente comprometida por patologia pulmonar prévia. Outros sintomas que podem surgir incluem tosse seca, hemoptise (expetoração com sangue), síncope e a perceção de um ruído torácico durante a respiração.
Em cerca de 3% dos casos ocorre o denominado pneumotórax hipertensivo, quando a pressão no espaço pleural ultrapassa a pressão atmosférica. Isto acontece quando existe um mecanismo valvular que permite a entrada de ar na cavidade pleural durante a inspiração, sem que este seja eliminado na expiração. Tal situação provoca o colapso total do pulmão desse lado, com desvio do mediastino que impede o retorno venoso, resultando em insuficiência cardíaca.
Este quadro constitui uma emergência vital, caracterizada por dispneia grave, taquipneia (aumento da frequência respiratória), cianose, sudorese, hipotensão e distensão jugular bilateral, exigindo descompressão imediata.
Os sintomas mais habituais são:
- Dor torácica.
- Dispneia.
- Tosse seca.
- Hemoptise.
- Síncope.
Tem algum destes sintomas?
Pode apresentar um pneumotórax
Quais são as causas do pneumotórax?
Existem diferentes tipos de pneumotórax, de acordo com a causa que os origina:
- Pneumotórax iatrogénico, quando ocorre após manipulação instrumental diagnóstica ou terapêutica.
- Pneumotórax traumático, nos casos de trauma torácico prévio.
- Pneumotórax associado à ventilação mecânica ou barotrauma.
- Pneumotórax espontâneo, sem causa aparente. Dentro deste grupo encontra-se o pneumotórax primário ou juvenil, geralmente relacionado com a rutura de bolhas apicais, que correspondem a pequenos quistos pulmonares de causa desconhecida, mais frequentes em indivíduos altos com tórax alongado.
Designam-se ainda por pneumotórax secundários aqueles que surgem em doentes com patologia pulmonar de base, como DPOC, exacerbações de asma, fibroses pulmonares de diversas causas, doenças do tecido conjuntivo, endometriose, pneumonias necrosantes, tuberculose e pneumonia em doentes com SIDA.
Como se diagnostica o pneumotórax?
O diagnóstico do pneumotórax baseia-se nos sintomas, bem como na exploração física e radiológica.
Na exploração física pode observar-se taquipneia, diminuição ou abolição do murmúrio vesicular fisiológico à auscultação, bem como timpanismo à percussão torácica e diminuição das vibrações vocais.
O diagnóstico confirma-se através de uma radiografia do tórax (preferencialmente realizada em expiração forçada), na qual se evidencia o colapso pulmonar.
Como se trata o pneumotórax?
Um tratamento adequado deve visar a prevenção de recidivas ou reaparecimento do pneumotórax.
São utilizadas diferentes técnicas, incluindo a pleurodese química através de um dreno torácico (introdução de talco ou tetraciclinas no espaço interpleural, com o objetivo de provocar aderências entre a pleura visceral e parietal) e a cirurgia.
As indicações cirúrgicas reservam-se para pneumotórax espontâneos recidivantes (após um segundo episódio), fuga aérea persistente (mais de 5–7 dias), pneumotórax bilateral e após um primeiro episódio em pessoas com maior risco de recidiva (pilotos, mergulhadores, etc.).
A técnica cirúrgica mais utilizada é a videotoracoscopia com resseção de bolhas subpleurais apicais e abrasão pleural com gaze (ou, alternativamente):
- Escarificação com eletrocoagulação, laser ou árgon.
- Pleurodese química com talco estéril em pó ou com tetraciclinas.
A taxa de recidiva após cirurgia videotoracoscópica é de cerca de 5%. Nos raros casos em que esta técnica falha, o tratamento de eleição é a excisão da pleura parietal ou pleurectomia por toracotomia axilar, com taxas de recidiva inferiores a 1%.
O Serviço de Cirurgia Torácica
da Clínica Universidad de Navarra
O Serviço de Cirurgia Torácica da Clínica Universidad de Navarra é constituído por uma equipa de médicos especialistas, enfermeiros e profissionais de saúde especializados no tratamento da patologia torácica.
Na maioria dos procedimentos, realizamos cirurgia minimamente invasiva ou videotoracoscopia para o diagnóstico e tratamento de numerosas lesões pleurais, pulmonares e do mediastino.
Mantemos uma estreita colaboração com outros departamentos da Clínica, entre os quais se destacam a Oncologia Médica, a Pneumologia, a Anatomia Patológica, a Medicina Interna e a UCI.
Tratamentos que realizamos
- Cirurgia do cancro do pulmão.
- Cirurgia da hiperidrose e rubor facial.
- Cirurgia da pleura.
- Cirurgia do mediastino.
- Cirurgia do enfisema pulmonar.
- Cirurgia do mesotelioma pleural.
- Cirurgia de metástases pulmonares.

Porquê na Clínica?
- Especialistas médicos que são referência a nível nacional.
- Equipa de enfermagem especializada.
- Trabalhamos em estreita articulação com a Pneumologia e a Oncologia Médica.