Dor lombar crónica
"Quando a dor lombar surge num adulto saudável a partir dos 30 anos, o mais frequente é que se deva à degeneração dos discos intervertebrais e das articulações posteriores."
DR. EDUARDO HEVIA SIERRA
ESPECIALISTA. DEPARTAMENTO DE CIRURGIA ORTOPÉDICA E TRAUMATOLOGIA

A dor lombar crónica é a dor que tem origem na zona lombar baixa e que persiste ao longo do tempo.
A dor lombar pode estar associada a dor ciática (compressão do nervo ciático) ou apresentar-se isoladamente. A maioria da população apresentará ou terá apresentado alguma vez na vida algum episódio de dor lombar aguda que durou entre algumas horas e vários dias.
É uma doença que surge a partir dos 40 anos, devido à degeneração da coluna vertebral, e é a principal causa de absentismo laboral e um dos principais motivos de consulta nos serviços de Traumatologia e Cirurgia Ortopédica.

Quais são os sintomas da dor lombar crónica?
O principal sintoma é uma dor persistente na região lombar baixa, identificada como a parte posterior da cintura, que surge quando se permanece de pé e melhora de forma significativa quando se está deitado.
Também pode ser sentida na região inguinal, inclusive nos genitais, e, mais frequentemente, na face posterior do glúteo, na face posterior e lateral da coxa e, menos frequentemente, na barriga da perna e na face lateral da perna, bem como no calcanhar.
A dor não é habitualmente percecionada como uma “corrente” que desce do glúteo até ao pé; surge antes em “placas”, “a pedaços”, na região lombar baixa, no glúteo e na coxa. Pode surgir dificuldade em andar devido à dor na região lombar e no membro inferior.
Os sintomas mais habituais são:
- Dor persistente na região lombar baixa.
- Dor irradiada para a região inguinal, glúteo e coxa.
- Dificuldade em andar.
Tem algum destes sintomas?
É possível que apresente dor lombar crónica
Quais são as causas da dor lombar?
As causas desta síndrome podem ser muitas e de origem variada. Anatomicamente, a dor lombar crónica pode provir das estruturas ósseas e ligamentares da coluna vertebral (por desgaste das articulações posteriores ou dos discos intervertebrais) ou das vísceras que rodeiam a coluna lombar (rins, pâncreas).
Outras causas, muito menos frequentes, são traumáticas (fraturas vertebrais, espondilólise), metabólicas (fraturas vertebrais por osteoporose), tumorais, infeciosas e a aceleração do processo evolutivo de degenerescência discal após uma intervenção cirúrgica por hérnia discal.
A causa mais frequente da dor lombar crónica é a degenerescência dos discos intervertebrais e das articulações posteriores. Isto faz parte do processo normal de involução que surge na coluna vertebral a partir dos 20 anos, tal como ocorre noutras partes do organismo, associado a fraca musculatura abdominal e lombar, excesso de peso (que obriga a coluna a suportar continuamente cargas superiores àquelas para as quais está “concebida”) e a permanecer de pé durante muito tempo, bem como a posturas forçadas e mantidas em flexão lombar.
Qual é o seu prognóstico?
Trata-se de uma doença crónica e os resultados dependem, em grande medida, do condicionamento físico que o doente conseguir adquirir.
Assim, um doente que consiga perder peso ou manter um peso adequado, tonificar a musculatura e evitar movimentos forçados da coluna terá melhor prognóstico do que aquele que apresenta excesso de peso, abdómen proeminente e baixo tónus muscular.
Se for necessário recorrer a cirurgia de fusão lombar, esta oferece bons resultados, com taxas de fusão superiores a 90%, limitação reduzida da mobilidade lombar e regresso às atividades diárias, inclusive laborais, em elevada percentagem de doentes.
Como se diagnostica a dor lombar crónica?
O diagnóstico da dor lombar crónica é feito a partir da história clínica e do exame físico realizado pelo médico. Quase basta conhecer a sintomatologia relatada pelo doente para orientar corretamente o diagnóstico.
As radiografias simples em projeção AP e lateral que realizamos são exames complementares e permitem excluir outros tipos de patologia, uma vez que achados como diminuição da altura discal, crescimentos ósseos nos bordos vertebrais, escoliose, etc., também se observam em doentes sem qualquer dor lombar.
A ressonância magnética e a TAC servem para confirmar uma hérnia discal ou outra patologia específica quando se suspeita pela clínica, mas têm pouca utilidade no diagnóstico da dor lombar crónica típica, devido à elevada frequência de achados supostamente patológicos em população assintomática.
Como se trata a dor lombar crónica?
O primeiro degrau do tratamento baseia-se em:
- Estabilização da coluna lombar: utilização de cintas ou coletes e tonificação da musculatura abdominal e paravertebral (exercícios isométricos).
- Medidas de higiene postural: mobiliário ergonómico no posto de trabalho, evitar fletir a coluna para a frente e manter os pesos junto ao corpo.
- Atingir um peso adequado.
- Anti-inflamatórios, tanto não esteroides como corticoides, analgésicos e relaxantes musculares podem ser úteis nos períodos de agravamento da dor.
- Aplicação de correntes, massagens, trações e fontes de calor em reabilitação pode melhorar temporariamente a sintomatologia.
- No degrau seguinte, incluem-se as infiltrações periarticulares com anestésico local e corticoides.
- Se houver melhoria com a infiltração e a dor lombar reaparecer, pode realizar-se denervação percutânea do ramo posterior, rizólise, que pode fazer regredir a sintomatologia por um período prolongado, em até 70% dos casos.
O degrau final no tratamento da dor lombar crónica é a cirurgia, na qual se estabiliza a coluna lombar através de fixação das vértebras afetadas.
Esta fixação é realizada com enxerto ósseo do próprio doente e é facilitada por implantes metálicos, como parafusos pediculares.
Outra opção a considerar em pessoas jovens é a prótese discal.