Lesões do menisco. Rotura do menisco
«Em doentes jovens que perderam uma parte significativa do menisco, pode ser recomendada a substituição e o tratamento através de um transplante meniscal.»
DR. ANDRÉS VALENTÍ AZCÁRATE
DIRETOR. DEPARTAMENTO DE CIRURGIA ORTOPÉDICA E TRAUMATOLOGIA

Os meniscos são duas estruturas fibrocartilaginosas localizadas na articulação do joelho entre o fémur e a tíbia, um interno ou medial e outro externo ou lateral.
Têm uma forma de semilua e a sua função é amortecer e estabilizar a articulação do joelho, permitindo uma melhor distribuição da carga.
Os meniscos são importantes para a estabilidade e funcionalidade da articulação do joelho e também absorvem impactos e reduzem o desgaste da cartilagem.
Quando se rompem, provocam dor lateral e posterior de intensidade variável; o joelho pode ficar total ou parcialmente bloqueado, com limitação nos movimentos de torção, flexão forçada, entre outros…

Quais são os sintomas quando o menisco está lesionado?
As lesões meniscais em que ocorre rutura do menisco, em geral, cursam com dor medial ou lateral, bem localizada (“à ponta do dedo”), dependendo de o menisco lesionado ser o interno ou o externo, e por vezes provocam dor na região posterior do joelho.
Os sintomas mais habituais são:
- Dor e rigidez
- Inchaço e derrame articular
- Pode cursar com bloqueio
Tem algum destes sintomas?
Pode ter sofrido uma rutura do menisco
Quais são as causas?
A rutura de um menisco pode ocorrer por diversas causas.
Traumática: em pessoas jovens e ativas, é frequente ocorrer por um mecanismo torsional, rotação brusca ou traumatismo.
Degenerativa: à medida que o joelho envelhece, a estrutura meniscal perde elasticidade e fica sujeita a maior carga devido a alterações degenerativas da cartilagem e desgaste progressivo do joelho. O menisco pode romper em situações do quotidiano, sem um antecedente claro de que o doente se recorde.
Estas ruturas, denominadas degenerativas, são as mais frequentes e, na maioria dos casos, resolvem-se espontaneamente. Não é raro que sejam acompanhadas por quistos de Baker (quistos de líquido sinovial palpáveis na região poplítea).
Menisco discoide
O menisco discoide é uma anomalia na formação do menisco, geralmente do menisco externo, que altera a sua forma, sendo de maior dimensão e habitualmente hemisférico. Ocorre em 1–5% da população e, em 20% dos casos, é bilateral.
O diagnóstico de menisco discoide pode ser um achado numa prova de imagem, sendo assintomático, ou manifestar-se quando ocorre rutura, com sintomas semelhantes aos de outras lesões meniscais. É uma das causas mais frequentes de artroscopia em população com menos de 15 anos.
O seu tratamento não difere do de uma lesão meniscal habitual.
Como se diagnosticam as lesões do menisco?
O exame do joelho, associado à descrição da dor, é a base do diagnóstico.
Uma vez que outros problemas do joelho podem causar sintomas semelhantes, pode ser necessário realizar exames de imagem para ajudar a confirmar o diagnóstico.
- Radiografias. Embora os raios X não mostrem ruturas do menisco, podem evidenciar a origem da rutura ou outras causas de dor no joelho, como a artrose. Por vezes, pode observar-se deposição de cristais de pirofosfato de cálcio sobre o menisco (condrocalcinose), que pode provocar inflamações recorrentes e rigidez meniscal.
- Ressonância magnética (RM). Permite observar o menisco e o estado da cartilagem e definir melhor o tratamento a aplicar.
Como se tratam as lesões do menisco?
Inicialmente, o tratamento das lesões meniscais consiste em controlar a dor e a inflamação com aplicação local de frio, joelheira compressiva, terapêutica anti-inflamatória e evitar determinados movimentos, como rotações e agachamentos.
A realização de atividade ligeira a moderada e exercícios de tonificação pode favorecer a recuperação e prevenir a perda de tónus muscular.
