Escarlatina
"A escarlatina é uma infeção estreptocócica aguda, caracterizada por um exantema vermelho e rugoso ao toque. Com diagnóstico precoce, tratamento antibítico e medidas de higiene, o seu prognóstico é muito favorável."
DR. JOSÉ RAMÓN YUSTE ARA
ESPECIALISTA. SERVIÇO DE DOENÇAS INFECCIOSAS

O que é a escarlatina?
A escarlatina é uma doença infeto-contagiosa aguda que afeta a infância e cujos sintomas são febre, faringoamigdalite e um exantema característico com posterior descamação.
Transmite-se da pessoa doente para a pessoa sã, através do ar, pelas gotículas de saliva (gotas de Pflügge) e secreções nasais. As pessoas portadoras também podem contagiar através de objetos ou alimentos (embora com menor frequência).
O prognóstico é bom com o tratamento adequado. Em alguns casos pode ser grave: formas tóxicas e formas sépticas.

Sintomas da escarlatina
Os sintomas mais habituais são: febre elevada, dor de garganta, erupção de cor vermelho-escarlate, vómitos e dor de cabeça.
- Período de incubação: dura entre 3 e 5 dias e é assintomático.
- Período de invasão (12–24 horas): início súbito de febre elevada, com pico máximo aos 2–3 dias, e faringoamigdalite dolorosa. Pode acompanhar-se de outros sintomas, como vómitos e cefaleia, enantema (pontilhado vermelho) no véu do palato e língua muito saburrosa (coberta por uma camada esbranquiçada, mas com pontos e bordos vermelhos).
- Período exantemático ou de estado: dura aproximadamente 3–4 dias. Inicia-se com um exantema súbito de cor vermelho-escarlate, difuso e micropapular, áspero ao toque (“pele de galinha”). É mais intenso ao nível das pregas cutâneas (sinal de Pastia). A língua descama e fica vermelha, com papilas proeminentes, conferindo-lhe aspeto de framboesa (típico da escarlatina). Verifica-se ainda um eritema difuso de ambas as bochechas, poupando o sulco nasolabial (“triângulo de Filatov”).
- Período de descamação ou declínio: pode persistir durante semanas. Atualmente é menos frequente devido à rápida resposta ao tratamento.
Tem algum destes sintomas?
Se suspeitar que apresenta algum dos sintomas referidos,
deve procurar um especialista médico para diagnóstico.
Quais são as causas da escarlatina?
É causada por uma bactéria, o estreptococo beta-hemolítico do grupo A, através das suas toxinas eritrogénicas A, B e C.
A escarlatina confere imunidade duradoura contra a toxina, mas a criança pode sofrer infeção por outros tipos ou variedades de estreptococos.
Quais são as complicações da escarlatina?
As complicações podem ser:
- Precoces: surgem quase ao mesmo tempo que a doença (por extensão da infeção estreptocócica a tecidos vizinhos), como otite média, mastoidite, adenite cervical, laringite, broncopneumonias...
- Tardias: glomerulonefrite, febre reumática, osteomielite…
Como se diagnostica a escarlatina?
O diagnóstico da escarlatina faz-se pela sintomatologia clínica, confirmando-se através de análises, sobretudo pelo teste de diagnóstico rápido (TDR) para estreptococo.
Outras alternativas incluem a identificação do estreptococo em cultura de exsudado faríngeo ou a medição de antiestreptolisinas no soro (desenvolvimento de anticorpos), embora a sua deteção possa não ser evidente até 2–3 semanas após a infeção.
A evolução pode ser muito diversa e as formas clínicas podem variar desde malignas (tóxica, séptica) até benignas (latente, frustrada). A doença confere imunidade duradoura contra a toxina.
Como se trata a escarlatina?
- Ingestão abundante de líquidos.
- Repouso durante o período febril.
- Analgésicos e antipiréticos.
- Antibióticos: a penicilina V por via oral é o antibiótico inicial de eleição, exceto em pessoas alérgicas, nas quais se utilizará azitromicina ou clindamicina. A duração é de 10 dias, pois, caso contrário, o microrganismo pode não ser erradicado e a pessoa tornar-se portadora.
Trata-se de uma infeção que implica exclusão escolar (até à resolução da febre e após, pelo menos, 1 dia de antibioterapia). Como medidas de prevenção da transmissão, recomenda-se uma higiene adequada das mãos da criança e dos cuidadores e não partilhar objetos pessoais, como utensílios de alimentação e toalhas.
O Serviço de Doenças Infecciosas
da Clínica Universidad de Navarra
Diagnóstico e tratamento das doenças causadas por um agente infeccioso, que pode ser bactéria, vírus, fungo ou protozoário. As infeções afetam as pessoas, provocando processos muito distintos, que podem localizar-se em qualquer tecido do corpo humano, pelo que exigem uma abordagem específica.
Este serviço desenvolve a sua atividade em três vertentes: atividade assistencial, centrada no diagnóstico e tratamento das doenças infecciosas; docência, com formação de estudantes de Medicina, médicos internos e enfermeiros; e vocação investigadora, através do desenvolvimento de estudos clínicos e laboratoriais.
Organizados em unidades assistenciais
- Infeções associadas a biomateriais.
- Infeções nosocomiais (multirresistências).
- Infeções em doentes imunodeprimidos.
- Infeção adquirida na comunidade.
- Medicina do viajante.
- Programa de utilização prudente e otimização da terapêutica anti-infecciosa.
- Controlo da infeção por microrganismos multirresistentes.

Porquê na Clínica?
- Realizamos a avaliação do viajante e os exames analíticos em menos de 24 horas.
- Consulta de Segunda Opinião quando a infeção não chega a resolver-se.
- Zelamos pela utilização prudente de antibióticos.