Infeção de próteses articulares
"A nossa experiência de vários anos no tratamento destes doentes de forma multidisciplinar coloca-nos numa taxa de cura de 90% dos casos de infeções precoces."
DR. JOSÉ LUIS DEL POZO LEÓN
DIRETOR. SERVIÇO DE DOENÇAS INFECCIOSAS

Em Espanha realizam-se todos os anos aproximadamente 30.000 artroplastias, com colocação de próteses articulares.
Embora seja uma complicação pouco frequente, a infeção da prótese articular, que ocorre apenas em 2-4% das próteses colocadas, é um dos problemas mais temidos pelos cirurgiões ortopédicos.
Estas infeções são provocadas, geralmente, por bactérias do próprio doente (Pseudomonas e Staphylococcus são as bactérias que mais frequentemente formam biofilmes).
As bactérias aderem à superfície articular, começam a multiplicar-se e produzem uma matriz gelatinosa que lhes serve de protecção frente aos antibióticos.

Quais são os sintomas de uma infeção de prótese?
As infeções precoces ocorrem entre o primeiro e o terceiro mês após a colocação da prótese. Nesses casos, o doente apresenta febre, inflamação na zona, dor e até supuração da ferida e falta de cicatrização. Estes sinais tornam muito evidente a suspeita de infeção e facilitam o início do tratamento adequado.
No entanto, em mais de 50% dos casos, as infeções são tardias. Ocorrem após três meses desde que a prótese foi implantada e o único sintoma referido pelos doentes é dor.
A dor pode estar relacionada apenas com o afrouxamento das próteses, sem infeção associada, mas, noutras ocasiões, a dor é causada por uma infeção da superfície da prótese articular.
Estas infeções são provocadas, normalmente, por bactérias do próprio doente, que aderem à superfície da prótese. Começam a multiplicar-se e produzem uma substância gelatinosa que as protege, denominada biofilme. Este biofilme é resistente aos antibióticos, o que dificulta a sua eficácia.
Os sintomas mais habituais são:
- Dor.
- Perda de funcionalidade da articulação.
- Febre.
Tem algum destes sintomas?
Pode ter uma infeção da sua prótese articular
Como se diagnostica a infeção de uma prótese?
O diagnóstico precoce e preciso é fundamental para aumentar o sucesso do tratamento. A abordagem multidisciplinar por uma equipa composta por ortopedistas/traumatologistas, infeciologistas, microbiologistas especialistas em infeções de próteses articulares, radiologistas, fisiatras e especialistas em Medicina Nuclear facilita um diagnóstico rápido e permite instituir o tratamento ótimo desde o início.
A PET (sigla em inglês de tomografia por emissão de positrões) é uma técnica de diagnóstico por imagem com grande capacidade de deteção da infeção associada a prótese articular. Além disso, oferece a vantagem de examinar todo o corpo de forma não invasiva.
A glicose é o radiofármaco/traçador de imagem PET mais frequentemente utilizado, mas estamos a investigar novos traçadores, como o fluoro-sorbitol e o fluoro-PABA, específicos para determinados germes. Estes traçadores permitirão não só localizar com maior precisão as infeções bacterianas, como também distinguir o tipo de bactéria e monitorizar a resposta ao tratamento antibiótico.
Dispomos de um Laboratório de Biofilmes Bacterianos, no qual investigamos continuamente novas formas de melhorar o diagnóstico e o tratamento destas infeções.
Como se trata a infeção da prótese articular?
Na grande maioria das infeções protésicas é necessário um tratamento combinado médico e cirúrgico, com limpeza dos tecidos e desbridamento da zona, remoção da prótese e antibióticos específicos até se conseguir curar a infeção.
Os objetivos do tratamento das infeções de próteses articulares são, por ordem de prioridade, aliviar a dor do doente, conseguir uma melhoria da funcionalidade da articulação e, em terceiro lugar, erradicar o microrganismo causador da infeção.
O tratamento destas infeções deve ser multidisciplinar. O cirurgião ortopédico que colocou a prótese deve trabalhar em conjunto com especialistas em doenças infecciosas e microbiologistas, experientes neste tipo de infeções.
Os especialistas de reabilitação também são fundamentais para recuperar a mobilidade articular e para que o grau de funcionalidade do doente seja o mais ótimo possível.
Uma das principais linhas de investigação da Área de Doenças Infecciosas é o estudo e tratamento destas infeções associadas a próteses articulares.
Dispomos de um Laboratório de Biofilmes Bacterianos cujo objetivo é desenvolver novas estratégias diagnósticas e terapêuticas.
Procuramos novas técnicas de diagnóstico molecular e de imagem para conseguir um diagnóstico precoce destas infeções e aumentar as probabilidades de sucesso.
Estamos a avaliar a eficácia de novos fármacos antibióticos que permitam tratar estes microrganismos multirresistentes, bem como outras substâncias não antibióticas e a utilização de ondas eletromagnéticas para potenciar a eficácia dos antibióticos.
O Serviço de Doenças Infecciosas
da Clínica Universidad de Navarra
Diagnóstico e tratamento das doenças causadas por um agente infeccioso, que pode ser bactéria, vírus, fungo ou protozoário. As infeções afetam as pessoas, provocando processos muito distintos, que podem localizar-se em qualquer tecido do corpo humano, pelo que exigem uma abordagem específica.
Este serviço desenvolve a sua atividade em três vertentes: atividade assistencial, centrada no diagnóstico e tratamento das doenças infecciosas; docência, com formação de estudantes de Medicina, médicos internos e enfermeiros; e vocação investigadora, através do desenvolvimento de estudos clínicos e laboratoriais.
Organizados em unidades assistenciais
- Infeções associadas a biomateriais.
- Infeções nosocomiais (multirresistências).
- Infeções em doentes imunodeprimidos.
- Infeção adquirida na comunidade.
- Medicina do viajante.
- Programa de utilização prudente e otimização da terapêutica anti-infecciosa.
- Controlo da infeção por microrganismos multirresistentes.

Porquê na Clínica?
- Realizamos a avaliação do viajante e os exames analíticos em menos de 24 horas.
- Consulta de Segunda Opinião quando a infeção não chega a resolver-se.
- Zelamos pela utilização prudente de antibióticos.