Estenose do canal

"Um canal um pouco mais estreito do que o habitual não tem necessariamente de causar incómodo a uma pessoa. No entanto, quando o espaço continua a diminuir e comprime as estruturas internas, é quando começa a ser sintomático."

DR. MATÍAS ALFONSO OLMOS-GARCÍA
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE CIRURGIA ORTOPÉDICA E TRAUMATOLOGIA

Merco Salud 2025 Imagem do selo de reconhecimento em traumatologia. Clínica Universidade de Navarra

A estenose do canal medular é um estreitamento do espaço por onde passam a medula espinal e as raízes nervosas. Abarca desde a região occípito-cervical até à região lombo-sagrada.

A origem da estenose pode ser de muitos tipos (traumático, neoplásico, etc.), embora a grande maioria seja de natureza degenerativa.

Produz-se por uma degeneração do tecido adjacente, como uma hipertrofia ligamentar ou das articulações facetárias vertebrais, que origina o crescimento dos mesmos e a ocupação de parte do canal raquidiano, comprimindo os elementos nervosos e causando a sintomatologia.

É um transtorno relativamente frequente em doentes com mais de 50 anos, embora por vezes ocorra em doentes mais jovens por apresentarem um canal vertebral estreito congénito. Também é habitual coexistir com hérnias discais ou deformidades da coluna.

Quais são os sintomas da estenose do canal?

Um canal um pouco mais estreito do que o habitual não tem, necessariamente, de causar queixas numa pessoa. No entanto, quando o espaço continua a diminuir e comprime as estruturas internas, é que começam a surgir sintomas.

Dependendo do nível vertebral afetado, pode causar uma determinada apresentação clínica.

Estenose a nível lombar ou dorsal:

  • A claudicação neurógena da marcha consiste em dor, desconforto ou sensação de peso numa ou em ambas as pernas enquanto caminha, obrigando o doente a sentar-se e a descansar. Passados alguns minutos sentado, tipicamente recupera e consegue voltar a caminhar.
  • Formigueiros e fraqueza nas pernas.

Estenose a nível cervical:

  • Dificuldade em caminhar, instabilidade, espasticidade, etc.
  • Dor nos braços e nas mãos. Por vezes, também nas pernas.

Pode também causar dor local lombar, cervical ou dorsal devido a contraturas musculares.

A sintomatologia costuma surgir de forma progressiva ao longo de meses ou mesmo anos, embora possa aparecer após um evento desencadeante, como traumatismos.

As manobras de Valsalva (tossir, espirrar, aumentar a pressão abdominal ao ir à casa de banho) podem agravar a sintomatologia.

Os sintomas mais habituais são:

  • Dor, desconforto ou sensação de peso ao caminhar.
  • Formigueiros e fraqueza nas pernas.
  • Dificuldade em caminhar, instabilidade, espasticidade.
  • Dor nos braços, mãos e/ou pernas.

Tem algum destes sintomas?

É possível que sofra de estenose do canal

Como se diagnostica a estenose do canal?

É possível que sofra de estenose do canal

Resonancia magnética de un paciente con estenosis del canal medular

O diagnóstico é feito, para além da sintomatologia referida pelo doente, através de radiografia e, na maioria dos casos, é complementado com ressonância magnética (RM) ou TAC (TC).

Como se trata a estenose do canal medular?

Existem vários tratamentos para esta afeção, embora o tratamento farmacológico e a reabilitação sejam, habitualmente, a abordagem inicial.

Se o tratamento conservador não for suficientemente eficaz, a cirurgia é o tratamento de eleição, através de descompressão posterior (hemi- ou laminectomia e flavectomia), podendo associar-se estabilização, se necessário.

A operação mais frequente é a descompressão simples seletiva, na qual se cria mais espaço no canal, removendo ligamentos e parte do osso que estão a causar a compressão, por via posterior. É, em geral, uma intervenção com bons resultados, e os doentes referem melhoria ao caminhar.

Utiliza-se osteossíntese (geralmente parafusos de titânio e barras) se existir instabilidade prévia ou se se prever que esta venha a ocorrer durante o procedimento cirúrgico.

Podem utilizar-se dispositivos intersomáticos (TLIF, XLIF, ALIF, etc.) para aumentar a estabilidade do sistema e melhorar as taxas de fusão vertebral.