Não uniões e defeitos ósseos segmentares

Os problemas de consolidação dos ossos, após fraturas, infeções, resseções cirúrgicas ou outras causas, são sequelas que se observam com alguma frequência nas consultas de Cirurgia Ortopédica. Devido à elevada capacidade de cicatrização dos tecidos que se verifica na idade infantil, este tipo de problemas é mais habitual em doentes adultos.
Podem consistir numa falta de consolidação simples (denominada não união ou pseudoartrose) ou apresentar, além disso, uma perda de substância (defeito ósseo segmentar), o que torna o problema mais complexo.
Com frequência, estas lesões acompanham-se de dismetrias e/ou deformidades ósseas que também devem ser abordadas no tratamento destes doentes.
Uma das características principais destes defeitos de consolidação é que, sobretudo os de origem pós-traumática, costumam apresentar lesões associadas (vasculares, cutâneas, etc.) que tornam ainda mais importante o tratamento multidisciplinar.
No Departamento de Cirurgia Ortopédica e Traumatologia da Clínica contamos com uma Consulta Especializada em Alongamentos Ósseos e Correção de Deformidades Complexas, com profissionais com grande experiência na abordagem terapêutica deste tipo de problemas.

Como ocorre a ossificação do osso após uma fratura?
Equilíbrio da atividade celular óssea
A atividade coordenada entre osteoblastos e osteoclastos é vital para a manutenção da saúde óssea, do equilíbrio mineral e da reparação óssea.
- Osteoblastos: São células responsáveis pela formação de novo tecido ósseo. Originados no tecido ósseo que contém células estaminais, os osteoblastos secretam a matriz óssea e participam na sua mineralização. Os osteoblastos são fundamentais no processo de crescimento ósseo e na consolidação das fraturas, uma vez que constroem e reconstroem o tecido ósseo.
- Osteoclastos: São células grandes e multinucleadas responsáveis pela reabsorção óssea, isto é, o processo de degradação do tecido ósseo. Os osteoclastos degradam a matriz óssea e dissolvem os minerais de cálcio e fósforo, libertando-os na corrente sanguínea. Os osteoclastos ajudam a remover o tecido ósseo antigo ou danificado, permitindo que os osteoblastos o substituam por osso novo.
Quando ocorre uma fratura, o organismo inicia um processo de consolidação em três fases principais: inflamação, reparação e remodelação.
Inicialmente, a fratura provoca uma resposta inflamatória, gerando um coágulo sanguíneo que une as extremidades fraturadas e recruta células que irão formar novo tecido.
Durante a fase de reparação, forma-se um calo mole composto por cartilagem e tecido fibroso em redor da fratura, que posteriormente se ossifica e se transforma num calo duro, proporcionando estabilidade temporária.
Por fim, na fase de remodelação, o calo ósseo é progressivamente remodelado em osso novo, restaurando a sua forma e função originais.
Este processo pode demorar semanas a meses, dependendo da gravidade da fratura e do estado geral de saúde do indivíduo. O correto alinhamento e a estabilidade da fratura, associados a uma nutrição adequada e, em alguns casos, a intervenções cirúrgicas, são cruciais para uma recuperação bem-sucedida e para uma correta ossificação do osso.
Tem um problema de consolidação óssea?
Pode melhorar com tratamento cirúrgico
Como se tratam estes defeitos de consolidação óssea?
Tratamentos para conseguir a união do osso
O tratamento destas lesões tem como primeiro objetivo alcançar uma fixação estável e um ambiente do defeito bem vascularizado que favoreça a formação óssea, com recurso a enxerto, se necessário.
Uma vez alcançado este objetivo, o passo seguinte consiste na correção de problemas associados, como dismetrias, deformidades, cobertura cutânea, entre outros.
Transporte Ósseo
Esta é uma das técnicas de reconstrução em que a nossa equipa tem maior experiência. Trata-se de uma técnica especificamente concebida para o tratamento de defeitos ósseos segmentares, como alternativa aos tratamentos convencionalmente recomendados.
Consiste no destacamento de um pequeno fragmento ósseo de uma das extremidades do defeito, seguido de um transporte longitudinal lento desse fragmento até à outra extremidade, enquanto ocorre uma ossificação espontânea progressiva na zona de distração.
Para esta técnica são habitualmente utilizados fixadores externos modificados, que permitem simultaneamente a consolidação e a correção das dismetrias e deformidades associadas, constituindo uma vantagem adicional.
Atualmente, já se encontram disponíveis pregos endomedulares magnéticos concebidos para o transporte ósseo, permitindo, tal como no caso das dismetrias, eliminar a necessidade de fixadores externos, com consequente melhoria da recuperação e redução das complicações pós-operatórias.
O Departamento de Ortopedia e Traumatologia
da Clínica Universidad de Navarra
O Departamento de Ortopedia e Traumatologia abrange de forma completa o amplo espectro de afeções congénitas ou adquiridas do sistema músculo-esquelético, incluindo os traumatismos e as suas sequelas.
Desde 1986, a Clínica Universidad de Navarra dispõe de um excelente banco de tecido osteotendinoso, permitindo a disponibilidade de enxertos ósseos e a oferta das melhores alternativas terapêuticas.
Organizados em unidades assistenciais
- Anca e joelho.
- Coluna vertebral.
- Membro superior.
- Ortopedia pediátrica.
- Tornozelo e pé.
- Tumores músculo-esqueléticos.

Porquê na Clínica?
- Especialistas em cirurgia artroscópica.
- Profissionais altamente qualificados que realizam técnicas pioneiras para resolver lesões traumatológicas.
- Um dos centros com maior experiência em tumores ósseos.