Se a evolução não for favorável, ou se existir grande limitação funcional ou bloqueio, pode ser necessário realizar artrocentese para remover líquido sinovial, infiltrações intra-articulares (ácido hialurónico, corticosteroides ou plasma rico em plaquetas) ou uma artroscopia do joelho.
A escolha do tratamento e o momento da sua aplicação variam muito de joelho para joelho.
A artroscopia do joelho é um dos procedimentos cirúrgicos mais frequentemente realizados.
Neste procedimento, uma pequena câmara é introduzida através de uma incisão (portal), proporcionando uma visão clara do interior do joelho.
O cirurgião introduz pequenos instrumentos cirúrgicos através de outros portais para recortar ou reparar a rutura. Existem duas possibilidades:
Meniscectomia (ressecção parcial). Neste procedimento, o tecido meniscal lesionado é recortado.
Sutura meniscal. Algumas ruturas do menisco podem ser reparadas suturando (cosendo) os fragmentos. A possibilidade de sutura depende do tipo de lesão, do tempo de evolução e do estado geral do joelho. A longo prazo, preservar o menisco é melhor para o joelho.
O tempo de recuperação após reparação/sutura meniscal é mais longo do que após meniscectomia, porque requer imobilização e carga parcial nas primeiras semanas. Após meniscectomia, pode apoiar desde o primeiro dia.
Após completada a cicatrização inicial, o médico prescreverá exercícios de reabilitação.
Na maioria dos casos, a reabilitação pode ser feita em casa, embora o médico possa recomendar terapias mais intensivas, consoante a atividade. O tempo de reabilitação após reparação meniscal é de aproximadamente 3 meses.
As lesões meniscais são lesões do joelho extremamente comuns. Com diagnóstico, tratamento e reabilitação adequados, os doentes frequentemente regressam às capacidades prévias à lesão.
As ressecções meniscais são um tratamento comum e altamente eficaz na resolução desta patologia a curto-médio prazo. No entanto, em doentes jovens, podem levar, ao longo dos anos, ao aparecimento de sinais degenerativos irreversíveis no joelho, devido à alteração da mecânica natural da articulação.
Por este motivo, em doentes jovens que perderam uma parte muito importante do menisco, pode ser recomendada a substituição e o tratamento através de um transplante meniscal alogénico do Banco de Tecidos Musculoesqueléticos. O transplante não está indicado em doentes que já apresentem fenómenos degenerativos na articulação.
Após se confirmar que se cumprem os requisitos médicos e a indicação apropriada, e após serem solicitadas as análises e marcadores de infeção necessários, realiza-se a implantação do tecido meniscal por via artroscópica, suturando-o à parede e/ou efetuando fixação óssea.
O tecido implantado não requer toma de imunossupressores pelo recetor, pois foi devidamente tratado e não existe possibilidade de rejeição.
A recuperação deste tipo de cirurgia requer o uso de muletas durante 6 semanas, imobilização com ortótese e controlo da carga. Progressivamente, permite-se carga parcial, com ganho de amplitude de movimentos. A recuperação completa pode aproximar-se dos 6 meses, e ser um pouco superior para a prática de desporto de impacto.
O Departamento de Ortopedia e Traumatologia
da Clínica Universidad de Navarra
O Departamento de Ortopedia e Traumatologia abrange de forma completa o amplo espectro de afeções congénitas ou adquiridas do sistema músculo-esquelético, incluindo os traumatismos e as suas sequelas.
Desde 1986, a Clínica Universidad de Navarra dispõe de um excelente banco de tecido osteotendinoso, permitindo a disponibilidade de enxertos ósseos e a oferta das melhores alternativas terapêuticas.
Organizados em unidades assistenciais
- Anca e joelho.
- Coluna vertebral.
- Membro superior.
- Ortopedia pediátrica.
- Tornozelo e pé.
- Tumores músculo-esqueléticos.

Porquê na Clínica?
- Especialistas em cirurgia artroscópica.
- Profissionais altamente qualificados que realizam técnicas pioneiras para resolver lesões traumatológicas.
- Um dos centros com maior experiência em tumores ósseos.