Espondilolistese

"A cirurgia melhora significativamente a sintomatologia, mas o paciente deve continuar a cuidar-se com orientações de higiene postural, dieta saudável e vida ativa."

DR. VÍCTOR RODRIGO PARADELLS
DIRETOR. DEPARTAMENTO DE NEUROCIRURGIA

Imagem do selo de reconhecimento Merco Salud 2025. Clínica Universidade de Navarra

A espondilolistese é o deslizamento de uma vértebra sobre outra e é classificada até 5 graus, de acordo com a distância que se tenha deslocado (grau I é o mínimo e grau 5 o máximo, ou espondiloptose).

Quando o deslizamento da vértebra se produz para a frente denomina-se anterolistese e, para trás, retrolistese. Se o deslizamento for excessivo, o osso pode comprimir a medula ou os nervos.

Pode ser instável e causar estenose de canal e/ou lombalgia com os movimentos ou na posição de pé.

Produz-se com maior frequência nos segmentos lombares, sobretudo nos últimos (L4-L5-S1), embora também possa ocorrer ao nível cervical.

Quais são os sintomas da espondilolistese?

A sintomatologia que uma espondilolistese pode causar pode ser tanto uma radiculopatia (dor nas pernas se for lombar ou nos braços se for cervical), como numa hérnia discal, ou claudicação da marcha, como numa estenose do canal (vínculo).

Também é frequentemente diagnosticada na sequência de dor lombar com irradiação para os glúteos, por sobrecarga.

Na maioria dos casos, o doente refere mais dor ao estar de pé ou ao caminhar.

Em casos graves, pode provocar instabilidade da marcha, alterações sensitivas e até incontinência.

Os sintomas mais habituais são:

  • Dor nas pernas ou nos braços (dependendo da localização).
  • Dor irradiada para os glúteos.
  • Instabilidade da marcha, alterações sensitivas e/ou incontinência.

Tem algum destes sintomas?

É possível que apresente uma espondilolistese

Como se diagnostica a espondilolistese?

Pode ser diagnosticada com uma radiografia simples da coluna lombar, embora seja frequentemente complementada com radiografias funcionais ou dinâmicas e com ressonância magnética (RM), TC ou TAC.

Consoante a origem da listese, pode dividir-se em:

  • Degenerativa: por degenerescência dos tecidos que estabilizam as vértebras (disco intervertebral, ligamentos, articulações facetárias, etc.).
  • Ístmica: deve-se a uma espondilólise, que corresponde a linhas de fratura ou fragilidades numa zona da vértebra denominada “pars interarticularis”, provocando fixação insuficiente e o consequente deslizamento.
  • Traumática: devido a pancadas, quedas ou acidentes.
  • Congénita: presente desde o nascimento, provoca uma deformidade óssea.
  • Patológica: por causa de uma doença óssea, por exemplo, um tumor.
  • Iatrogénica: uma cirurgia que enfraqueça as estruturas ósseas que estabilizam as vértebras pode provocar uma espondilolistese.

Como se trata a espondilolistese?

O tratamento inicial é, habitualmente, conservador, com fármacos e exercício físico orientado para reforçar a musculatura da coluna vertebral. Se a dor for insuportável, refratária ao tratamento médico e/ou se já tiver provocado défice motor, estabelece-se a indicação cirúrgica.

Frequentemente, é também necessária uma descompressão do mesmo nível, uma vez que as articulações facetárias (posteriores) e os tecidos adjacentes hipertrofiam, condicionando uma diminuição significativa do canal raquidiano e dos orifícios de conjugação.

Geralmente, realiza-se por via posterior e pode ser complementada com um dispositivo intersomático (entre os corpos vertebrais) para aumentar a estabilidade, aumentar o espaço por onde passam as raízes nervosas e assegurar a fusão. Nos casos cervicais, a abordagem é habitualmente por via anterior.